NOTIMP - NOTICIÁRIO DA IMPRENSA

Capa Notimp Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil e até do mundo. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Do impeachment ao Planalto, Temer faz reverência aos militares

Presidente se alinha aos quartéis e amplia influência das Forças Armadas

Bruno Boghossian Publicado Em 20/05 - 02h00

Michel Temer procurou o comandante do Exército, general Villas Bôas, para uma conversa reservada nos primeiros meses de 2016. O vice-presidente ouvira que Dilma Rousseff buscava garantias dos militares diante do processo de impeachment que corria contra ela. Temer queria paridade de armas.

Até então, a relação entre o vice-presidente e Villas Bôas era protocolar. Quando Temer pedia uma audiência, o comandante notificava o ministro da Defesa e, depois do encontro, relatava a ele o teor da conversa.

Dessa vez, Temer foi discretamente à casa de Villas Bôas para um jantar intermediado pelo general Sérgio Etchegoyen (amigo do comandante). O vice queria saber como os militares se comportariam se o Congresso votasse pela saída de Dilma. 

Segundo um auxiliar de Temer, Villas Bôas foi comedido: sinalizou apenas que decisões tomadas com base na Constituição seriam respeitadas. O futuro presidente ficou satisfeito.

O grupo de Temer buscou respaldo constante na caserna durante a articulação do impeachment. “Estou conversando com generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir”, disse Romero Jucá (MDB) na famosa conversa com Sérgio Machado.

Com Temer no poder, o Exército multiplicou seu prestígio político. Militares ocupam cargos-chave, integram o núcleo de decisões do governo e influenciam a agenda econômica. A estratégia para a defesa do comércio exterior, por exemplo, é alimentada com informações da Abin, subordinada a Etchegoyen.

A deferência é tanta que Temer se alinha frequentemente aos quartéis em situações delicadas. Quando Villas Bôas disparou um tuíte que soou como pressão sobre o STF na véspera do julgamento do habeas corpus de Lula, o presidente fez vista grossa.

O aceno mais recente foi dado após a divulgação do memorando da CIA que afirmava que o general Ernesto Geisel autorizou execuções na ditadura militar. “Nem tudo o que a CIA diz é necessariamente verdade, uma verdade absoluta”, contemporizou.

 

Venezuela vota para presidente em meio a desconfiança sobre lisura da eleição

Desde 1999, chavismo usa arsenal de manobras para neutralizar conquistas da oposição

Fabiano Maisonnave Publicado Em 20/05 - 02h00

Caracas

"Eu, aqui, diante de vocês, declaro que respeitarei o resultado seja ele qual for, neste domingo, 20 de maio", prometeu o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, no encerramento de campanha, na última quinta-feira (17).

Dividida entre votar ou não nesta eleição presidencial, a oposição desconfia de que o chavismo não aceitará a derrota caso o candidato Henri Falcón, favorito segundo pesquisas eleitorais, triunfe nas urnas.

Pelas contas de Maduro, seus adversários venceram apenas 2 das 23 eleições disputadas a partir da ascensão à Presidência de seu padrinho político, Hugo Chávez (1954-2013), há 19 anos. Em ambos os casos, assegurou o ditador em discurso, o chavismo acatou a derrota.

Os fatos, no entanto, contam uma história diferente.

Em dezembro de 2007, ao perder o referendo sobre a reforma constitucional que incluía a reeleição indefinida, Chávez disse que a oposição havia tido "uma vitória de merda".

Pouco mais de um ano depois, em fevereiro de 2009, em novo referendo, o líder venezuelano finalmente conseguiu a aprovação da reeleição indefinida, após campanha marcada por amplo uso da máquina estatal.

A segunda derrota chavista ocorreu em 2015, quando, de forma surpreendente, a coalizão opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) obteve a maioria qualificada da Assembleia Nacional, elegendo 112 das 167 cadeiras do Parlamento unicameral.

Em pronunciamento, Maduro reconheceu a derrota. Porém, dias mais tarde, o TSJ (Tribunal Supremo de Justiça), controlado pelo governo, suspendeu a posse de três deputados, retirando a maioria qualificada da oposição.

PASSOS DO AUTORITARISMO CHAVISTA

2004 No ano em que venceu o referendo sobre a revogação de seu mandato, Hugo Chávez aumentou de 12 para 32 os membros do TSJ

2005 Oposição boicota eleição legislativa, levando a Assembleia Nacional chavista

2007 Chávez perde referendo, mas muda lei eleitoral e composição do Ministério Público; anos depois, aprova lei de expropriações

2014 Um ano após a morte de Chávez, Maduro enfrenta primeiros protestos; com aparato dominado, líder consegue prender opositores

2015 Oposição consegue dois terços da Assembleia Nacional; dias depois, porém, TSJ ganha mais chavistas

2016 TSJ obstrui deliberações do Legislativo, e CNE protela referendo para depor Maduro

2017 Em meio a protestos, Maduro convoca Constituinte com regras beneficiando chavistas

A relação conturbada atingiu o auge em março do ano passado, quando o TSJ assumiu as funções do Legislativo, desatando uma onda de protestos por todo o país, com um saldo de pelo menos 121 mortos.

O governo recuou da decisão, mas em seguida convocou uma Assembleia Constituinte, escolhida em julho, em votação boicotada pela oposição. O resultado foi marcado pela denúncia de ao menos 1 milhão de votos inflados feita pela Smartmatic, a empresa responsável pelas urnas eletrônicas.

Sob críticas da União Europeia, do Brasil, dos EUA e de outros países, os chavistas instalaram a Constituinte no início de agosto, a poucos metros de distância do plenário da Assembleia.

Com suprapoderes, a Constituinte usurpou as atribuições do Legislativo. Ao menos em tese, sua presidente, a ex-chanceler chavista Delcy Rodríguez, tem mais poderes do que Maduro.

O chavismo também tem sabotado administrações locais e regionais. Os governadores oposicionistas eleitos em outubro, por exemplo, perderam orçamento e atribuições para os chamados "protetores", nomeados por Maduro para "não deixar o povo à deriva".

Com os seus principais líderes inelegíveis e impedida de concorrer como frente pela Justiça, a MUD decidiu não participar e pregar o boicote. Para concorrer, Falcón rompeu com a coalizão oposicionista.

"Esse cenário não vai acontecer", diz à Folha o deputado oposicionista Stálin Gonzalez, sobre se a MUD reconheceria uma eventual vitória de Falcón. "Não existe nenhuma possibilidade."

Ao menos nas pesquisas de opinião, o ex-chavista mantém uma razoável vantagem sobre Maduro. O mais recente levantamento do instituto Datanálisis, por exemplo, diz que o oposicionista tem 30%, contra 20% para o ditador.

Na mesma pesquisa, 71,5% dos eleitores que se declararam de oposição se mostraram dispostos a votar. Entre os governistas, esse percentual sobe para 91,5%.

Com relação aos rumos da Venezuela, cuja crise econômica tem levado centenas de milhares a deixar o país, 66% acreditam que o país vá piorar caso Maduro continue.
Ex-chavista, Falcón quer dolarizar a economia

Para muitos da oposição, é difícil engolir o candidato oposicionista Henri Falcón, 56, principal adversário do ditador Nicolás Maduro na eleição deste domingo (20).

Ex-militar, como Hugo Chávez, e membro das fileiras oficialistas até 2010, sempre foi visto como um estranho no ninho da oposição, principalmente pelos que não acreditam na via eleitoral, como a ex-deputada María Corina Machado.

Para se candidatar, Falcón rompeu com a MUD (Mesa da Unidade Democrática), coalizão oposicionista que prega a abstenção e que, recentemente, vinha lhe concedendo pouco espaço, como nas negociações fracassadas com o ditador Nicolás Maduro, na República Dominicana.

O ex-sargento e advogado estava alinhado ao núcleo mais duro do chavismo. Em 2008, quando o país já havia se polarizado há bastante tempo, Falcón foi eleito governador de Lara com 73% dos votos. Seu discurso moderado atraiu parte dos eleitores oposicionistas.

A possibilidade de voos mais altos provocou atritos dentro do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela). Em carta a Chávez ao se desfiliar, Falcón afirmou que a agremiação "tem sido minada pela burocracia, pela ausência de discussão, pelo clientelismo, pelo grupalismo e por um conceito mal entendido de lealdade".

Fora do PSUV, porém, seu desempenho político tem sido limitado. Reelegeu-se governador em 2012, mas com 54% dos votos. Em outubro do ano passado, não conseguiu o terceiro mandato consecutivo, obtendo 41%, contra 58% para a chavista Carmen Meléndez.

Além disso, o partido fundado por Falcón, Avanço Progressista, é nanico —tem apenas 3 dos 167 deputados da Assembleia Nacional, de maioria oposicionista. Trata-se, segundo ele, de "uma oposição com posição própria".

Com poucos quadros, a sigla terá dificuldade para mobilizar eleitores e fiscalizar as mesas de votação diante do oficialismo, que mobilizou toda a máquina do Estado para o pleito de domingo, a ponto de oferecer bônus a eleitores inscritos em programas sociais que saiam de casa para votar.

Durante a campanha, o ex-chavista teve como principal lema a dolarização da economia como resposta para estancar a maior inflação do mundo —a projeção do FMI para este ano é que superará os 13.000%.

Falcón também prometeu um salário mínimo de US$ 75 (R$ 280). Parece pouco, mas pode ser uma meta inalcançável no curto prazo: hoje, o piso oficial é de apenas US$ 3 (R$ 11).

No campo político, o principal candidato oposicionista propôs um governo de unidade nacional com participação ampla, sem descartar forças chavistas.

Ao menos a julgar por uma série de pesquisas de opinião recentes, o ex-chavista tem chances de vitória, com uma vantagem de no mínimo 6 pontos percentuais sobre Nicolás Maduro.

"Para alguns, Falcón se converteu na esperança de sair de Maduro pela via pacífica e democrática", diz Xabier Coscojuela, diretor do jornal oposicionista TalCual.

"Para isso, teve de enfrentar parte expressiva da oposição que, durante a campanha, fez mais ataques contra ele do que contra Maduro".
Armação do poder do regime

Máquina deve assegurar vitória de Maduro, apesar de crise profunda

OS ALICERCES

Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) Corte anulou Legislativo e abriu julgamentos contra opositores

Conselho Nacional Eleitoral (CNE) Protelou referendo para depor Maduro e cassou partidos opositores

Procuradoria-Geral Órgão fundamenta expurgo de dissidentes e arquiva ações sobre protestos

Assembleia Constituinte Totalmente chavista, é a Casa que torna leis as medidas sugeridas por Maduro

Forças Armadas Com a PDVSA e metade dos ministérios, cúpula mantém apoio a Maduro

Cuba Relação com o aliado vai do treinamento militar e de inteligência aos programas sociais

AS FISSURAS

PDVSA Petroleira estatal teve queda de mais de 30% na produção devido ao sucateamento e à má gestão

Dívidas externas Sem reservas, país deu calote parcial na dívida pública e não consegue se financiar

Sanções Punições de fora miram membros do regime e impedem capitalização pelo petro (moeda virtual)

Petrocaribe Sem conseguir petróleo para si, enfrenta dificuldades em manter os acordos com países vizinhos

Infraestrutura Má gestão e sucateamento levaram setores elétrico, de transportes e de saneamento ao colapso

Economia Maduro não incentivou indústria e agropecuária, aprofundando crise e desabastecimento

AS AMEAÇAS EXTERNAS

Pressão internacional EUA, UE e latinos críticos não reconhecerão eleição, em prenúncio de sanções

Oposição Embora debilitada pelo chavismo e pelas divisões e sem crédito popular, tem apoio estrangeiro

Rússia e China Financiadores da PDVSA e do regime, podem tanto dar oxigênio ao regime quanto levá-lo à queda

AS ARMAS

Repressão Brutalidade das forças do regime é uma das principais causas da apatia da população

Expurgos Maduro expulsou desafetos na Procuradoria, na PDVSA, na Justiça e nas Forças Armadas

Cabresto Carteira da Pátria é único meio para comprar alimentos subsidiados. Vira controle eleitoral

Programas sociais Chavismo prioriza aliados em habitação, saúde, educação e alimentação

Êxodo O mais de um milhão de venezuelanos que deixaram o país em 2017 devido à crise não vão poder votar

Meios de Comunicação Maduro teve mais espaço nos veículos que rivais, contrariando acordo

 

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Programa espacial do Brasil foi alvo da CIA

Papéis mostram que satélites americanos espionaram complexo militar brasileiro

Marcelo Godoy E Roberto Godoy Publicada Em 20 Maio- 05h00

A CIA (Agência Central de Inteligência) usou satélites para espionar o programa espacial brasileiro e o complexo industrial militar do País entre 1978 e 1988. Documentos desclassificados pelo governo americano em dezembro de 2016 mostram análises de fotos aéreas das instalações de fábricas, da base de lançamentos de foguetes em Natal (RN), e do campo de provas de armamentos da Serra do Cachimbo, onde a Força Aérea Brasileira (FAB) construía um poço que poderia ser usado em testes de artefatos nucleares.

Além de satélites, os papéis mostram que os adidos de defesa e a embaixada americana dispunham de uma rede de informantes que permitiu aos Estados Unidos saber detalhes das negociações secretas entre Brasil e Arábia Saudita e as vendas de blindados e foguetes para o regime de Saddam Hussein, no Iraque, e para a Líbia, governada então por Muamar Kadafi. Os americanos temiam que, por meio dessas vendas, a tecnologia ocidental fosse parar nas mãos da União Soviética. Tinham ainda restrições às entregas a nações hostis aos Estados Unidos. Mas também enxergavam uma vantagem: o equipamento brasileiro podia roubar dos russos mercados inacessíveis a Washington.

Produzido pelo Centro Nacional de Interpretação Fotográfica, o relatório com o título Alcance de Mísseis: Instalações Mísseis Estratégicos SSM (Míssil Terra-Terra) lista dez locais de interesse da espionagem americana. O primeiro a ser fotografado foi a Base Aérea de São José dos Campos.

Na mesma cidade, os satélites registraram o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e a fábrica da Avibrás, que participava dos projetos de foguetes militares. Na vizinha Santa Branca, outra área da Avibrás foi vigiada, assim como em Piquete, uma fábrica de explosivos – os americanos pensavam que ali seria feito o combustível sólido do foguete meteorológico Sonda IV e do VLS (Veículo Lançador de Satélites).

O relatório de novembro de 1982 usa fotos da Base Aérea de Natal e de sua área de lançamento de foguetes e, por fim, do campo de teste de arma do Cachimbo. Os americanos previam que, em 1988, o País teria condições de lançar o VLS – ele só seria lançado em 1997 e seria abandonado após explodir em 2003 na Base Aérea de Alcântara, no Maranhão, deixando 21 mortos.

Em 1.º de outubro de 1982, os americanos fotografaram um protótipo do Sonda IV. Ele podia atingir mil quilômetros de altitude e levar uma carga de 300 quilos. Pelas coordenadas geográficas da foto é possível saber que ela foi feita sobre São José dos Campos. Em 27 de março de 1984, novo documento informava que se detectara a construção da torre de lançamento do Sonda IV, em Natal. Para os americanos “o Sonda IV podia ser adaptado para o transporte de arma”, o que nunca aconteceu.

Engesa

Os satélites americanos também espionaram a Engesa, maior indústria de armamentos brasileira. Fabricante dos blindados Cascavel e Urutu, ela pretendia produzir o tanque pesado Osório. Em 25 de agosto de 1978, o satélite identificou pela primeira vez na fábrica em São José dos Campos oito Urutus e um Cascavel. O Brasil passou a vender esses blindados a países como Líbia, Iraque e Colômbia.

Em 1980 e em 1984 a CIA produziria relatórios sobre as vendas, acusando o País de não se importar com o destino final das armas. Segundo eles, blindados Cascavel foram repassados pela Líbia aos rebeldes da Frente Polisário, que lutavam pela independência do Saara Ocidental (território ocupado hoje pelo Marrocos), e a rebeldes do Chade.

No papel de 1984, os americanos analisavam as vulnerabilidades da indústria bélica brasileira. A principal delas, segundo a CIA, era depender de vendas externas. Qualquer corte de compras podia ser letal para ao setor.

O documento secreto via risco de vazamentos de tecnologia para países hostis do Terceiro Mundo e para Moscou. O Brasil já teria despertado a atenção dos russos, mas não estaria preparado para proteger seus segredos. Também informava que os governo brasileiro vetara a vendas para Cuba e Coreia do Norte.

As vendas da indústria bélica a países árabes eram apontadas pelos americanos como a causa de o Brasil votar contra os Estados Unidos e Israel nas Nações Unidas. Por fim, o documento revelava um segredo: o Brasil teria feito um acordo secreto em janeiro de 1984 de US$ 2 bilhões para desenvolver e produzir o tanque Osório para a Arábia Saudita.

Só três meses depois os dois governos tornariam público um protocolo de cooperação militar, assinado em Brasília pelo ministro da defesa saudita, o príncipe Sultan Ibn Abdulaziz. Em 1989, os governos anunciariam a produção do Al Fahad, a versão saudita do Osório, que acabou não se concretizando – os sauditas compraram o tanque americano Abrams. Os Estados Unidos estavam certos: a quebra do acordo com os árabes foi letal à Engesa, que faliu em 1993.

Brigadeiro

A rede de informantes americana atuou ainda na espionagem das atividades da empresa Órbita, uma parceira montada nos anos 1980 com a participação da Engesa e da Embraer. Além dos informantes, a CIA recebia informações da embaixada americana, que mantinha contatos com empresários brasileiros.

Vito Antonio de Grassi, então presidente da Órbita é apontado no relatório de 20 de maio de 1988 como a fonte da informação de que a empresa ia produzir mísseis terra-ar, ar-ar e antitanque para as Forças Armadas brasileiras. O vice-presidente da Órbita era o brigadeiro Hugo Piva, que depois chefiaria uma missão técnica brasileira que desenvolvia armas para Saddam Hussein.

O mesmo relatório informava que a Avibrás estaria desenvolvendo um míssil tático terra-terra. A embaixada dos Estados Unidos não quis se manifestar sobre o caso, assim como a Força Aérea Brasileira, a Embraer, a Avibrás e Vito Antonio de Grassi.

 

Documento da CIA é assunto para historiadores, diz ministro

Para general Joaquim Silva (Defesa), denúncias de execuções de opositores ao regime militar é tema que se esgota na Lei da Anistia

Renan Truffi Publicada Em 18/05-05h00

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, minimizou nesta quinta-feira, 17, a divulgação do conteúdo de memorando no qual o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos afirma que o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) deu endosso a uma política de “execução sumária” de opositores do regime militar no Brasil. Questionado sobre qual seria o procedimento do ministério após a divulgação do documento, Luna disse que este assunto se “esgotou” na Lei de Anistia e é apenas uma questão para “historiadores”.

“Para o Ministério da Defesa, esse tema se esgota na Lei da Anistia. A partir daí, é uma atividade para historiadores e, se tiver demanda, para a Justiça. Com a Lei da Anistia, do ponto de vista militar, este assunto está encerrado”, disse.

Nesta semana, em visita à China, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, confirmou ao Estado que vai requisitar os documentos “que ainda não foram publicados”. A medida atende a um pedido do presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog. Na sexta-feira, 11, ele solicitou ajuda do Itamaraty para obter do governo norte-americano “a liberação completa dos registros”.

A iniciativa do governo brasileiro se segue à revelação feita na semana passada pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor sobre um registro da CIA, de 1974. A informação estava em um documento desclassificado pelo Departamento de Estado dos EUA em 2015. Outro memorando, de 11 de fevereiro de 1971, escrito pelo assessor do Conselho de Segurança Nacional dos EUA Arnold Nachmanoff, e divulgado pelo Estado, mostra que o governo americano acreditava que o presidente brasileiro Emilio Garrastazu Médici “devia ter consciência da extensão da violência usada pelas forças de segurança brasileiras”. “E, talvez, dado consentimento tácito em vez de enfrentar os elementos da linha dura nas Forças Armadas.”

Reação. Após a divulgação dos documentos, o presidente Michel Temer questionou a veracidade das informações. “Nem tudo o que a CIA diz é necessariamente verdade, é uma verdade absoluta.” Temer disse ainda que, pela sua própria experiência, sabe que “presidentes não conseguem acompanhar tudo o que acontece lá embaixo, no governo”. E indagou: “Será mesmo que o general Geisel saberia disso, teria autorizado isso?” O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que o episódio não afeta o prestígio das Forças Armadas.

 

Cenário: Inteligência militar dos EUA espionou "hexágono brasileiro"

Agência americana produziu relatório sobre instituto secreto agregado ao Centro Tecnológico Aeroespacial, em São José dos Campos

Roberto Godoy Publicada Em 20/05-05h00

Nos anos 80, a espionagem dos Estados Unidos estava interessada mesmo era em saber o que se fazia no secreto Instituto de Estudos Avançados, o IEAv, agregado ao então Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. Uma análise da Agência de Inteligência da Defesa, uma espécie de CIA militar, vazada em 1983, trazia o título Frente ao Pentágono, um Hexágono e dizia que o plano brasileiro de construir armas nucleares passava pelas atividades desenvolvidas naquele prédio de seis faces.

O analista americano destacava a preocupação com a pesquisa para enriquecer urânio com o uso de lasers – um raro conhecimento, mais eficiente e rápido na tarefa de separar o U-235 adequado à produção do combustível dos reatores geradores de energia ou de bombas atômicas.

O documento destacava peculiaridades das instalações subterrâneas do IEAv e de um grande salão que abrigava o supercomputador Cray, único desse tipo na América Latina. Havia, sim, o plano secreto, com atribuições divididas entre os centros de investigação científica da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Era considerado paralelo ao programa nuclear oficial, de 1975, resultado de um acordo entre os governos do Brasil e da Alemanha.

Em 1988, com a extinção da estatal Nuclebrás, por determinação do ex-presidente José Sarney, a empreitada do sigilo foi regularizada. A meta da construção de artefatos explosivos acabou sendo cancelada no mesmo ano. Entretanto, a essa altura o País já dominava toda a tecnologia do ciclo do urânio. Mas não pela via do laser. O método adotado na época e ainda hoje, emprega máquinas de ultracentrifugação – que não foram citadas no documento.

A coleta de informações não era praticada apenas pela CIA, mas também por outras agências americanas e eventualmente pelos ingleses. A pauta dos curiosos envolvia as atividades de empresas como o grupo Engesa – Engenheiros Especializados S/A, por causa da sua grande desenvoltura nas ações comerciais junto a países-clientes tão diferentes quanto podiam ser naquele momento a Líbia, de Muamar Kadafi, o Iraque, de Saddam Hussein, ou o Chile, de Augusto Pinochet, além de uma constelação de forças da África e do Oriente Médio. O catálogo de produtos – blindados Cascavel, com canhão 90 mm, Urutu, e Jararaca, de reconhecimento armado; munições e propelentes – levava a definições do tipo, “tratam-se de bens militares baratos, confiáveis e de manutenção simples”.

 

JORNAL O GLOBO


Chefe do tráfico é morto em operação com Forças Armadas em favela no Rio

Sérgio Luiz da Silva, conhecido como Da Rússia, foi morto em confronto com a polícia

Publicado Em 19/05 - 15h49

O chefe do tráfico de drogas do morro da Barão, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, foi morto na manhã deste sábado (19) durante operação das polícias com apoio das Forças Armadas. ​A polícia confirmou que outras seis pessoas foram mortas na operação.

Os militares estão nas ruas do RJ desde setembro do ano passado. Já em fevereiro deste ano o presidente Michel Temer (MDB) decretou a intervenção federal no estado na área de segurança pública. Um general do Exército comanda desde então as policiais.

Foragido havia pelo menos dois anos, o traficante Sérgio Luiz da Silva, conhecido como Da Rússia, foi morto no Complexo do Lins, na zona norte, em desdobramento de ações que começaram na noite de sexta-feira (18).

Desde as 17h de sexta (18), 300 policiais militares e 280 policiais civis fazem uma operação na região da Praça Seca, zona oeste. A ação tem apoio de 2.800 militares das Forças Armadas. Homens fizeram incursões nas favelas Bateau Mouche, Caixa D’Água, Chacrinha, Mato Alto, Barão (José Operário), Covanca e Pendura-Saia.

Após o cerco policial na zona oeste, criminosos fugiram por uma área de mata para favelas do Lins de Vasconcelos e Méier, na zona norte. Policiais da UPP Camarista Meier surpreenderam os criminosos no meio da rota de fuga. Foi nesse momento que o traficante Da Rússia foi baleado e morto. Desde meados do ano passado que traficantes e grupos milicianos disputam territórios nas favelas da região da Praça Seca.

A morte do traficante Da Rússia foi confirmada pelo Gabinete de Intervenção Federal na manhã deste sábado. ​A polícia confirmou que outras seis pessoas foram mortas na operação.

Da Rússia é acusado de ter participado em maio de 2016 de um estupro coletivo de uma menor de idade no morro da Barão. Na ocasião, vazaram imagens nas redes sociais de homens comemorando o estupro da menor, que aparece desacordada no vídeo.

Os homens chegam a dizer que 30 pessoas teriam participado do estupro. O crime teve ampla repercussão e a vítima e sua mãe tiveram que deixar o Rio por meio do programa de proteção a testemunhas.

Ainda de acordo com o gabinete da intervenção, ao menos 26 pessoas foram presas na operação deste sábado. Cinco fuzis, 16 pistolas e cinco granadas foram apreendidas, bem como recuperados seis carros e drogas em quantidade ainda não contabilizada. Seis barricadas instaladas por criminosos foram retiradas.

Não há informações de feridos entre agentes das forças de segurança.

A dinâmica da operação seguiu o roteiro de outras com o apoio das Forças Armadas no Rio. As polícias promovem incursões nas favelas e fazem a linha de frente no confronto. Militares dão apoio logístico, além de fazerem um cerco, com revistas a pedestres e veículos, nos principais acessos à comunidade alvo.

 

Gabinete da intervenção planeja ações comunitárias após operações de segurança


Gustavo Goulart Publicada Em 19/05-13h:17

RIO - O coronel Carlos Cinelli, chefe do setor de comunicação social do Comando Militar do Leste (CML), disse que, depois das ações na Vila Kennedy, uma fase experimental das Forças Armadas na intervenção Federal, os moldes do patrulhamento realizado na operação em comunidades da Zona Oeste neste sábado são os mesmos.

É a segunda vez que militares das Forças Armadas entram em comunidades e fazem uma ocupação plena em vielas, becos e até na beira das matas. E a ideia é justamente fazermos esse trabalho em apoio à Polícia Militar. Para que ela possa ir recuperando a sua capacidade. No caso, o 18º Batalhão (Jacarepaguá) para que ele assuma isso. O impacto dessa operação ainda será analisado, mas já podemos afirmar que cerca de 150 mil pessoas foram beneficiadas - disse Cinelli.

O militar ressaltou que o resultado pontual dessa operação é importante mas destacou consequências futuras.

É importante caracterizar que o resultado em si, pontual é relevante, mas a projeção disso para o futuro é que está nos interessando. Tiramos de circulação um traficante importante, a quantidade de fuzis, de armamento. Estamos dando uma desmantelada nessa área em termos de tráfico de drogas - comentou.

Carlos cinelli também destacou que o gabinete da intervenção planeja ações comunitárias nas regiões para atender necessidades das populações.

- Estamos fazendo a estabilização do patrulhamento. Vamos passar para a fase de manutenção e poderão haver outras operações aqui nas comunidades. Estamos monitorando a mancha criminal, estudando o perfil sócio-econômico das comunidades para que possamos ajustar alguma ação comunitária que realmente seja parte da necessidade delas. São áreas diferentes com perfis diferentes e certamente vamos analisar caso a caso.

Moradores reclamam da quantidade de lixo nas ruas, acumulada desde ontem quando começou a operação, devido à suspensão do serviço de coleta da Comlurb.

O militar também falou sobre a reclamação de moradores de danos em carros e motocicletas causados por blindados no acesso a algumas comunidades como Bateau Mouche e São José Operário. Moradores como Jader Borges Souza que teve o seu Chevette 1998 placa LJN- 9473 atingido na lateral por um blindado na rua do campo de futebol na parte central do Bateau Mouche.

- Caso haja algum dano à propriedade particular de moradores, a denúncia deve ser dirigida ao gabinete de intervenção Federal. Temos lá uma ouvidoria que vai analisar vai verificar o que realmente aconteceu e como aconteceu. É importante caracterizar que realmente a arquitetura das Comunidades a distribuição espacial dificulta muito a projeção. Agora nós estamos tomando todo o cuidado eventualmente alguns danos podem acontecer mas isso deverá ser encaminhado ao gabinete de intervenção Federal quem necessitar deve entrar no Twitter do gabinete e onde localizará o telefone de contato.

 

 

Boeing e Embraer: mercado de US$ 6,1 trilhões é o maior incentivo a noivado das empresas

Acordo é o caminho mais curto para a Boeing garantir a manutenção da liderança global no setor de aviões

Glauce Cavalcanti E Roberta Scrivano Publicado Em 20/05 - 04h30

RIO e SÃO PAULO - Todas as atenções se voltaram neste fim de semana para o mais recente casamento da família real britânica, mas, no mundo corporativo, outro noivado tem alimentado expectativas nos últimos meses: a união entre a americana Boeing e a brasileira Embraer. A combinação de negócios — cujas tratativas já estão avançadas — é o caminho mais curto para a Boeing garantir a manutenção da liderança global no mercado de aviões diante das perspectivas de crescimento da demanda do setor nas próximas duas décadas.

Relatório da própria gigante americana sobre o potencial do mercado mundial aponta que as companhias aéreas vão precisar de mais de 41 mil novas aeronaves até 2036, o que representaria US$ 6,1 trilhões em negócios.

Num segmento altamente concentrado, a Boeing adotou a estratégia de fazer “aquisições precisas” — como define o diretor executivo, Dennis Muilenburg — para ampliar a capacidade de produção e o seu portfólio. E a união com a Embraer se encaixa perfeitamente nesse plano. Os executivos da Boeing têm sido econômicos ao falar na negociação, mas, em comunicado, a empresa explica por que quer tanto levar a brasileira ao altar:

Acreditamos que a combinação com a Embraer é uma situação de ganho mútuo que resultará em maior crescimento e oportunidade para ambas as empresas. Vemos forte valor estratégico e sinergia clara em diversas áreas”, diz um trecho da nota da Boeing, sempre destacando que a aquisição é estratégica, mas não “uma necessidade”.

Segundo uma fonte envolvida nas conversas, já se planeja uma mudança na forma como a negociação será apresentada ao mercado. O conselho da fabricante brasileira teria de anunciar sua posição primeiro, o que é esperado para os próximos dias. E só depois o governo daria seu aval à transação, diz a fonte.

MAIOR DEMANDA POR JATOS DE MÉDIO PORTE

A Embraer é a terceira maior fabricante de aviões do mundo, atrás de Boeing e da europeia Airbus, com 16 mil funcionários e receita próxima de US$ 6 bilhões em 2017. A centenária e gigante americana tem 140 mil colaboradores e sua receita bateu US$ 93,4 bilhões no ano passado. A diferença de porte entre as companhias não diminui o valor estratégico da Embraer para a Boeing no caminho para a americana assegurar uma fatia ainda maior da expansão do setor prevista até 2036. 

Mais da metade dos 41 mil novos aviões a serem construídos estará no segmento de single-aisle (corredor único), com 29.530 aeronaves, o suficiente para movimentar US$ 3,18 trilhões. É o segmento onde a concorrência entre os fabricantes é mais acirrada.

Casamento de gigantes

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Como Airbus e a canadense Bombardier — concorrente direta da Embraer — já selaram a sua união, o casamento entre a americana e a brasileira seria bom para as duas. O nicho de sucesso da Embraer é o de aviões com até 150 lugares, modelos que a Boeing não produz. A demanda estimada para jatos regionais é de mais 2.370 aviões até 2036.

— Essa complementariedade de portfólios é o principal atrativo da companhia brasileira aos olhos da Boeing — diz Adalberto Febeliano, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, acrescentando que não há sobreposição entre os modelos produzidos pelas duas empresas, que negociam formalmente desde dezembro a união dos negócios.

— Pelas nossas estimativas, são mercados (single-aisle e jatos regionais) na casa do milhar (em encomendas) pelos próximos 20 anos, o que é significativo. É um mercado onde há muita competição, onde olhamos para a Bombardier e a Embraer, e a Embraer é muito bem-sucedida. A Bombardier está tentando avançar na faixa do single-aisle com menos assentos, então existe uma dinâmica interessante aí — destacou Randy Tinseth, vice-presidente de Marketing da divisão de aviões comerciais da Boeing, em teleconferência do Bank of America Merrill Lynch, em março.

O interesse de entrar no mercado de aviões pequenos ganhou força após a Airbus ter estreado no segmento com a compra da participação majoritária do programa C-Series da canadense Bombardier. Outro fator que chama a atenção da Boeing para o negócio é o corpo de 5,5 mil engenheiros da brasileira.

— Essa equipe demonstrou, com o desenvolvimento eficiente e rápido da família de jatos E-2, capacidade de realização. Somado à importância comercial do segmento de jatos regionais, que cresceu após a aquisição da Airbus, o ativo humano torna-se um dos principais atrativos — avaliou Marcelo Vitali, diretor da consultoria internacional Orbiz, do setor aeroespacial.

O consultor americano Stephen Trimble, da consultoria FlightGlobal, lembra ainda que os engenheiros da Boeing estão mais velhos, e centenas deles devem se aposentar nos próximos anos. Para ele, acessar o amplo quadro de empregados já capacitados para tirar qualquer projeto da prancheta da Embraer seria solução fácil para o problema da americana.

Em 2017, a Boeing produziu uma média de 63 aviões por mês em suas três fábricas nos EUA. A carteira de encomendas atual soma 5.838 pedidos. A maior fatia está na família 737, com 4.673 encomendas.

— Para ilustrar o quanto a demanda está forte, se alguém quisesse comprar um Boeing 737 Max hoje, eu não teria como entregar o avião antes de 2023. E, mesmo com o aumento de produção, estamos com as vendas esgotadas para os próximos anos — disse Tinseth no evento do Bank of America.

PREOCUPAÇÃO COM EMPREGO

O acordo sobre a mesa prevê a criação de uma terceira empresa (uma joint-venture, parceria) entre as duas companhias cobrindo apenas a divisão de aviões comerciais da Embraer, com 80% do capital sob o comando da Boeing.

— A Embraer se apresenta como uma combinação estratégica muito boa com a Boeing. Estamos tendo ótimas discussões e avançando — disse Muilenburg, diretor executivo da Boeing, no Clube Econômico de Washington este mês.

Competitividade é crucial para avançar em meio a questões políticas. Com a decisão do presidente americanos, Donald Trump, de sair do acordo nuclear com o Irã, Boeing e Airbus deverão ter suas licenças para vender aviões para o país revogadas. Por usarem peças americanas nas aeronaves, dependem de autorização dos EUA. A Boeing perderá US$ 20 bilhões de uma encomenda de 80 aviões feita pela IranAir.

Para a brasileira, a venda de sua divisão de aviação comercial é a chance de manter sua evolução, com a possibilidade de usar a força de vendas da Boeing para seus atuais modelos (E-Jets) e de ser fornecedora de diversos itens à empresa, sobretudo partes eletrônicas, no que a Embraer tem domínio tecnológico e eficiência no desenvolvimento.

— Com a venda, a Embraer passa a ter a musculatura necessária para continuar no mercado, mantendo a boa condição que tem hoje. É um casamento natural. Todo mundo apostava nisso — diz Febeliano.

Os trabalhadores da Embraer não veem o casamento com a Boeing com o mesmo otimismo. Sindicatos de São José dos Campos, onde fica a sede da brasileira, temem que, com o negócio, os empregos não sejam preservados. No início deste mês, o Ministério Público do Trabalho notificou as duas companhias, recomendando que sejam incluídas “expressamente salvaguardas trabalhistas” no possível acordo.

 

PORTAL G1


Drone ajudou a localizar bandidos em fuga da Praça Seca para o Lins

Oito homens foram mortos, entre eles o chefe do tráfico em complexo de favelas da Zona Oeste

Diego Haidar Publicado Em 19/05 - 20h01

Um drone foi fundamental na operação das forças de segurança nos complexos de favelas da Praça Seca, na Zona Oeste, e do Lins, na Zona Norte. Pelas imagens aéreas os agentes puderam ver para onde os bandidos estavam indo. Oito homens foram mortos, e 22, presos.

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O cerco às comunidades São José Operário, Bateau Mouche, Caixa DÁgua, Chacrinha, Mato Alto, Covanca e Pendura-Saia começou na noite de sexta-feira (18); na manhã deste sábado, homens das unidades de Polícia Pacificadora do Lins interceptaram os suspeitos em fuga. Houve tiroteio.

Praça Seca e Lins estão separados por pelo menos seis quilômetros de trilhas em serra e mata fechada, mas o drone ajudou na estratégia. Imagens eram transmitidas para um caminhão de comando e controle estacionado na Rua Cândido Benício, que corta a Praça Seca.

Informações relevantes eram repassadas imediatamente por um rádio, e onde não havia sinal a operação instalou antenas. Os militares também conseguem monitorar a localização de cada um da equipe.

 

Com fronteira fechada, venezuelanos usam rotas clandestinas para comprar mantimentos no Brasil

Nicolás Maduro ordenou fechamento da fronteira na véspera da eleição presidencial que ocorre neste domingo (20).

Emily Costa Publicado Em 19/05 - 20h43

Com a fronteira fechada às vésperas da eleição para presidente, venezuelanos estão entrando e saindo do país por rotas clandestinas. Muitos fazem um percurso em meio à mata para comprar comida e remédios no Brasil.

De acordo com o Itamaraty, a fronteira da Venezuela com o Brasil foi bloqueada às 21h de sexta (18) e só será reaberta às 6h de segunda (21). O fechamento foi determinado pelo presidente Nicolás Maduro na véspera da eleição presidencial que ocorre neste domingo (20).

No início da manhã deste sábado (19), apenas o tráfego de veículos estava interrompido no lado venezuelano da BR-174, que liga os dois países. No entanto, às 10h (11h de Brasília), o fluxo de pessoas a pé entrando ou saindo da Venezuela também passou a ser vetado.

Com isso, as rotas clandestinas em meio aos 2 mil quilômetros de fronteira entre Roraima e a Venezuela viram alternativa para quem foge do desabastecimento de alimentos e remédios no país governado por Maduro.

O venezuelano Carlo Quintano, de 50 anos, foi a Pacaraima, município brasileiro ao Norte de Roraima, em busca de alimentos.

Na volta para casa, uma fazenda na região da fronteira, atravessou a pé para a Venezuela. Consigo levou pacotes de farinha de trigo, arroz, garrafas de óleo e potes de margarina.

"Precisamos de comida, e se não nos deixam passar pela fronteira, vamos por aqui. Temos que recorrer ao Brasil para não morrer de fome", disse Carlo Quintano.

Um venezuelano de 23 anos que mora em Pacaraima disse que as rotas clandestinas em meio à mata costumam ser usadas sempre que a fronteira é fechada. O percurso a pé leva em média 30 minutos, não tem postos de fiscalização e fica dentro do território venezuelano.

"A maioria das pessoas sempre vai pela rodovia, mas quando a fronteira fecha muito gente passa por aqui para entrar ou sair da Venezuela", explicou.

Em dezembro de 2016, última vez em que a fronteira tinha sido fechada por ordem de Maduro, muitos venezuelanos e até brasileiros fizeram o mesmo percurso.

"Eu moro em Boa Vista e em Santa Elena de Uairén, e quando soube que a fronteira tinha sido fechada vim por aqui e irei ficar no Brasil até segunda", disse um brasileiro de 60 anos que também o fez o percurso para deixar a Venezuela.

Segundo o cônsul-adjunto da Venezuela em Roraima, José Martí Uriana, a medida de fechar a fronteira é adotada sempre que ocorrem eleições no país como forma de segurança durante o pleito.

"A República Bolivariana da Venezuela, cada vez que tem um processo eleitoral, fecha a fronteira para resguardar a soberania territorial e também para que as Forças Armadas controlem todo território nacional, e isso inclui a fronteira", explicou.

Eleições na Venezuela

No domingo, os eleitores venezuelanos vão às urnas para eleger o presidente que vai governar o país nos próximos seis anos.

Candidato à reeleição, Maduro lidera as pesquisas de opinião em uma eleição na qual os principais opositores não podem concorrer. O país vive uma grave crise econômica e humanitária, o que fez aumentar os fluxos migratórios de venezuelanos para outros países, como o Brasil.

Como a maior parte da oposição boicotará a votação de domingo e dois de seus líderes mais populares estão proibidos de concorrer, o presidente de esquerda Nicolás Maduro deve se reeleger apesar da crise econômica que devasta o país.

Em Roraima, que recebe um crescente fluxo de venezuelanos que deixam o país natal, haverá apenas um posto de votação, que será no próprio consulado, no Centro de Boa Vista.

A expectativa é que pelo menos 50 venezuelanos que se inscreveram e têm residência fixa em Roraima – ou seja, que não são solicitantes de refúgio e nem de residência temporária – votem na capital. Estima-se que há 40 mil venezuelanos vivendo em Boa Vista em razão da crise no país natal.

 

PORTAL EXAME.COM


Operação das Forças Armadas no Rio não tem prazo final

São 2,8 mil militares das Forças Armadas, 300 policiais militares e 240 civis

Agência Brasil Publicado Em 19/05 - 15h32

A operação das forças de segurança iniciada na noite dessa sexta-feira (18) em comunidades da zona oeste do Rio de Janeiro continua na manhã hoje (19) e não tem prazo para terminar. A ação foi deflagrada pelo Comando Conjunto, em apoio à Secretaria de Estado de Segurança, e envolve as comunidades do Bateau Mouche, Caixa D’Água, Chacrinha, Mato Alto, Barão (José Operário), Covanca e Pendura-Saia, todas na região da Praça Seca, na zona oeste.

Participam da ação 2,8 mil militares das Forças Armadas, 300 policiais militares e 240 civis, com apoio de veículos blindados, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia. Algumas vias na região foram interditadas.

A operação, deflagrada no âmbito da intervenção federal na segurança pública do estado, envolve cerco a criminosos e remoção de barricadas. Revistas seletivas de pessoas e veículos também são realizadas, e a Polícia Militar bloqueia vias de acesso às comunidades Já a Polícia Civil faz a checagem de antecedentes criminais, além de cumprir mandados judiciais.

Ainda não foi divulgado um balanço da operação. Segundo informações iniciais, foram apreendidos no início da manhã de hoje fuzis abandonados na mata próxima à Favela do Bateau Mouche, provavelmente por traficantes em fuga. Houve ainda apreensão de granadas e derrubada de barricadas instaladas pelos traficantes para dificultar o acesso das forças de segurança às comunidades sob o domínio do tráfico.

Durante a madrugada e no início da manhã de hoje, a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá foi interditada em ambos os sentidos. A recomendação é que os motoristas optem pelo Alto da Boa Vista e pela Linha Amarela ao transitar entre as zonas norte e oeste da cidade.

A avaliação do Comando das Forças de Segurança é de que a ação beneficiará, direta e indiretamente, cerca de 150 mil moradores das áreas abrangidas pelas ações.

 

JORNAL O DIA


Diversão nas alturas no Museu Aeroespacial do Rio

Espaço vai oferecer, neste fim de semana, dezenas de atividades gratuitas, como show aéreo da Esquadrilha CEU e exposição de ultraleves

Publicado Em 19/05 - 03h00

ImagemRio - O final de semana será recheado de atrações no Museu Aeroespacial do Rio (Musal), no Campo dos Afonsos, na Zona Oeste. Exposição de carros antigos, acrobacias da Esquadrilha CEU e apresentação da Banda Sinfônica da Guarda Municipal estão entre os principais destaques da programação que comemora a Semana Nacional de Museus. A entrada é gratuita, mas a organização do evento pede a doação de 1 kg de alimento para o Instituto Casa Viva.

As atividades no Musal serão voltadas para o público de todas as idades. No domingo de manhã, por exemplo, as crianças poderão participar da corrida Federal Kids, promovida pela Polícia Federal, com o objetivo de estimular o combate à pedofilia. Enquanto isso, as bandas Kenzzy e Pique Novo fecharão a programação com apresentações no sábado e no domingo, respectivamente.

Segundo Ivan Soares, organizador do evento, o Museu Aeroespacial pretende apresentar mais quatro exposições especiais ainda esse ano. Para esse fim de semana, a expectativa é que pelo menos 30 mil pessoas aproveitem os dois dias de atrações.

"O Museu Aeroespacial tem uma história maravilhosa e, apesar de ser mantido pela Força Aérea, não traz apenas a história militar e sim um panorama completo da aviação brasileira. Tenho certeza que quem vier vai se surpreender", garantiu Ivan. "Trabalho aqui há 40 anos, e conheço oficiais que decidiram seguir carreira militar ao visitarem o museu quando crianças. As visitações ao nosso espaço são sempre gratuitas e temos uma área de mais de 16 mil m² com exposições permanentes", completou.

A Semana Nacional de Museus é organizada pelo Instituto Brasileiro de Museus sempre no mês de maio. Nesta edição, uma das novidades é que o público pode interagir com as instituições participantes do evento por meio da hashtag #semanamuseus2018 nas redes sociais. O museu fica na Avenida Marechal Fontenele 2.000. 

PROGRAMAÇÃO

HOJE

8h Exposição de aeromodelos e ultraleves

9h Show da Banda Militar

10h30 Show aéreo da Esquadrilha CEU

11h Apresentação de aeromodelos

11h30 Simulações de resgate

14h30 Show da banda Kenzzy

AMANHÃ

8h Exposição de carros antigos

10h Banda Sinfônica da Guarda Municipal

10h30 Show aéreo da Esquadrilha CEU

12hEquipe Falcão da FAB

14h30 Show do Grupo Pique Novo

 

OUTRAS MÍDIAS


NEXO-O que dizem os números sobre a intervenção no Rio

Dados revelam primeiros resultados da medida federal na segurança pública do estado

João Paulo Charleaux Publicada Em 20/05- 00:h30

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro publicou na quinta-feira (17) os dados referentes à violência no estado no mês de abril. São medidos ao todo 40 indicadores.

Com esses dados, é possível aferir numericamente alguns dos resultados produzidos pela primeira intervenção federal realizada num estado brasileiro desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.

A intervenção — coordenada, na prática, por generais do Exército — teve início com a publicação de um decreto presidencial do dia 16 de fevereiro de 2018. A experiência está, portanto, em seu terceiro mês de duração, e deve terminar no dia 31 de dezembro de 2018, embora o presidente Michel Temer e seu ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, divirjam publicamente a respeito desse prazo.

As duas ações militares em curso no Rio

Há neste momento duas ações diferentes e complementares envolvendo as Forças Armadas no Rio.

A primeira, que teve início em julho de 2017, é o emprego de tropas militares para exercer funções policiais no estado — chamada tecnicamente de operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

A segunda, que teve início em fevereiro de 2018, é a intervenção federal em si, que diz respeito ao controle de todas as ações de segurança pública no Rio.

Mesmo com a operação GLO e com a intervenção federal em curso, as forças policiais fluminenses continuam operando como de costume. A diferença é que o comando de todas as ações está nas mãos de um general do Exército, Walter Souza Braga Netto, que responde diretamente ao presidente Temer.

O envolvimento dos militares na segurança pública é uma prática crescente nos estados brasileiros, à medida que os governos locais passam por problemas financeiros. Os resultados do Rio mostram, entretanto, que as mudanças nos dados, para melhor e para pior, são, até aqui, sutis.

O Instituto de Segurança Pública compara dados de duas formas: de um mês a outro (março/abril), e entre os mesmos meses (abril/abril) de anos diferentes (2017/2018). Esse segundo recorte, anual, tem a intenção de driblar a influência de eventuais aspectos sazonais.

Oscilação dos ‘homicídios dolosos’

O gráfico abaixo mostra uma redução de 5,6% no número de “homicídios dolosos” registrados entre os meses de março e de abril de 2018. Em março foram 503 casos. Em abril, foram 475. Ou seja, houve 28 homicídios dolosos a menos no período de um mês. Nesses dois meses, março e abril de 2018, o estado estado estava sob intervenção.

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Porém, quando o número de homicídios dolosos de abril de 2018 é comparado com o mesmo mês de um ano atrás, 2017, há um crescimento de 8,9%. Em abril de 2017 houve 436 casos. Em abril de 2018 foram 475. Ou seja, houve 39 homicídios dolosos a mais na comparação entre os mesmos meses de anos diferentes (um ano sem intervenção, 2017, e outro com intervenção, 2018).

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Oscilação nos ‘roubos de rua’

O gráfico abaixo mostra uma redução de 1,6% no número de “roubos de rua” entre os meses de março e de abril de 2018. Em março de 2018 foram 11.232 casos. Em abril de 2018 foram 11.057. Ou seja, entre um mês e outro, houve 175 casos a menos.

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Na comparação dos roubos de rua entre os meses de abril de 2017 e abril de 2018, essa queda foi ainda maior: de 12,6%. Em abril de 2017 foram 12.654 casos. Em abril de 2018 foram 11.057. Ou seja, entre os mesmos meses de anos diferentes houve 1.597 casos a menos.

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Homicídio em ‘oposição à intervenção policial’

O gráfico abaixo mostra uma redução de oito casos de “homicídio decorrente de oposição à intervenção policial” — que é o nome dado às mortes decorrentes de confrontos que envolvem civis e policiais ou militares armados — entre os meses de março e abril de 2018. Em março de 2018 foram 109 casos. Em abril de 2018 foram 101. Ou seja, houve oito casos a menos de um mês para o outro.

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Porém, na comparação dos “homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial” entre os meses de abril de 2017 e abril de 2018, há um aumento de 26,3%. Em abril de 2017 foram 80 casos. Em abril de 2018 foram 101 casos. Ou seja, houve 21 casos a mais na comparação entre os mesmos meses de anos diferentes.

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Oscilação no número de armas apreendidas

O gráfico abaixo mostra um crescimento de 9,4% no número de armas apreendidas entre os meses de março e abril de 2018. Em março foram apreendidas 680 armas no estado do Rio de Janeiro. Em abril foram 744. Ou seja, 64 armas a mais no intervalo de um mês.

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A comparação entre o número de armas apreendidas em abril de 2017 e abril de 2018 quase não mostra oscilação. Em abril de 2017 foram apreendidas 745 armas. Em abril de 2018 foram 744. A diferença entre o mesmo mês de anos diferentes é de apenas uma arma a menos.

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Outras variações menores

Em março de 2018 morreram quatro policiais em serviço no estado do Rio de Janeiro. No mês seguinte, abril, morreu um policial em serviço. No mesmo mês de abril, do ano anterior (2017), houve sete policiais mortos.

Em relação aos latrocínios, que são assaltos seguidos de morte, também houve queda: foram 18 em março e 14 em abril de 2018. Em abril de 2017 foram 22.

Outro dado que apresentou melhora é o de roubo de carga: 917 em março e 892 em abril de 2018. Em abril de 2017 foram 1.032.

O que dizem as autoridades

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, usou a imagem do “copo meio cheio ou meio vazio” para se referir aos resultados da ação militar no Rio, ao participar do programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (14).

O porta-voz da intervenção, coronel Roberto Itamar, disse numa transmissão ao vivo pela internet, na sexta-feira (18), que mais resultados virão com o tempo.

Ele ressaltou a importância do pagamento do RAS (Regime Adicional de Serviço), que remunera policiais por horas extras no estado. De acordo com Itamar, isso aumentará o efetivo nas ruas, nos locais de maior incidência e nos horários de maior incidência de roubos, o que deve ter efeito positivo nos números.

Aumento de tiroteios. Execução sem culpados

Por outro lado, o Observatório da Intervenção, ligado ao Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes), chamou atenção para o fato de que os dados da segurança pública “continuam em níveis preocupantes”.

De acordo com o observatório, “alguns padrões históricos das políticas de segurança do Rio se agravaram, como a manutenção de operações policiais violentas, violações aos direitos de moradores de favelas, corrupção e mortes de policiais”.

O observatório lembrou que, de acordo com o Fogo Cruzado — uma plataforma digital colaborativa que registra incidência de troca de tiros na cidade —, houve 1.842 tiroteios nos três meses anteriores ao início da intervenção, contra 2.309 nos três meses de duração da intervenção (meados de fevereiro a meados de maio).

O Observatório denunciou ainda 28 episódios de bala perdida e 12 execuções, além de ter cobrado resultados para a apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, mortos a tiros no Rio no dia 14 de março de 2018.