NOTIMP - NOTICIÁRIO DA IMPRENSA

Capa Notimp Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil e até do mundo. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.


JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Rotina está de volta onde greve começou

Posto do Rodoanel Sul, em Embu das Artes, um dos símbolos da greve, retoma a normalidade.

Dougla Gavras | Publicada em 03/06

Um grupo de 20 militares observava o ir e vir de caminhões e carros na manhã da última sexta-feira. Outros agentes da Polícia do Exército ainda estavam espalhados em diferentes pontos da rodovia, mais à frente, para evitar novos protestos. Três dias antes, 300 soldados foram chamados para desmobilizar os 200 caminhoneiros que ficaram parados no posto Rodoanel Sul, por dez dias, contra o preço do diesel.

Aos poucos, a rotina começa a voltar ao posto que foi um dos símbolos da greve dos caminhoneiros, no km 280 da Rodovia Régis Bittencourt, no município de Embu das Artes (SP).

Do protesto, ficaram palavras de ordem pintadas em um viaduto próximo e no acostamento, como “todo poder ao povo” e “queremos nova Constituição”.

“A retirada foi bem tranquila”, conta o tenente-coronel José Paulo da Silva Neto, do 2.º Batalhão da Polícia do Exército. De vez em quando, um morador da região ainda vai até os soldados, pedir por uma intervenção militar. “Mas não há perspectiva de que isso vá acontecer. Tem muito boato por aí”, assegura o tenente-coronel.

Na quinta-feira, o combustível chegou, mas só a metade do que costuma vir, conta Leandro Duarte, de 46 anos, gerente do posto. “As distribuidoras estão fazendo racionamento, dividindo a quantidade que mandam para cada posto. A demanda triplicou, mas entregam menos.” A partir de amanhã, o desconto de R$ 0,46 no diesel, uma das promessas feitas aos caminhoneiros pelo governo Temer, já deve estar nas bombas, afirma.

Sinal vermelho

Há nove anos no estabelecimento, Duarte acordou preocupado quando soube que o movimento grevista havia se intensificado e estava concentrado no posto onde trabalha. “Foram dias muito emocionantes, tudo estava parado. Vim de moto e encontrei o pessoal aqui. Alguns dos manifestantes já eram nossos clientes, mas era um mar de gente desconhecida. Assustava.”

O lugar é estratégico: colado ao Rodoanel, o posto fica a poucas quadras do sindicato dos caminhoneiros – era lá que eles iam para tomar banho durante os dias de paralisação.

Gerente do restaurante ao lado do posto, Fernando Córdova, 28, diz que era no estabelecimento que eles viam televisão, para acompanhar a cobertura dos protestos. Com o passar dos dias, muitos ficaram sem ter como pagar o almoço e receberam doações. “Também contribuí”, diz Fernando.

O barbeiro Thiago Duarte, 20 anos, também ajudou. Ele cortou cabelo e fez a barba de graça de dezenas de manifestantes. “Ficamos amigos. E ainda deu para compensar os custos com os que podiam pagar. De um dia para o outro, o meu movimento dobrou.”

“Nunca vendemos tanto”, diz a atendente da loja de conveniência, Amanda Venute, de 21 anos. O faturamento subiu de R$ 600 por dia para R$ 4 mil com os novos vizinhos. De repente, eles montaram uma churrasqueira na frente da loja e trouxeram um violão.

O estoque de cerveja logo acabou e o chefe dela foi buscar mais, de moto. “Acho que jamais vou me esquecer desses últimos dias.

 

JORNAL O GLOBO


Causas e efeitos


Merval Pereira | Publicado em 03/06 - 06:30

A recente pesquisa do Datafolha que registrou um aparente desencontro entre expectativas e desejos da população em relação à greve dos caminhoneiros confirma uma velha tese do economista Luiz Guilherme Schymura do Ibre da Fundação Getúlio Vargas no Rio. Enquanto 87% dos pesquisados apoiaram a greve, outros 81% mostraram-se contrários a pagar os custos das reivindicações através de mais impostos.

Para Schymura, é a sociedade brasileira, através de seus representantes no Congresso, que escolheu esse modelo, que produz o aumento anual da dívida bruta do setor público e cria benesses e benefícios para grupos e segmentos sociais. A dívida do setor público consolidado, que inclui a União, os estados e os municípios, pode terminar o ano este ano de 2018 em 79,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativa do Banco Central.

A noção de causa e efeito parece estar ausente das manifestações da sociedade que, neste caso dos caminhoneiros, mesmo sendo prejudicada pelo desabastecimento e a falta de combustíveis nos postos, apoiou o movimento em grande escala, como mostrou pesquisa do Datafolha, ou dividiu-se, como mostra outra pesquisa do instituto Ideia Big Data, parece ser reflexo de um sentimento difuso de insatisfação da população com o governo Temer.

Segundo Luiz Guilherme Schymura, a partir de 2014 a trajetória da dívida cresceu de 53% para 73% do PIB em 2017, e os gastos da União crescem nos últimos 20 anos a uma média de 6% ao ano. Mesmo com o teto de gastos aprovado pelo governo, se não forem feitas as reformas estruturais necessárias, como a da Previdência, o gasto subirá 3,4% ao ano.

O economista da FGV-Rio considera que atribuir à Constituição cidadã de 1988 toda a culpa por essa situação é exagerado, embora ela tenha criado benesses e novos direitos, sem definir de onde elas sairiam. Ele cita algumas das decisões governamentais que foram além do que a Constituição mandava, como a valorização do salário mínimo acima da inflação, que gerou um crescimento de 2, 4 pontos percentuais do PIB nos gastos do governo entre 1988 e 2016.

Pressões políticas levaram também a reajustes dos benefícios previdenciários superiores ao salário mínimo. Outras medidas adotadas depois da Constituição de 1988 que elevaram os gastos públicos, entre tantas: Lei Kandir, Bolsa Escola/Bolsa Família, Fundeb, Minha Casa Minha Vida, Política de Aceleração do Crescimento (PAC), Fundo de financiamento estudantis (Fies).

Schymura cita uma pesquisa exaustiva feita com parlamentares que mostrou claramente que o aumento de gastos é a solução preferida pelos políticos para resolver os problemas, não havendo por parte deles, nem da sociedade como um todo, a ideia de abrir mão de direitos ou expectativas de direito para melhorar as contas públicas.

Lição da greve

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Brito é um otimista, mesmo nas situações mais delicadas. Ele acredita piamente que todas as soluções dos problemas brasileiros podem ser encontradas na Constituição em vigor.

Refletindo sobre as consequências da greve dos caminhoneiros, e os arroubos totalitários da minoria que pediu intervenção militar, Ayres Brito definiu assim a situação: “A lição que fica de todo esse imbróglio: a democracia é tão boa que não tem como bater em retirada por conta própria. Ela se proíbe qualquer alternativa de substituição. Sua autodoutrinação é a do “pegar ou pegar”, porque o contrário dela é a barbárie.

Logo, não tem como dispor sobre o seu próprio funeral. Não se permite jamais fazer testamento ou disposições de última vontade. Seus neurônios são absolutamente inaptos para a ideia, embrionária que seja, de cavar a própria sepultura. Façamo-nos dignos dela”.

 

JORNAL CORREIO BRAZILIENSE


Recado aos militares I


Leonardo Cavalcanti | Publicado em 01/06

Em mensagem distribuída aos militares, o ministro da Defesa, general Silva e Luna, disse que a crise "desencadeada pela interrupção do transporte rodoviário está sendo superada", depois de dias de apreensão e trabalho continuado. Na prática, o texto de seis parágrafos deixa claro que não é intenção dos militares prorrogarem a Garantia de Lei e da Ordem (GLO), decretada por Michel Temer no último dia 25, que vence amanhã.

Recado aos militares II

Na mensagem, Silva e Luna exaltou o trabalho da Marinha, do Exército e Aeronáutica e de 20 órgãos, incluindo polícias e agências reguladoras. Nenhum político foi citado nominalmente. "Mesmo quando o país pareceu caminhar rapidamente para um colapso, confiamos no planejamento para alcançar resultados sem confrontos e emprego da violência. O objetivo não era ganhar a guerra, era ganhar a paz." No trecho final, Silva e Luna afirma dirigir-se "aos marinheiros, soldados e aviadores - logísticos e combatentes - das nossas Forças Armadas: a missão está chegando ao final. Parabéns pelos êxitos alcançados até aqui! Continuaremos mobilizados."

 

JORNAL VALOR ECONÔMICO


Viasat avalia como frustrante decisão do STF relacionada com Telebras


Ivone Santana | 03/06 - 16h46

SÃO PAULO - A Viasat considerou “frustrante” não só para ela, mas também para a Telebras e a população brasileira a decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira, 1º de junho, que manteve a liminar que suspende o acordo para execução de serviços entre a empresa americana e a estatal Telebras.

A parceria entre as duas companhias foi firmada para implantar conexão de banda larga em todo o país para atender a programas do governo federal.

A companhia americana afirmou ao Valor, por nota, que “investiu anos de planejamento e milhões de dólares no país para ajudar a população em regiões afastadas — de famílias, estudantes, pacientes e médicos hospitalares a oficiais do governo”.

De acordo com a Viasat, “são essas as pessoas, vivendo em áreas desconectadas, que permanecem sem acesso à internet [...]”.

Ao negar à Telebras e à União a suspensão da liminar, a ministra e presidente do STF, Cármen Lúcia, recomendou que “os fundamentos e as consequências da decisão judicial da causa determinam preferência e prioridade da análise da causa pelo Juízo de origem, com a urgência possível”.

Ainda não há previsão de quando será julgado o mérito da questão.

A suspensão dos serviços por liminar foi concedida pela 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Amazonas, a pedido da Via Direta Telecomunicações por Satélite e Internet, de Manaus. Essa empresa reivindica a fatia de 15% da banda Ka do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC-1) para vender banda larga. Operadoras de satélite e de telecomunicações também entraram na Justiça contra o acordo entre a Telebras e a Viasat.

“Estamos otimistas com o dia em que os termos do nosso acordo com a Telebras serão compreendidos e julgados de acordo com os devidos méritos e fatos”, informou a Viasat.

 

PORTAL G1


Jovem é mordido por tubarão em praia no Grande Recife

Ocorrência foi registrada na tarde deste domingo (3), em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

Por G1 Pe | Publicado em 03/06 - 23h19

ImagemUm jovem de 18 anos foi mordido por um tubarão na tarde deste domingo (3), no mar da Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o ataque a José Ernestor Ferreira da Silva ocorreu às 16h36, na mesma localidade em que um homem de 34 anos foi atacado por um tubarão, em abril.

Por meio de vídeos enviados ao WhatsApp da TV Globo, é possível ver o momento em que o jovem é retirado da água e o tumulto entre os banhistas que estavam no local.

Ele teve o fêmur e parte do pênis amputados com a mordida, informou o médico Wagner Monteiro, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), responsável pelo atendimento da vítima.

O jovem também teve duas paradas cardíacas. Uma delas ocorreu no Hospital da Aeronáutica, também em Piedade, para onde foi levado a princípio. A outra foi registrada a caminho do Hospital da Restauração (HR), no Derby, na área central do Recife, onde ele está internado.

José Ernestor deu entrada no HR às 17h53 e seguiu diretamente para o bloco cirúrgico da unidade de saúde. Ele perdeu muito sangue e está em estado grave, declarou Monteiro, ao chegar ao hospital.

De acordo com a assessoria de comunicação do HR, o jovem passou por uma cirurgia na noite deste domingo (3). O procedimento foi feito por uma equipe composta por cirurgiões gerais, vasculares e ortopedistas.

A cirurgia durou pouco mais de três horas. Depois, a vítima seguiu para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por volta das 22h, o HR informou que o estado de saúde era muito grave, pois foi necessário amputar a perna para estancar o sangramento.

Um boletim sobre o estado de saúde do paciente deve ser divulgado no início da manhã da segunda (4).

Ele estava em uma área funda, diz bombeiro

Segundo os Bombeiros, o rapaz estava na água com alguns amigos quando um salva-vidas chamou sua atenção e pediu para que ele saísse do mar, mas ele foi mordido na perna esquerda.

"Ele estava em uma área funda, sinalizada por placas [de alerta para ataques de tubarão]. No exato momento em que os salva-vidas pediram para que ele se aproximasse da praia, ele foi mordido", contou o soldado Rodrigo Matias, da assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros.

Investigações

Após o incidente deste domingo (3), o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) iniciou as investigações para avaliar o caso.

"Temos equipes no Hospital da Restauração e na Praia de Piedade conversando com as pessoas que estavam presentes na hora em que o jovem foi mordido. A ideia é coletar o máximo possível de informações", afirma o coronel Leodilson Bastos, presidente do órgão.

Depois da apuração, o Cemit deve se reunir para avaliar se há dados suficientes para incluir esse caso nas estatísticas contabilizadas desde 1992. Desde abril, o órgão soma 64 incidentes com tubarão em Pernambuco. "Nessa reunião, há a proposta de gerar políticas públicas que possam mitigar incidentes com tubarão no futuro", diz Bastos.

Pais

O pai de José Ernestor disse que o jovem foi para a praia sem avisar aos familiares. José Ferreira da Silva esteve no HR para aguardar informações sobre a cirurgia, que começou assim que o rapaz deu entrada na unidade.

Ferreira contou que soube do ataque por meio de uma ligação telefônica da mãe de José Ernestor, de quem se separou. “Ele tinha mania de sair de casa sem avisar”, declarou.

Segundo o pai do jovem, a mãe da vítima recebeu uma ligação dos amigos que estavam na praia e telefonou para ele. No HR, o pai e a mãe do rapaz se encontraram e se abraçaram. Muito abalados, evitaram dar mais informações

Outro caso recente

No dia 15 de abril, um homem de 34 anos também foi mordido por um tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Depois de ser encaminhado a uma unidade de saúde, ele teve uma perna e uma mão amputadas.

Segundo o oficial de operações do Grupamento Marítimo (GBmar) que participou do atendimento, capitão Arthur Leone, o homem estava numa área sinalizada por placas, com água na altura da cintura, quando foi mordido. Após perícias, o Cemit confirmou que o homem foi mordido por um tubarão.

Os médicos chegaram a afrimar que o estado de Pablo era gravíssimo e que havia risco de morte. Após passar a respirar sem a ajuda de aparelhos, Pablo Diego conversou com a mãe no hospital. Ela disse que o filho contou que lutou com o tubarão ao ser atacado.

Este foi o 64º incidente com tubarão contabilizado pelo Cemit em Pernambuco desde 1992, quando essas ocorrências começaram a ser monitoradas. Em nota divulgada na época, o órgão apontou que o incidente foi "presumivelmente provocado por tubarão tigre".

Em entrevista à TV Globo, o potiguar Pablo Diego Inácio de Melo afirmou que havia tirado o domingo de folga e estava jogando futebol na praia com alguns amigos. Antes de ir para casa, eles foram mergulhar no mar para tirar a areia do corpo.

O banhista também afirmou que estava numa área rasa, com água na cintura, e achou que o tubarão era um amigo brincando com ele. Pablo Diego também relatou ter acordado no dia seguinte achando que o ocorrido tinha sido um pesadelo.

 

 

AGÊNCIA BRASIL


Uso das Forças Armadas nas estradas deve acabar nesta segunda, diz GSI


Mariana Tokarnia | Publicado em 03/06 - 13h48

Após duas reuniões curtas, de cerca de 40 minutos, sábado (2/6) e domingo (3/6), o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, Sérgio Etchegoyen, disse neste domingo que o governo não está desmobilizado e continua acompanhando a retomada do abastecimento do país após a paralisação dos caminhoneiros.

Segundo o ministro, o decreto que estabelece o emprego das Forças Armadas no contexto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), cujo prazo de vigência termina segunda (4/6), não deverá ser prorrogado.

"Neste momento, não há nenhum elemento que sugira a prorrogação da GLO. A decisão é encerrá-la amanhã", disse em entrevista à imprensa, no Palácio do Planalto. Para liberar as rodovias e reabastecer o país com os produtos retidos nas estradas durante a paralisação dos caminhoneiros, Temer autorizou o emprego das Forças Armadas. Segundo o ministro, a avaliação que se tem hoje é que o abastecimento no país está "completamente normalizado". "Nossa avaliação é que estamos em um quadro de normalidade e que não tende a ser modificado", afirmou.

Nova manifestação

Etchegoyen disse ainda que o governo acompanha notícias nas redes sociais de convocação de uma nova manifestação dos caminhoneiros para amanhã (4), mas que elas ainda não geram preocupações alarmantes. "Há movimento na mídia e há acompanhamento nosso. Não temos nenhuma indicação de que isso mude atitude do governo e a nossa preocupação".

O ministro disse ainda que as reuniões do Grupo de Acompanhamento de Normalização do Abastecimento, que reúne diversos ministros, entre outras autoridades, têm sido realizadas para acompanhar o andamento do acordo firmado com os caminhoneiros e o cumprimento de ambas as partes.

O acordo abrange medidas que incidem diretamente sobre o preço do diesel. Perguntado pela Agência Brasil se o governo estuda medidas para abranger também o preço da gasolina, Sérgio Etchegoyen disse que a discussão não ocorre no âmbito desse grupo e que não tem sido pauta nessas reuniões no Palácio do Planalto. Segundo ele, a questão deve estar sendo discutida em outras instâncias, como no Ministério de Minas e Energia. "Nós aqui estamos tratando do que passou. O que vem está sendo tratado pelo governo em outros fóruns", afirmou.

 

JORNAL O POVO (CE)


Brasil: "Intervenção só se for pelo voto" diz general

Greve de caminhoneiros trouxe pedidos de intervenção, anseio na contramão de uma Frente Militar que vai disputar eleição

Demitri Túlio | Publicado em 03/06 - 00h00

ImagemOs quase 40 generais da ativa no Exército e a maior parte dos coronéis da corporação não prospectam uma intervenção militar no Governo Federal como saída para o tempo de instabilidade que se aguçou no Brasil. A leitura é do general Manoel Theophilo Gaspar, 68, um dos idealizadores da Frente Militar, movimento nacional que vem selecionando, nos Estados, gente de caserna, da ativa ou da reserva, das três Forças Armadas, que tenha condição de ingressar “honestamente” na vida política pelas urnas. Na contramão deste pensamento, durante a recente greve dos caminhoneiros no País, faixas e algumas manifestações deram visibilidade ao anseio intervencionista. 

Até o último dia 31 de maio, estavam chanceladas pela Frente Militar candidaturas de 81 oficiais e praças do Exército, Marinha e Aeronáutica para concorreram às eleições deste ano. Doze se licenciaram da ativa para disputar o pleito que elegerá governadores, senadores, deputados federais, estaduais e o presidente da República.

O pensamento de Manoel Thephilo segue a mesma linha de generais como Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do governo de Michel Temer (PMDB). Durante uma coletiva em Brasília, na última semana, o gaúcho afirmou que intervenção militar era assunto do século passado e que não conhecia oficial das Forças Armadas que estaria pensando em golpe. Para o cearense Manoel Theophilo, militar ativo do Exército de 1969 a 2006, a “intervenção só poderá se dar pelo voto”. O oficial reforça que pregar o fechamento do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) ou de outra instituição é discurso datado e não interessa às Forças Armadas “voltar a dar uma de babá do povo brasileiro”.

Manoel Theophilo, que comandou a Artilharia Divisionária do Exército no Rio de Janeiro e chefiou o Estado Maior do Comando Militar do Nordeste, explica que o incômodo com atual situação política e econômica do País impulsionou militares da reserva e da ativa a se movimentarem para tentar ocupar os espaços de “políticos aproveitadores e corruptos”.

O movimento, de acordo com o general, nasceu de forma espontânea. Com o intuito de projetar “a destruição da lógica da corrupção” no Executivo e no Legislativo; de regatar valores cristãos na família e na sociedade e dar um basta à crise de autoridade. Ele afirma que só não entrará na disputa pelo voto porque a “saúde fragilizada” o impede de encarrar a “missão”.

O general revela que foi convidado para concorrer à sucessão de Camilo Santana (PT) no governo do Ceará, mas que não tinha condições físicas para aceitar. Em seu lugar, o também general Guilherme Cals Theophilo, 63, seu irmão, foi o escolhido pelo senador Tasso Jereissati (PSDB) para concorrer pelo partido tucano.

No Ceará, além de Guilherme Cals Theophilo, outro oficial do Exército disputará as eleições em outubro deste ano. É o coronel de infantaria Ricardo Bezerra, 54, que tentará uma vaga na Câmara Federal pelo Partido Social Liberal (PSL).

O militar da reserva acredita que a intervenção se dará com uma “assepsia nos três poderes da Nação. O Congresso Nacional não tem legitimidade pois foi eleito à base de corrupção”, sentencia ele, que também é articulador no Ceará da campanha do deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Para o coronel Bezerra, os “saudosistas de 1964” não compreendem a diferença da realidade daquele período e a atual conjuntura. “Não queremos militarizar a política, a vantagem é que os oficiais do Exército conhecem o Brasil. Não somos melhores, mas somos diferentes de quem se perpetua na corrupção”, diz.

A frente nacional de candidatos das Forças Armadas, garante o coronel Bezerra, teria surgido de inquietações no Ceará. Virou grupo de WhatsApp, desembarcou em Brasília e está se espalhando pelo Brasil.

 

JORNAL A CRÍTICA (MS)


Trabalho com a Constituição Brasileira debaixo do braço, diz chefe do CMA

General César Augusto Nardi de Souza afirma que, na Amazônia, aceitação do Exército é de 95% e fala de recentes missões assumidas na região

Antônio Ximenes | Publicado 03/06 - 15:18

ImagemCom pouco mais de dois meses à frente do Comando Militar da Amazônia (CMA), o general César Augusto Nardi de Souza, de 59 anos, teve que enfrentar recentemente uma prova de fogo: comandar as operações do Exército na Amazônia Ocidental durante a greve dos caminhoneiros que paralisou o País durante 11 dias. O general esteve à frente da estratégia de acompanhamento dos caminhoneiros na região, especialmente em Rondônia, onde houve bloqueios mais radicais.

Durante a crise dos transportes, grupos com orientação política de extrema direita aproveitaram o movimento para realizar manifestações favoráveis a uma intervenção militar no País. Nardi é taxativo quanto ao cumprimento da Constituição, ao afirmar que atua com a Carta Magna debaixo do braço, segue as ordens do comandante do Exército e mantém nas tropas o respeito à hierarquia.

Ele tem uma sólida formação, onde destacam-se suas experiências no comando das Forças Especiais, a condição de observador da ONU em conflitos de El Salvador, na América Central, a posição de adido militar na Embaixada do Brasil em Portugal, e outras no Exército.

Atento ao que acontece no Brasil e na Amazônia Ocidental, que está sob seu comando (Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre) ele tem várias missões na região, dentre elas combater as ações do narcotráfico, os crimes ambientais, o roubo das riquezas minerais e da biodiversidade. Sob suas ordens estão 20.800 militares, dos quais mais de 860 mulheres. Um dos principais desafios são as operações na tríplice fronteira Brasil, Peru e Colômbia, no Alto Solimões, e na Cabeça do Cachorro São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com Venezuela e Colômbia, onde operam os maiores cartéis de drogas do mundo.

Confira a entrevista.

Como o senhor conduz a tropa na Amazônia?

Trabalho em equipe e conectado com os oficiais generais das nossas quatro brigadas, localizadas em Tefé (16ª), São Gabriel da Cachoeira (2ª), Boa Vista (1ª) e Porto Velho (17ª). Nossas atividades são de combate a todos os tipos de crimes transnacionais como narcotráfico, contrabando de armas, de madeira, minerais e da nossa biodiversidade. Também trabalhamos pela manutenção da ordem e, principalmente, para proteger nossas fronteiras.

O Brasil vive momentos de inquietude política e onde ações como as dos caminhoneiros, que paralisaram o País por onze dias, desestabilizam o abastecimento da sociedade. O que o senhor pensa de tudo isso?

Eu trabalho com a Constituição debaixo do braço. Sigo as ordens do meu comandante do Exército e mantenho meus comandados com o princípio da hierarquia.

Mas recentemente, com a greve dos caminhoneiros, o Exército teve que atuar na escolta dos caminhões que queriam entregar as suas mercadorias?

Nós montamos toda uma estratégia de acompanhamento desses caminhoneiros, para evitar que eles sofressem algum tipo de ataque e também para manter o abastecimento à população. No Amazonas, praticamente não tivemos maiores problemas, o mesmo acontecendo em Roraima. Somente em Rondônia que tivemos mais trabalho, porque em Candeias do Jamari, nas proximidades de Porto Velho, havia bloqueios mais radicais; o mesmo acontecendo em Cacoal. Lamentavelmente, houve a morte de um caminhoneiro em Vilhena, Sul de Rondônia.

No Brasil, de quanto é a aceitação das Forças Armadas (Exército) pela população?

Hoje de 80%, mas na Amazônia muito mais, passa de 95%. Isso mostra que atuamos de maneira certa em nossas operações. Aqui na Amazônia fazemos parte do dia a dia da população. Isso é muito forte em Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira, áreas remotas em que nossas atividades no campo da saúde são intensas.

Como são essas ações na área de saúde em Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira?

Em 2017 fizemos 95 mil atendimentos médicos em São Gabriel da Cachoeira, sendo a maioria em indígenas, das várias etnias que vivem na região. E na Tríplice fronteira em Tabatinga, realizamos 111 mil atendimentos, no mesmo período. Este contato direto com as famílias nos aproxima da sociedade civil. Contamos, também, com o apoio financeiro do Estado do Amazonas que neste ano de 2018 nos repassou R$ 6 milhões, sendo R$ 3 milhões para cada hospital.

Além da área de saúde, o Exército participa de outras operações. Fale um pouco delas?

Nacionalmente, na intervenção Federal do Rio de Janeiro, estamos em todas as áreas da cidade com nossos efetivos garantindo a ordem. Na operação Pipa no Nordeste, onde há anos abastecemos a população com água potável, desenvolvemos um papel de vital importância. Nas operações de destruição de pistas e de equipamentos em garimpos ilegais em Roraima, nas terras dos índios Yanomami, mostramos nossa capacidade de agir em áreas isoladas para preservar nossas riquezas. E, nas muitas ações de combate ao narcotráfico nos rios da Amazônia, apreendendo drogas dos narcotraficantes e também entrando em combate com eles, através dos nossos pelotões de fronteiras, mostramos nossa força persuasiva. Tudo isso, nos aproxima da sociedade, por isso somos muito bem avaliados e recebidos na Amazônia.

Como estão sendo organizadas as operações pelo CMA no combate aos crimes transnacionais nas calhas dos rios?

Nós adotamos uma nova estratégia de atuar diretamente nas áreas com problemas. Nossas ações estão mais focadas e, trimestralmente, fazemos uma avaliação geral de tudo que ocorreu e está ocorrendo na região. Recentemente, atuamos em conjunto com a Marinha nos rios Japurá, Alto Solimões, Içá e Jutaí, no combate aos narcotraficantes e ao contrabando de madeira. Também realizamos operações na Ponta do Abunã que, liga Rondônia ao Acre, combatendo os crimes ambientais naquela região. Saímos das grandes operações para outras de menor porte, mas de grande eficiência pelo trabalho de inteligência.

Na Amazônia a logística é decisiva. Como o Exército está atuando no transporte de suas tropas?

Temos o apoio da Força Aérea Brasileira para nossos deslocamentos e do 4º Batalhão de Aviação do Exército, que está aqui em Manaus com 12 helicópteros. São essas aeronaves que nos levam para todas as áreas da Amazônia em ações de deslocamento de tropas.

O Exército brasileiro adquiriu seis aeronaves Sherpa das forças armadas dos Estados Unidos da América. Quando elas virão para a região?

Essas aeronaves, que estão sendo modernizadas, e com nossos pilotos sendo preparados para pilotá-las, vão ser transferidas para a Amazônia e ficarão sediadas em Manaus, a partir de 2021, mas pode ser que algumas delas cheguem antes na região. Com isso, teremos mais alternativas de logística e transporte de tropas.

De que maneira o Exército está trabalhando para atender e diminuir o impacto da imigração de venezuelanos para o Brasil, através de Roraima, com muitos deles vindo para Manaus?

Em Roraima temos nove abrigos e devemos terminar outros dois ainda em junho. Neles, temos 4.804 venezuelanos em condições dignas e sob nossa supervisão, juntamente com outras instituições federais e estaduais. A Operação Acolhida é complexa, mas está sendo bem conduzida. Nos próximos dias 5 e 6 estarei em Boa Vista e Pacaraima, em Roraima, acompanhando o que está sendo feito na área de imigração. Nossa preocupação é humanitária.

Mas tem havido muito contrabando de combustível da Venezuela para o Brasil e de alimentos do Brasil para a Venezuela. Como o Exército está agindo?

Nós temos agido no combate a esses tipos de contrabandos na fronteira com a Venezuela e com ações de inteligência e de monitoramento das áreas mais criticas e fazendo apreensões.

O Exército participa do Programa Amazônia Conectada lançando cabos fluviais com fibras ópticas para conectar os municípios do Amazonas. Como está este programa?

Nós estamos com cabos funcionando entre Manaus, Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. Tivemos problemas técnicos entre Coari e Tefé. Mas a governança do programa em Brasília está atenta a este importante programa.