DIA DA SAÚDE

No princípio, a luta pela vida

Conheça a história da pequena Julia e saiba como os profissionais de saúde da FAB se mobilizaram para salvar a vida da recém-nascida
Publicado: 26/11/2018 09:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Emília Maria
Edição: Agência Força Aérea - Revisão: Capitão Landenberger

Transporte da gestante foi realizado em UTI aéreaOs profissionais do Serviço de Saúde da Aeronáutica acompanham militares, servidores civis e dependentes da Força Aérea Brasileira (FAB) em todas as fases da vida. Por isso, em homenagem a esses profissionais de diversas especialidades, apresentamos uma série de reportagens que mostram esse acompanhamento em diferentes faixas etárias.

Na primeira reportagem, conheça a história da pequena Julia e de como os militares da Saúde se mobilizaram para garantir um tratamento adequado à recém-nascida.

Quando o Sargento Luiz Gustavo Aragão dos Santos e a esposa, Cássia, chegaram a Cuiabá (MT) com o filho de seis anos, Pedro, a maior preocupação da família era definir as questões relacionadas ao parto de Julia, que já estava perto de nascer. Para isso, procuraram o Tenente Germano Augusto Alves Pacheco, médico do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) da localidade para onde o sargento havia sido transferido.

O médico solicitou um exame de rotina e, já durante o procedimento, a notícia: a bebê tinha um tumor na região abdominal. “O exame foi repetido em dois dias e a lesão havia aumentado. Provavelmente, Julia precisaria de uma cirurgia imediatamente ao nascer”, explica o Tenente Pacheco. Ele orientou para que o parto ocorresse em um hospital da FAB, que teria mais recursos do que os credenciados em Cuiabá.

Parto de Julia foi realizado no HFAO Hospital Central da Aeronáutica (HCA), no Rio de Janeiro (RJ), que é referência em obstetrícia e assistência materno-infantil, disponibilizou a vaga. A partir disso, o Tenente Pacheco solicitou a Evacuação Aeromédica (EVAM). “O responsável pela UTI aérea nos atendeu de maneira muito rápida, assim como foi a disponibilização da aeronave”, ressalta o médico.

Aragão e Cássia precisaram encontrar forças rapidamente para lidar com a situação. “Em menos de 24 horas da decisão da transferência, já estávamos no HCA com diversos profissionais nos acompanhando”, conta o Sargento. O transporte foi feito em uma aeronave do Grupo de Transporte Especial (GTE), de Brasília (DF), que levou a bordo uma equipe formada por obstetra, pediatra e enfermeira para o apoio à gestante.

Uma semana após a internação, em 5 de abril de 2018, Julia nasceu e, duas horas depois, foi levada à UTI. “O tumor era muito grande e ‘roubava’ o fluxo sanguíneo, ocasionando dificuldade para respirar e insuficiência cardíaca”, relata a pediatra da UTI Neonatal, Tenente Angélica Mello. A médica conta que a equipe do HCA foi em busca de especialistas que tivessem experiência com casos como o de Julia, considerado muito raro.

Um dos médicos procurados avaliou que o caso seria inoperável pelo risco à vida da bebê. A proposta, então, foi realizar um tratamento clínico, que diminuiu a vascularização do tumor. “A resposta da Julia ao tratamento foi surpreendente. Ela ficou internada por quatro meses na UTI e a massa diminuiu muito”, completa a pediatra.

Pedro conhece a irmã ainda no hospitalA pequena continua recebendo o acompanhamento multidisciplinar – com nutricionista, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, além de pediatra – no Ambulatório de Atendimento ao Recém-Nascido de Alto Risco. “O acompanhamento é necessário porque esses bebês perdem os estímulos iniciais ao ficarem internados. Assim, precisamos verificar se o desenvolvimento está acontecendo da maneira correta para garantir que vai ser um adulto socialmente, emocionalmente e intelectualmente capacitado”, explica a Tenente Angélica.

Para o pai de Julia, o comprometimento dos profissionais de saúde merece destaque. “Foram todos de uma grande sensibilidade, entenderam nossas dificuldades e ajudaram como puderam, orientando e agilizando tudo que era necessário”, ressalta o Sargento.

Atendimento ao Recém-Nascido de Alto Risco - O bebê que sai da UTI Neonatal, independente da razão – tem alto risco para o desenvolvimento, por isso precisa de acompanhamento constante. Além disso, no HCA existe um Plano de Trabalho Anual de atenção integral à saúde do recém-nascido. Idealizado pela Tenente-Coronel Médica Andrea Regina Dias da Costa, o plano inclui ações para melhoria da assistência na UTI neonatal e no Ambulatório.

Família reunida após alta de Julia da UTIA Tenente Angélica fala sobre o trabalho na UTI Neonatal com carinho. “Ao mesmo tempo é desafiador e gratificante. O recém-nascido tem uma particularidade que é o envolvimento muito grande com a família, principalmente no HCA que, muitas vezes, recebe pacientes que são de locais distantes e os pais ficam hospedados no hospital”, relata.

“O momento do nascimento é sempre de muita alegria. E pra essas famílias, por esse bebê estar na UTI e muitas vezes correndo risco, acaba se tornando um momento angustiante e de dúvidas. Mas nossos bebês nos ensinam muito, lutam com muita garra pela vida. Por isso é desafiador, tecnicamente porque muitas vezes são doenças graves como no caso da Julia, e também emocionalmente por esse contato em um momento tão delicado. Mas é muito gratificante e na maioria dos casos temos desfechos positivos”, completa a médica.

Dia do Serviço de Saúde - Criado em 2 de dezembro de 1941, o Serviço de Saúde da Aeronáutica nasceu integrado por Oficiais Médicos oriundos da sociedade civil, da Marinha e do Exército brasileiros, tendo como primeiro Diretor de Saúde, e hoje patrono, o Brigadeiro Médico Ângelo Godinho dos Santos.

Concebido inicialmente para verificar as condições físicas e psíquicas dos aeronavegantes com vistas à atividade aérea, o Sistema de Saúde cresceu, aperfeiçoou-se e expandiu suas atividades para as áreas assistencial, preventiva, odontológica e farmacêutica, sem perder jamais o foco nas atividades de medicina aeroespacial e operacional.

Fotos: Arquivo Pessoal

Leia a segunda e a terceira reportagem da série.