DIA DA SAÚDE

A vida adulta exige acompanhamento de diversos profissionais

Na terceira reportagem da série, chegamos à idade adulta, quando muitos especialistas garantem o bem-estar dos usuários
Publicado: 28/11/2018 09:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Ten Emília Maria
Edição: Agência Força Aérea - Revisão: Major Alle

Realizar exames laboratoriais é uma das funções dos farmacêuticos Os profissionais do Serviço de Saúde da Aeronáutica acompanham militares, servidores civis e dependentes da Força Aérea Brasileira em todas as fases da vida. Em homenagem a esses profissionais de diversas especialidades, apresentamos uma série de reportagens que mostram esse acompanhamento em diferentes faixas etárias.

Na terceira reportagem da série, chegamos à idade adulta, quando muitos especialistas garantem o bem-estar dos usuários. Por isso, trazemos um pouco do trabalho de três profissionais: uma psicóloga, uma fonoaudióloga e uma farmacêutica.

O trabalho silencioso dos farmacêuticos

A rotina de um farmacêutico acontece, na maioria das vezes, sem contato direto com os pacientes. Mesmo assim, os exames laboratoriais são imprescindíveis para qualquer tratamento. Tenente Darliza é farmacêutica do HACO“Os exames laboratoriais são de grande importância para a maioria dos desfechos clínicos. Nós profissionais, farmacêuticos bioquímicos, somos responsáveis pelos laudos desses exames, seguindo à risca o código de ética profissional. Muitas vezes, não temos contato direto com o paciente e a nossa missão é transformar amostras de material biológico em resultados de exames laboratoriais fidedignos e confiáveis”, conta a Tenente Farmacêutica Darliza Sansone Calliari, do Hospital de Aeronáutica de Canoas (HACO).

Ela ressalta que os farmacêuticos atuam de maneira silenciosa, sem relação próxima com o paciente, mas tendo sempre em mente a responsabilidade de que um laboratório clínico é uma ferramenta importante no auxílio ao diagnóstico. “Vale dizer que 70% das decisões médicas são pautadas pelos laudos laboratoriais”, pontua.

Os testes de gravidez, por exemplo, são parte importante da vida adulta de muitas mulheres e a Tenente Darliza sabe disso. “Ao longo do meu tempo de profissão, realizei vários exames de gravidez. Algumas vezes conhecia as pacientes e outras não. Em muitos momentos, imaginava a reação da paciente ao ler o exame que eu havia liberado; talvez alegria, talvez surpresa”, conta.

Realizar exames laboratoriais é uma das funções dos farmacêuticosEla explica que o resultado do teste apresenta algumas variáveis, como o período em que foi realizado, além do método e do material biológico utilizado. Um resultado falso negativo, ou seja, um resultado negativo em uma mulher grávida é comum, principalmente se o teste for realizado muito cedo. Já o teste falso positivo, ou seja, positivo em uma mulher que não está grávida, é raro.

Mesmo sabendo de toda a teoria, a prática foi diferente quando a farmacêutica atuou como sua própria cliente no momento mais emocionante de sua vida. Ao desconfiar de uma possível gravidez, ela fez seu próprio exame muito precocemente, ciente da possibilidade de um resultado falso negativo. “A ansiedade era enorme e eu estava com muita expectativa, mas o resultado foi negativo. Repeti o exame, respeitando o tempo ideal para a realização do teste e, dessa vez, o resultado foi positivo. A sensação foi indescritível, de muita emoção. Hoje a Isabella tem um ano e é a alegria de nossas vidas”, finaliza ela.

Psicologia operacional e aviação

IPA realiza pesquisas sobre Gerenciamento de Recursos da TripulaçãoOs psicólogos da FAB atuam em diversas áreas, como seleção de candidatos e atendimentos clínico, preventivo ou operacional. Principal órgão da especialidade, o Instituto de Psicologia da Aeronáutica (IPA), sediado no Rio de Janeiro (RJ), é responsável pelo desenvolvimento e execução das atividades inerentes às áreas de Psicologia Organizacional e de Aviação, além de gerenciar, coordenar, supervisionar e realizar o controle técnico de todas as atividades da Psicologia no âmbito aeronáutico militar.

A seleção psicológica - denominada exame de aptidão psicológica -, pela qual passam os candidatos ao ingresso na Força, mantém-se como uma das mais importantes atividades atribuídas ao IPA. A psicologia operacional, entretanto, também tem grande relevância no contexto do Instituto, que realiza o Curso de Psicologia da Aviação (CPAV), por exemplo, com o objetivo de fortalecer a operacionalidade da FAB.

Tenente Rovella é psicóloga do IPA“Este curso tem como objetivo capacitar os psicólogos da Força Aérea para que estejam aptos a atuarem no contexto operacional. Entende-se que o Psicólogo da Aviação possa atuar no sentido de otimizar o desempenho das tripulações operacionais, bem como melhorar níveis de Segurança de Voo”, explica a Chefe da Divisão de Psicologia Operacional Aplicada do IPA, Tenente Psicóloga Bianca Silveira Rovella.

Como uma das possibilidades de atuação, a Tenente Rovella cita o Levantamento de Perfil Operacional (LPO) que o IPA realiza em Unidades Aéreas. Segundo ela, esse tipo de atividade tem por base os fundamentos teóricos da Psicologia da Aviação e objetiva adequar processos organizacionais.

“Durante o LPO, são analisados aspectos do cotidiano laboral relativos, por exemplo, à ergonomia cognitiva, carga mental e fatores estressores. Dessa forma, com base nos princípios de fatores humanos, busca-se a adequação desses aspectos operacionais, de modo que os esquadrões possam continuar realizando as operações aéreas com segurança e eficiência operacional”, detalha.

Psicologia da aviação é uma das áreas de atuação do IPA“Dessa maneira, ao fornecer aos comandantes dos esquadrões um sólido e contextualizado assessoramento, o IPA contribui efetivamente para melhorar a cultura e a segurança das Unidades Aéreas e fortalecer a operacionalidade da FAB”, conclui a psicóloga.

Além disso, os profissionais do IPA compõem as Comissões de Investigação de Acidentes Aeronáuticos e realizam outros trabalhos neste campo, como a implantação do CRM (CrewResources Management - Gerenciamento de Recursos da Tripulação); a realização e publicação de pesquisas inéditas no Brasil sobre a contribuição do aspecto psicológico na ocorrência de acidentes aéreos; a atuação na formação e atualização de psicólogos em Psicologia aplicada à Aviação e Segurança de Voo; e a realização de palestras sobre temas relevantes para a segurança.

Fonoaudiologia educativa e preventiva

Militares usam equipamentos para evitar danos à audiçãoNa Ala 4, em Santa Maria (RS), o trabalho da Tenente Fonoaudióloga Lisiane Martins da Silveira é intenso para conscientizar os militares da importância de cuidarem da saúde auditiva. Para cumprir o Programa de Conservação Auditiva (PCA) – ICA 160-7 – da Força Aérea Brasileira, em militares expostos ao ruído ocupacional, são realizadas avaliação auditiva anual nos setores expostos ao ruído; palestras preventivas setoriais; e participação anual na Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho.

Este ano, no entanto, a programação foi um pouco além: os militares da Ala produziram um vídeo reunindo diversos depoimentos do próprio efetivo, cada um contando sua convivência com o ruído e a compreensão da importância do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). “O vídeo ficou muito instrutivo e sensibilizou os militares para prevenção, pois escutaram os próprios colegas alertando”, conta a Tenente Lisiane.

Efetivo dos esquadrões é conscientizado da importância de usar EPIEntre os depoimentos, é possível observar o relato sobre a evolução do uso do EPI na vida militar, já que na década de 1980 – época citada por eles como início do uso regular – houve estranhamento em relação à necessidade. “Antigamente, não tínhamos essa doutrina do EPI no estande de tiro. A minha concentração tinha que aumentar para efetuar um disparo de melhor qualidade por causa do ruído. Hoje, com o uso do abafador e dos óculos, o índice de acertos é bem maior”, compara o Sargento Gladimir Marcelo Diefenbach Borges, que trabalha há 25 anos na Seção de Material Bélico.

Até o humor dos militares pode ser influenciado, conforme conta o Suboficial Tony Jean Costa Martins, do Esquadrão Pantera. “Eu trabalhava na manutenção dos helicópteros, com os aviões passando, decolando, taxiando e isso nos tornava um pouco irritadiços. Eu não sabia que isso estava relacionado ao ruído, mas era muito comum as pessoas estarem irritadas no final do dia”, diz.

Tenente Lisiane é fonoaudióloga da Ala 4 Segundo a Tenente Lisiane, o objetivo do PCA é promover a preservação da audição dos militares que trabalham ou transitam em áreas onde o nível de pressão sonora pode ser nocivo à saúde humana, além de causar perda auditiva progressiva. Para a realização do Programa, diz a fonoaudióloga, é necessária uma equipe multidisciplinar, com a participação de profissionais da área da saúde, da segurança de voo e da engenharia, além de militares e civis motivados com o tema.

“Atendo anualmente esses grupos expostos, em que estão incluídos aeronavegantes, músicos, bombeiros, instrutores de tiro e taifeiros, além de pessoas que trabalham em esquadrões ou em obras e serviços de jardinagem, de marcenaria, entre outros. Aprendo muito com os militares e vejo como a prevenção é necessária para manter a saúde física e mental do profissional”, ressalta a fonoaudióloga.

Militares recebem orientações para evitar danos à audição“Estamos conseguindo conscientizar os militares por meio de ações preventivas, como palestras e avaliações auditivas dos grupos de risco, para detecção precoce da perda auditiva, prevenção e acompanhamento médico do militar. Como resultado do PCA, observou-se que o uso do EPI tornou-se mais freqüente nos setores ruidosos e ocorreu uma diminuição significativa das queixas, como diminuição temporária da audição, dificuldade de compreender a fala, irritabilidade e zumbido”, explica.

Dia do Serviço de Saúde da Aeronáutica - Criado em 2 de dezembro de 1941, o Serviço de Saúde da Aeronáutica nasceu integrado por Oficiais Médicos oriundos da sociedade civil, da Marinha e do Exército brasileiros, tendo como primeiro Diretor de Saúde, e hoje patrono, o Brigadeiro Médico Ângelo Godinho dos Santos.

Concebido inicialmente para verificar as condições físicas e psíquicas dos aeronavegantes com vistas à atividade aérea, o Sistema de Saúde cresceu, aperfeiçoou-se e expandiu suas atividades para as áreas assistencial, preventiva, odontológica e farmacêutica, sem perder jamais o foco nas atividades de medicina aeroespacial e operacional.

Fotos: Sgt Johnson/CECOMSAER, HACO, IPA e Ala 4

Leia a primeira e a segunda reportagens. E acompanhe, amanhã (29/11), a última reportagem da série.