ORDEM DO DIA

Aviação de Busca e Salvamento

Leia a Ordem do Dia alusiva aos 51 anos da Aviação de Busca e Salvamento
Publicado: 26/06/2018 08:00
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Fonte: COMPREP
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias

“Achamos o 2068!”

Essa frase, proferida pelo Major Aviador Fávero, enquanto pilotava o FAB 6539 Albatroz, há exatos 51 anos, marcou indelevelmente a memorável operação de Busca e Salvamento que envolveu 35 aeronaves, consumiu mais de mil horas de voo e, finalmente, encontrou a aeronave C-47 2068, que havia caído nas proximidades da cidade de Tefé.

Apesar das imensas dificuldades para resistir aos ferimentos, à sede e à fome, por dez longos dias em meio à selva amazônica, os sobreviventes daquele fatídico acidente não perderam as esperanças, pois sabiam que existiam, na Força Aérea, militares abnegados que não descansariam até que cumprissem sua missão de salvar vidas: os homens SAR!

De fato, as ações de busca e salvamento tiveram início na Força Aérea logo após a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941. Contudo, naquela época, essas missões eram empreendidas por militares voluntários, que se dispunham a procurar e resgatar os tripulantes e passageiros das aeronaves eventualmente acidentadas.

Em dezembro de 1950, o então Ministro da Aeronáutica determinou a criação de um serviço regular de busca e salvamento em cada uma das Zonas Aéreas, com o objetivo de localizar aeronaves desaparecidas e socorrer passageiros e tripulantes, cumprindo, dessa forma, os acordos assumidos pelo Estado Brasileiro perante a Organização da Aviação Civil Internacional.

Hoje em dia, o moderno Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico brasileiro atua em uma área de 22 milhões de quilômetros quadrados, sendo estruturado em um centro nacional de controle de missão, que emprega a rede internacional de satélites SAR, e quatro centros regionais de coordenação de salvamento, além de unidades aéreas da FAB que executam diuturnamente as Ações de Busca e Salvamento. Tudo isso com a finalidade de garantir a segurança da navegação aérea e, quando necessário, localizar ocupantes de aeronaves ou embarcações em perigo e resgatar vítimas de acidentes aeronáuticos ou marítimos com segurança.

Ademais, considerando a necessidade de preparar a Força Aérea para os desafios do porvir, o Comando da Aeronáutica vem conduzindo uma das mais significativas mudanças estruturais de sua História. Essa Reestruturação está lastreada na “Concepção Estratégica Força Aérea 100”, cujos pilares são: a concentração das atividades afins, a redução dos níveis organizacionais e a diminuição do custeio das atividades-meio.

A partir dessa concepção e da criteriosa análise dos cenários vindouros, a FAB tem adquirido aeronaves e sistemas no estado da arte, especificamente destinados à Busca e Salvamento e à Busca e Salvamento em Combate, como o SC-105, o H-36 e o KC-390. Do mesmo modo, tem aperfeiçoado as técnicas, as táticas e os procedimentos de emprego do P-3, do P-95, do C-130 e do H-60 para atender, com eficiência, à área de responsabilidade SAR do País e aos Teatros de Operações vislumbrados pela Estratégia Militar de Defesa.

No entanto, o maior avanço nas atividades de Busca e Salvamento na FAB se dará a partir do aperfeiçoamento dos processos de formação e manutenção operacional dos recursos humanos que integram as equipes SAR, o que será alcançado por meio da criação de programas de educação continuada e do estabelecimento dos fluxos de carreira.

Tais investimentos visam a melhorar os processos operacionais e, consequentemente, aumentar a probabilidade de sobrevida daqueles que aguardam esperançosos para fazer ecoar novamente a célebre frase do Tenente Velly, um dos cinco sobreviventes do acidente com o C-47 2068: “Eu sabia que vocês viriam!”

Hoje, ao comemorarmos o Dia da Aviação de Busca e Salvamento, devemos exaltar o altruísmo e a coragem do Major Fávero, dos capitães Guaranys, Sérgio e Santos, e do Sargento Lins, alguns dos vários heróis que tomaram parte no resgate do FAB 2068, além da dedicação e do sacrifício de tantos outros homens e mulheres que integraram o Sistema SAR e, ao longo desses 51 anos de História, nunca mediram esforços em prol de vidas alheias.

É importante ressaltar que o sucesso de uma missão SAR só é possível devido ao comprometimento e ao intenso trabalho de equipe realizado por todos os envolvidos. Desde o cuidadoso planejamento da operação de busca até o último atendimento pré-hospitalar ao sobrevivente durante o voo, homens e mulheres do Comando de Preparo, do Comando de Operações Aeroespaciais e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo se unem em torno de um propósito comum - salvar vidas. Desse modo, conduzem o Serviço de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira a um patamar de excelência.

Senhoras e senhores, quando uma missão SAR for acionada, a qualquer hora do dia ou da noite, nos mais longínquos rincões do Brasil, na paz ou em situações de conflito, estejam certos que poderemos contar com a força, a rapidez e a precisão dos membros do Serviço de Busca e Salvamento, que certamente abdicarão de interesses pessoais e de bem-estar para honrar o ideal que move a Aviação de Busca e Salvamento: “PARA QUE OUTROS POSSAM VIVER!

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Egito do Amaral
Comandante de Preparo