ORDEM DO DIA

Aviação de Reconhecimento

Leia a Ordem do Dia alusiva ao Dia da Aviação de Reconhecimento
Publicado: 24/06/2018 08:00
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Fonte: COMPREP
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias

Em 24 de junho de 1867, durante a Guerra do Paraguai, sob comando de Duque de Caxias, as forças brasileiras aplicaram um conceito que, desde a antiguidade, sempre foi determinante para o sucesso de qualquer conflito bélico: o conhecimento sobre o inimigo. Com o auxílio de aeróstatos, as tropas brasileiras puderam obter informações acerca do exército oponente, de uma forma segura, rápida e eficaz. Naquele dia, começou a se formar no Brasil o que seria o embrião do Reconhecimento Aéreo e, porque não dizer, da Aviação de Reconhecimento.

De modo análogo, em 4 de janeiro de 1915, durante a Campanha do Contestado, o General Setembrino, pela primeira vez na História militar brasileira, empregou aviões militares para obter informações sobre as forças rebeldes escondidas na região de Porto União, entre os rios Iguaçu e Timbó.

O emprego de aeronaves com o objetivo de observar as posições e as manobras de forças hostis cresceu consideravelmente entre as duas Grandes Guerras Mundiais, mas, indubitavelmente, foi no período da Guerra Fria que essa atividade atingiu o seu ápice, o que resultou no desenvolvimento de equipamentos fotográficos de alta resolução e no estabelecimento de unidades aéreas especializadas em reconhecimento aéreo.

Na Força Aérea Brasileira, a Aviação de Reconhecimento surgiu em 1947, com a criação do 1º/10º Grupo de Aviação. No início dos anos 50, foi ativado o 6º Grupo de Aviação, e, finalmente em 2011, foi criado o 1º Esquadrão do 12º Grupo de Aviação.

No decorrer destes 71 anos de existência da Aviação de Reconhecimento na FAB, as aeronaves R-20, RB-25, A/B-26, B-17 e RC-130E deram lugar aos modernos RA-1, R-35, R-99, RQ-450 e RQ-900, os quais vêm cumprindo com excelência as missões que lhes são atribuídas. Ademais, a atividade de reconhecimento aéreo, que antes estava limitada à coleta de imagens fotográficas, expandiu-se para empregar sensores eletro-ópticos e infravermelhos, radares de abertura sintética, além de equipamentos capazes de captar uma ampla faixa de sinais do espectro eletromagnético.

Presentemente, a atuação dos Esquadrões de Reconhecimento Aéreo não se limita à produção de dados e conhecimentos para a Inteligência de Defesa. De fato, essas unidades aéreas são empregadas, rotineiramente, para fazer aerolevantamento de áreas de interesse do território nacional, na vigilância das fronteiras terrestres e das águas territoriais brasileiras, em operações de Garantia da Lei e da Ordem e em apoio às atividades de segurança pública em grandes eventos, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Em breve, a Força Aérea empregará satélites para controlar aeronaves remotamente e para monitorar alvos e áreas de interesse militar a milhares de quilômetros de distância. Além disso, serão incorporadas ao acervo da FAB as aeronaves multimissão KC-390, com capacidade potencial para prover fluxo quase instantâneo de informações entre as tropas dispersas no terreno e os diversos elos da cadeia de comando, aumentando a consciência situacional em uma operação militar conjunta.

Senhoras e senhores, a consecução da missão da Aeronáutica - “Manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional com vistas à defesa da Pátria” – está diretamente relacionada a nossa capacidade de garantir Superioridade de Informações nos ambientes aéreo, espacial e cibernético. Nesse sentido, é imperativo que a Força Aérea Brasileira desenvolva e implante um novo conceito operacional que integre as atividades de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, de modo a proporcionar conhecimentos oportunos e precisos para subsidiar as decisões dos comandantes militares e para apoiar as ações governamentais.

Não há dúvidas que os pilotos, os foto-intérpretes, os técnicos em informações de reconhecimento e os operadores de sistemas da Aviação de Reconhecimento são essenciais nesse processo de transformação doutrinária, por conta da disciplina, do comprometimento e do profissionalismo demonstrados ao longo dessas sete décadas de existência.

Homens e mulheres dos Esquadrões Poker, Carcará, Guardião e Hórus, parabéns pelo Dia da Aviação de Reconhecimento! Parabéns Força Aérea Brasileira!

Brasília, 24 de junho de 2018

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Egito do Amaral
Comandante de Preparo