ACIDENTES AÉREOS

Estágio discutiu, no sul do País, padronização da instrução aérea

Objetivo foi apresentar ferramentas e discutir boas práticas para segurança de voo
Publicado: 10/11/2015 11:00
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Fonte: SERIPA V

O Estágio de Padronização da Instrução Aérea (EPIA) ultrapassou as fronteiras da Região Sul e atraiu instrutores, pilotos, dirigentes, gestores de segurança dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e outros. O evento ocorreu nos dias 5 e 6 de novembro, na Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR), em Londrina (PR),  e foi promovido pelo Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V).

No encontro, o Brigadeiro do Ar Dilton Jose Schuk, Chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), ressaltou que a prevenção se faz pela educação e mobilização de todos, e destacou a instrução como fundamento básico para as futuras tripulações da aviação brasileira. 

“Esse evento é extremamente importante na elevação de uma cultura de Segurança de Voo e o objetivo principal é salvar a vida humana -- que é um valor inestimável para a sociedade - além da preservação de recursos materiais", afirmou o Brigadeiro.

O Chefe do SERIPA V, Tenente-Coronel Aviador Luís Renato Horta de Castro, considerou relevante a presença de entidades de diferentes estados brasileiros; a interação do Serviço Regional com o órgão nacional investigador e a provável projeção nacional do EPIA.“O EPIA está consolidado e parte para sua próxima edição em 2016, em Curitiba”, afirmou.

“Nossa intenção é despertar a comunidade de Aviação de Instrução pela Segurança de Voo, fomentando na raiz o trabalho de prevenção. Existem falhas no processo de instrução e para mudar isso promovemos atividades educativas", comentou o Tenente-Coronel Renato. Segundo ele, há grande rotatividade entre os profissionais das escolas de aviação, uma situação que precisa se adequar aos parâmetros de segurança operacional da aviação.

O EPIA já passou por Porto Alegre (RS) E Florianópolis (SC), e para o próximo ano prevê a realização de dois encontros em Curitiba e Carazinho (RS). A escolha de Londrina se deve à alta concentração da atividade de instrução e também por ser considerado um pólo de ciência aeronáutica.

Com o objetivo de apresentar ferramentas e discutir boas práticas na prevenção, investigadores do SERIPA V transmitiram informações e conhecimentos de Segurança de Voo. Desde o panorama da aviação de instrução no Brasil, passando por avaliação, checklist, preenchimento da ficha de voo, a melhor didática e a forma de comunicação entre instrutores e alunos, focando nos erros mais comuns cometidos na instrução.

Também foram discutidos assuntos técnicos como aerodinâmica e desempenho de aeronaves, brifim e debrifim, além de julgamento de pilotagem e processo decisório, o principal fator contribuinte dos acidentes na aviação de instrução. O tema legislação, sob o ponto de vista das violações, despertou vários questionamentos por parte dos participantes.

O coordenador do Curso de Ciências Aeronáuticas e da Especialização em Gestão Aeroportuária, professor Fernando Torquato Leite, destacou o alto nível dos palestrantes. Já o presidente do Aeroclube de Londrina, Jonas Liasch, enfatizou a importância da capacitação dos profissionais devido a margem de maior risco na instrução de alunos inexperientes.

Experiências compartilhadas

"Nunca participamos de nada igual. Esse evento já movimentou a Segurança de Voo em nosso aeroclube" disse Lucas Botelho, instrutor e vice-presidente do Aeroclube de Aquidauna (MS). O grupo descobriu o EPIA pela mídia social e buscou apoio na comunidade para custear as despesas da viagem, com chuvas e bloqueios de sete horas de estrada.

O assessor da Associação Brasileira de Ultraleves (ABUL), José Pereira Carneiro, Coronel (reformado) da Força Aérea Brasileira, lembrou que muitos acidentes ocorrem por indisciplina de voo, desconhecimento de normas e espírito aventureiro. "A experiência dos palestrantes com a investigação é muito importante. Eles sabem muito bem do que estão falando. Temos aqui um exemplo para os demais órgãos regionais desse país", afirmou.

O instrutor de voo Jose Guilherme de Almeida, da Escola de Aviação AMP, de Londrina, afirmou que o EPIA valoriza a seriedade com que todos devem encarar a missão de instruir e faz um alerta. "Aprimoramos nosso conhecimento e refletimos sobre a nossa responsabilidade quanto a padronização da instrução aérea. E aqueles que estão fazendo pouco caso da segurança, devem acordar logo".

Para o instrutor e diretor de instrução Carlos Fernandes, de Jundiaí-SP, com nove mil horas de voo, a instrução primária é a base do bom piloto, e cabe às instituições de ensino intensificar os treinamentos. "O EPIA deveria ser realizado em todas as regiões do Brasil pelas faculdades, escolas e aeroclubes", afirmou.

A diretora da Faculdade Anhanguera, de Campinas (SP), Miriane de Almeida Fernandes, pretende implantar o curso de Ciências Aeronáuticas na sua região, veio conhecer o Estágio para fazer uma proposta similar em Campinas. “Eu quis ver essa interação. E o que estou vendo aqui, é o aspecto humano da aviação que agregar ao conhecimento e à segurança operacional. O instrutor precisa de informação para saber o que fazer na hora certa", disse.

O Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéronáuticos (SERIPA V), idealizador do EPIA, é um órgão do Comando da Aeronáutica vinculado ao CENIPA. O encontro contou com a parceria da UNOPAR e Aeroclube de Londrina.