SEGURANÇA DE VOO

Militar da FAB fala sobre prevenção em seminário de segurança operacional

O evento promovido pela Infraero reuniu 115 profissionais da comunidade aeronáutica no RS
Publicado: 13/10/2015 10:53
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Fonte: SERIPA V

  O Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V) participou do Seminário de Segurança Operacional promovido pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), na terça-feira (06/10), no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (RS).

O evento contou com a participação de 115 profissionais da comunidade aeronáutica, representados por empresas aéreas, Brigada Militar, Exército, Aeroclubes, empresas de apoio à atividade aérea, Polícia Civil, Receita Federal e outras instituições.

No encontro, o representante do SERIPA V, Capitão Aviador Douglas André Kleveston Soliman, destacou dois temas: o primeiro sobre danos causados por objetos estranhos, conhecido pela sigla FOD (do inglês, Foreign Object Damage), e a ferramenta Relatório de Prevenção (RELPREV).

Em relação ao FOD, o palestrante explicou que se trata de um tipo de ocorrência que pode ser causada pelo erro humano, pela falta de cuidado ao deixar objetos em locais que possam ser ingeridos pelos motores das aeronaves. "É um problema que necessita do envolvimento de todos os profissionais que atuam na atividade aérea", declarou.

O dano por objetos estranhos pode atingir qualquer parte da aeronave, sendo mais comum o motor. Objetos perdidos ou levados pelo vento também podem ser encontrados nas pistas de pouso e decolagem, hangares, rampa, pátios e outros setores. A área de manutenção se constitui em potencial fonte de FOD.

Por suas características, as aeronaves a jato são mais suscetíveis ao FOD, e a consequência é apagamento de motor, vibração anormal ou perda de potência. Basta uma inspeção na turbina para identificar danos com entrada de ar no motor, ruído anormal no giro manual do compressor, bem como o superaquecimento da câmara de combustão, incluindo a presença de restos de pássaros ou pequenos animais, também classificados como FOD.


O palestrante recomendou ações para gerenciamento do risco, evidenciando a necessidade de uma disciplina constante, além da divulgação e da conscientização associada à motivação dos profissionais do meio aeronáutico. Destacou, ainda, ações específicas realizadas pelo recolhimento de objetos nos locais de contato com aeronaves.

 
RELPREV – O Capitão Soliman também falou sobre o Relatório de Prevenção, uma ferramenta criada para coletar informações essenciais à prevenção, gerenciada pelo profissional da Segurança de Voo da organização. Segundo o militar, o RELPREV é uma forma de reporte voluntário das condições de perigo observadas na atividade aérea.

“Com o passar do tempo, o nível de percepção do ser humano tende a diminuir, fazendo com que os perigos não sejam mais percebidos. O RELPREV busca elevar o nível de atenção dos profissionais”, esclareceu o capitão.

O RELPREV, previsto na Norma de Segurança do Comando da Aeronáutica (NSCA 3-3), pode ser preenchido por qualquer pessoa que identificar uma situação de risco ou que dela tiver conhecimento, encaminhando-o preferencialmente para o setor de Segurança de Voo da organização envolvida com a condição observada, ou nos locais reservados para essa finalidade.