SEMANA DA CAÇA

Do sonho à realidade

Conheça a trajetória de um piloto no ápice da carreira como piloto de caça
Publicado: 24/04/2015 12:30
Imprimir
Fonte: Agência Força Aérea

  Um panfleto entregue por um homem desconhecido na saída da escola foi determinante para a vida de Juarez Bessa Leal, quando tinha 16 anos. Morador da pequena cidade de Teófilo Otoni, a mais de 450 quilômetros de Belo Horizonte (MG), o jovem sonhava grande: ser um piloto da Força Aérea Brasileira (FAB). O incentivo, em forma de papel, reforçava o desejo de criança e começava a se concretizar com a entrada para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR). Quase 20 anos depois, o restante dessa trajetória é contada pelo Capitão Leal, piloto de caça, chefe da Seção de Operações do 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA).

“Nunca pensei que, com esse início, essa caminhada lá em Teófilo Otoni, eu teria essas oportunidades. É uma condição ímpar”, declara o Capitão Leal, ao referir-se a um grupo seleto de caçadores da Força Aérea do qual participa. Já voou dois aviões de primeira linha: Mirage 2000 e F-5. Aos 35 anos, o militar integra uma das equipes de Defesa e Segurança que se reveza em missões de alerta na Base Aérea de Anápolis (BAAN) até a chegada do novo supersônico Gripen NG.


O interesse pela aviação de caça foi, assim como o ínicio da carreira, inesperado.
Quem diria que um quadro estampado em uma das paredes da EPCAR chamaria a atenção do jovem a ponto de aguçar o desejo para a aviação de caça. Era nada mais do que a foto do histórico Mirage III, um dos famosos caças de interceptação fabricados na França e utilizados pelo Brasil. A frase escrita na moldura com os dizeres “Jaguar lança-se aos céus” ficou gravada na memória de quem não imaginava o que viria pela frente.

Com a c
onclusão dos quatro anos na Academia da Força Aérea (AFA), se aproximava a decisão mais esperada: o anúncio para qual aviação cada cadete seria designado. Como líder do corpo de cadetes do 4º ano, no final de 2002, o Cadete Leal foi o primeiro da turma a ser chamado pelo comandante do Esquadrão. “Meu nome foi o primeiro a ser lido. Ele disse: Cadete Leal – Aviação de Caça. Foi uma satisfação tremenda, uma alegria muito grande. Meu pai ficou com um orgulho muito grande”, relembra.

E, por falar em família, o Capitão Leal foi quase um pré-destinado à vida militar. Seu nome de batismo foi inspirado no General Juarez Távora, do Exército Brasileiro, ex-comandante da Escola Superior de Guerra (ESG). A escolha foi feita pelo pai, um amante da vida militar e, principalmente, da aviação.

O sonho herdado entre gerações fez com que o militar alcançasse o topo do céu. A bordo de um Mirage 2000, o piloto alcançou 15,2 mil metros de altitude, situação mínima de pressão atmosférica suportada por um ser humano sem a necessidade de roupas especiais. “Nessa altitude a gente já consegue ver uma tonalidade diferente no céu, a coloração fica mais escura e o horizonte fica mais curvado”, explica. Quando o assunto é velocidade, o aviador chegou a quase 2.000 km/h no supersônico. “Isso equivale uma vez e meia a velocidade do som”, acrescenta.

 
Ataque, reabastecimento em voo (REVO), interceptação de aeronaves clandestinas. São para essas missões que os pilotos de caça se preparam diariamente. Justamente essa falta de rotina e a solidão da nacele, como é chamada a cabine do caça, que ainda motiva a vida deste aviador. Capitão Leal é mais um dos milhares aficionados pela profissão de voar. “O piloto de caça é o comandante da aeronave, ele quem toma as decisões. Devemos estar sempre bem treinados, com a atenção bastante aguçada para que tudo seja feito conforme o planejado...”, explica.

Para aqueles que alimentam o mesmo sonho que o menino de Teófilo Otoni, o Capitão Leal deixa um recado. "Dediquem-se ao máximo para alcançá-lo. É bem verdade que o caminho não é fácil de ser trilhado. Mas uma coisa eu garanto, com toda certeza, vale a pena! A realização é indescritível... O piloto de caça não é melhor nem pior que os demais, apenas diferente!", diz.