Expansão do emprego operacional dessas aeronaves, incentivo à indústria brasileira e atuação do PITA-BA consolidam um ecossistema de inovação voltado à autonomia e à soberania tecnológica
A evolução dos drones tem transformado a forma como países planejam sua defesa, monitoram seus territórios e desenvolvem novas capacidades tecnológicas. No Brasil, esse avanço ganha um diferencial estratégico: a produção nacional dessas aeronaves não tripuladas, impulsionando a Base Industrial de Defesa, fortalecendo a soberania tecnológica e ampliando a autonomia do País em diversas áreas.
Na Força Aérea Brasileira (FAB), os estudos para expandir o emprego operacional dos drones já estão em estágio avançado.
“No caso do futuro estratégico, já temos estudos dentro do Comando da Aeronáutica visando à utilização dessas tecnologias de drones espalhadas por todo o país. Esses estudos estão aprofundados de maneira que nós, em breve, tenhamos uma capacidade instalada e distribuída por todo o território nacional, utilizando uma tecnologia moderna, de baixo custo e de eficiência reconhecida internacionalmente”, destacou o Chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica, Major-Brigadeiro do Ar Fábio Luís Morau.
Além de incorporar novas ferramentas, essa estratégia busca consolidar uma cadeia produtiva nacional capaz de desenvolver, fabricar e aperfeiçoar sistemas aéreos remotamente pilotados voltados às necessidades brasileiras. O objetivo é reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e estimular a inovação dentro do próprio País.
É nesse contexto que o Parque Industrial Tecnológico Aeroespacial da Bahia (PITA-BA) se consolida como um dos principais articuladores desse ecossistema de inovação. Fruto da parceria entre o Comando da Aeronáutica (COMAER) e o SENAI CIMATEC, o Parque reúne Governo, Forças Armadas, Academia e Indústria em um modelo de cooperação conhecido como Tríplice Hélice, voltado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas de interesse estratégico nacional.
Com sede na Base Aérea de Salvador (BASV), o PITA-BA tem como missão desenvolver sistemas aeroespaciais que garantam ao COMAER maior capacidade operacional com autonomia tecnológica, transformando o Nordeste em um polo estratégico de inovação para o setor aeroespacial.
Os resultados já começam a aparecer. Entre os projetos em andamento está o Centro de Competência em Aeronáutica e Drones, que avança para sua segunda fase. A iniciativa contempla o desenvolvimento de uma estação móvel para ensaios em voo, laboratório de laminação de materiais compósitos, eletrônica embarcada com suporte à Inteligência Artificial, simulação de gerenciamento de tráfego aéreo para drones (UTM), avaliação de combustíveis sustentáveis para aviação e construção de cenários operacionais voltados ao emprego dessas aeronaves.
O projeto reúne universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras, fortalecendo uma rede de inovação que estimula a geração de conhecimento, a formação de profissionais altamente qualificados e o desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado.
Além da pesquisa, o PITA-BA também investe na realização de encomendas tecnológicas voltadas ao desenvolvimento de equipamentos produzidos no Brasil. A iniciativa cria demanda para a Base Industrial de Defesa e incentiva empresas nacionais a desenvolverem soluções inovadoras que poderão atender não apenas às necessidades das Forças Armadas, mas também conquistar espaço no mercado internacional.
Os impactos ultrapassam o setor de defesa. O desenvolvimento nacional de drones movimenta a economia, gera empregos altamente qualificados, fortalece a indústria brasileira e amplia a capacidade do País de exportar tecnologia. Ao mesmo tempo, produz conhecimento científico e tecnológico que permanece no Brasil, criando um ciclo permanente de inovação.
Durante o 1º Encontro de Inovação Aeroespacial (INOVAERO), realizado, no dia 12/06, na BASV, foi reforçada a visão de que o futuro da defesa brasileira se contrói por meio da integração entre instituições públicas, centros de pesquisa e empresas. Como parte da programação, o INOVAERO realizou demonstrações em voo de sistemas aéreos não tripulados, destacando o potencial das tecnologias nacionais para aplicações nos setores de defesa, pesquisa e inovação.
“O drone que apresentamos no INOVAERO foi o DLV-2. Ele tem uma capacidade de carga de até 10kg e voa em torno de 75 km por hora. Pode ser utilizado para logística, como transportar equipamento médico, material biológico, equipamento de precisão, qualquer coisa que precise ir de A para B. Além disso, ele é um drone que tem capacidade de atuar em ambientes complexos também”, destacou o Diretor do Conselho e Presidente para as Américas da Empresa Speedbird Aero, André Stein.
Texto: Tenente Myrea Calazans / CECOMSAER
Fotos: Sargento Neris / CECOMSAER, Érico / MINISITÉRIO DA DEFESA e Arquivo






