Atuação


Profissionalismo é a palavra que resume a Infantaria da Aeronáutica diante de um momento ímpar de consolidação de novas doutrinas. Nesse contexto, a edição do “Conceito de Emprego” e da “Progressão Operacional” representa um importante marco, reforçado pela atualização das normas do Sistema de Segurança e Defesa (SISDE), ditando uma nova estrutura para as Unidades de Segurança e Defesa (USEGDEF) e definindo parâmetros para o balizamento do preparo da tropa, assim como para o controle do processo de preparo


Sobre o conceito de emprego, a Infantaria possui três áreas de atuação básicas: Segurança e Defesa (SEGDEF), Defesa Antiaérea (DAAE) e Operações Especiais (OpEsp). Cada uma delas agrupa um conjunto de Ações de Força Aérea específicas. A área de SEGDEF inclui Segurança das Instalações, Polícia da Aeronáutica e Autodefesa de Superfície. À DAAE corresponde a Ação de Defesa Antiaérea. As OpEsp abrangem as Ações Diretas, o Reconhecimento Especial, o Contraterrorismo e o Guiamento Aéreo Avançado.

A Infantaria atua, ainda, na área de Busca e Salvamento (SAR), integrando as Equipes de Resgate daquela Aviação, participando das Ações de Busca e Salvamento e de Busca e Salvamento em Combate.

A cada Ação, por sua vez, corresponde um ou mais conjuntos de Técnicas, Táticas e Procedimentos (TTP) específicos, que representam as Atividades Operacionais. A partir do mapeamento dessas atividades, foi possível identificar os conhecimentos, habilidades e atitudes associados ao exercício de cada uma delas, permitindo o estabelecimento do processo de preparo operacional da Tropa de Infantaria.

Dentro das particularidades de cada Unidade de Infantaria (UInf), respeitadas suas áreas de atuação e, mesmo dentro da SEGDEF, observadas as peculiaridades de cada USEGDEF, foi estabelecida uma trilha de capacitação específica, prevendo os cursos e estágios necessários ao cumprimento da missão atribuída.

Também, com foco na missão, foi estabelecida a estrutura de cada USEGDEF e suas capacidades operacionais.

O Comando de Preparo, por intermédio da Subchefia de Segurança e Defesa, vem desempenhando importante trabalho na edição de normas e publicações doutrinárias, que alcançam, não apenas as 33 UInf distribuídas pelo território nacional, mas, sim, todas as Organizações Militares do Comando da Aeronáutica, por intermédio do Sistema de Segurança e Defesa (SISDE).

A Infantaria chega, então, aos 78 anos de uma história que nasceu junto com o próprio Ministério da Aeronáutica, acumulando experiências que se refletem no seu amadurecimento profissional.


Operacionalidade

A Infantaria da Aeronáutica está presente em todas as regiões do território nacional. Ao todo, são 28 Unidades de Segurança e Defesa, sendo dez Grupos, treze Esquadrões, quatro Esquadrilhas e um Elemento de Segurança e Defesa. Somam-se a esses o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, Unidade de Operações Especiais (UOpEsp) do COMAER, e as Unidades de Defesa Antiaérea (UDAAe), abrangendo a Primeira Brigada de Defesa Antiaérea (1ª BDAAE) e seus três Grupos de Defesa Antiaérea (1º, 2º e 3º GDAAE).

As experiências colhidas nos últimos anos, fruto da participação nos Grandes Eventos, nos Exercícios Conjuntos do Ministério da Defesa, nas Operações de Garantia da Lei e da Ordem, nas Operações de Paz e nos próprios exercícios do COMPREP, proporcionaram um ganho operacional significativo, contribuindo para o aperfeiçoamento técnico da Tropa.

Cabe observar que a participação da Tropa nos Grandes Eventos abrangeu suas três vertentes (SEGDEF, DAAE e OpEsp) e o SAR, com destaque para o emprego da DAAE no cenário noturno durante os Jogos Olímpicos de 2016. Nos Exercícios Operacionais (EXOP) do COMPREP, além das TTP conduzidas por seguimentos específicos, designados para atuar no ambiente simulado de combate proposto, a segurança dos meios de Força Aérea alocados é conduzida num ambiente real que não permite falhas.

Nesse contexto, exercícios como o Tápio e Cruzex, em que as atividades de SEGDEF exigem grande esforço da Tropa, têm representado excelente oportunidade para a avaliação e o aperfeiçoamento da doutrina de SEGDEF.


Perspectivas

No âmbito do COMPREP, ganham força as discussões acerca da atuação da Tropa na Autodefesa de Superfície (ADS), Ação conduzida com o intuito de detectar, identificar e neutralizar ou impedir ataques realizados por forças inimigas contra meios e instalações de interesse da Força Aérea.

Nesse contexto, a definição da área de responsabilidade da Tropa se baseia no alcance do armamento utilizado pelo oponente, visando negar-lhe condições de infringir danos às operações aéreas. A atuação do inimigo pode se dar tanto por meio da aproximação e ataque direto de pequenas frações, como por meio do emprego de armamento stand-off, ou, ainda, pela combinação de ambas. O nível de ameaça representado pelos sistemas de armas do oponente definirá, então, a amplitude da área de responsabilidade da ADS, cabendo especial atenção às possibilidades dos manpads.

Para atuar nesse cenário, a Tropa demanda capacitação técnica específica, além de meios que lhe propiciem mobilidade e velocidade; poder de fogo, com capacidade, inclusive, de realizar fogos de contrabateria; proteção balística; efetivo comando e controle; detecção de intrusões; e consciência situacional continuamente atualizada.

Encontra-se em fase final a edição de publicação doutrinária sobre o tema e a estruturação do Curso de Autodefesa de Superfície, com previsão de implementação já no próximo ano, sob coordenação do Grupo de Instrução Tática Especializada (GITE), na Ala 10, localizada em Natal (RN).

A formação dos Oficiais e Especialistas


Ocurso de Infantaria na Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga (SP), dura quatro anos e é bem completo. As atividades específicas começam no segundo ano, quando começam as matérias técnico-especializadas que fazem parte de iniciação na área, entre elas, Táticas de Combate Terrestre, Navegação Terrestre e Equipamentos Bélicos.

É em Táticas de Combate Terrestre, por exemplo, que são ensinadas técnicas de combate individual e em grupo, empregadas pelo combatente no momento de um conflito armado. Na prática, os instrutores criam um ambiente de conflito simulado para que os alunos possam cumprir as missões que são determinadas.

Com os anos, a formação vai se aprofundando. No terceiro ano, os cadetes precisam passar por diversas disciplinas, como Estágio Básico de Combatente de Montanha, Operações Aeromóveis, Estágio de Polícia da Aeronáutica e Operações Aeroterrestres.

O Estágio de Montanha, geralmente, tem a duração de uma semana e, nesse período, eles são submetidos a instruções técnicas e práticas de nós e amarrações, além de escalada em diversas rotas da serra tanto à noite como durante o dia. E em Operações Aeromóveis, ocorrem as atividades realizadas com os helicópteros, como os vários métodos de infiltração e exfiltração como rapel, hellocast e o pouso de assalto.

No Estágio de Polícia da Aeronáutica são ensinadas as técnicas de controle de distúrbios e os efeitos dos armamentos de baixa letalidade, como gás de pimenta e o gás lacrimogêneo e em Operações Aeroterrestres os cadetes realizam saltos de emergência e equipados com armamentos.

Já o quarto ano do curso é marcado especialmente pela disciplina de Operações de Selva e o Estágio de Instrutor de Tiro. A disciplina é realizada na região amazônica onde eles conhecem as peculiaridades da região. E o estágio capacita a ministrar instruções de tiro com todos os armamentos da Força Aérea.

Ao final dos quatro anos, o cadete recebe o grau de Bacharel em Ciências Militares com Habilitação em Infantaria da Aeronáutica e Bacharel em Administração com ênfase em Administração Pública.

Mas não são somente os oficiais formados pela AFA que trabalham na área de Infantaria. Os Especialistas em Guarda e Segurança que passam dois anos em formação na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), localizada em Guaratinguetá (SP), também, exercem atividades na área.

Atividades


Os militares de Infantaria exercem diversos tipos de atividades, desde a Garantia da Lei e da Ordem até a Defesa Antiaérea. Confira abaixo algumas dessas ações:

- Garantia da Lei e da Ordem (GLO)


O objetivo é o planejamento (em nível tático), a coordenação e execução da Ação de Força Aérea de Política da Aeronáutica a fim de contribuir para a promoção de um ambiente pacífico e seguro, com base na missão constitucional de Defesa da Pátria. O Batalhão de Infantaria de Garantia da Lei e da Ordem foi criado pela FAB para atuar durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

- Missão de Paz


Militares de Infantaria da FAB atuam em missões de paz em todo o mundo, como na Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, na qual o Brasil teve posição de destaque ao longo dos 13 anos de atividades.

- Defesa Antiaérea


Existem três Grupos de Defesa Antiaérea da FAB. Eles são capacitados para impedir, do solo, possíveis ataques de aeronaves e engenhos aeroespaciais a pontos estratégicos do País. O treinamento consiste em um intenso programa de instruções, abrangendo a prática semanal em simuladores do míssil antiaéreo IGLA-S, o lançamento de munições inertes de treinamento e o reconhecimento visual das aeronaves civis e militares.

- Busca e Salvamento


Militares de Infantaria também integram o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), mais conhecido como PARA-SAR. A Unidade de elite atua em missões de Busca e Salvamento nos 22 milhões de quilômetros quadrados sob responsabilidade da FAB.

- Batedores


São uma equipe de motociclistas que realizam escolta de diversos tipos. Na FAB, geralmente, são utilizados 8 militares para compor o comboio - meio de transporte composto por diversos veículos ligados entre si. O Corpo de Batedores é composto por militares da Infantaria da Aeronáutica ou Guarda e Segurança, que possuem Habilitação categoria A e que não tenham sofrido qualquer penalidade por infração no trânsito.


- Medidas de Controle de Solo


Esse procedimento é realizado em solo quando uma aeronave é interceptada no ar. Os militares fazem a abordagem logo após o pouso obrigatório para averiguação de irregularidades.

Curiosidades


- Data comemorativa -



O dia 11 de dezembro relembra a ativação das primeiras Companhias de Infantaria do Ministério da Aeronáutica, destinadas principalmente à proteção e guarda das instalações militares da Força, realizada no ano de 1941.

- Patente -



A maior patente a que pode chegar o Oficial de Infantaria é a de Brigadeiro. O Posto foi incluído em 25 de novembro de 2007, tendo como pioneiro o Brigadeiro de Infantaria Agostinho Shibata.

Fotos


Exposição Dia da Infantaria da Aeronáutica 2019

Vídeo


Confira o videoclipe que homenageia os militares da Infantaria da Aeronáutica.


Canção da Infantaria da Aeronáutica


Letra e Música: Suboficial Sebastião Gonçalves Ribeiro



Hino


I
Infantaria, serás sempre altaneira!
Teus soldados, tu bem sabes escolher,
Com heroísmo, tu defendes a Bandeira,
Honrando a Pátria que herdaste ao nascer,

II
Olhar de frente o inimigo a derrotar,
Com vigor, repelir seu avançar.
Tu és da Força Aérea Brasileira o fuzil,
Vigilante, em defesa do Brasil.

ESTRIBILHO
Infantaria a zelar,
Na guerra ou na paz a lutar,
Salvaguarda da aviação
Infantaria sem temor,
Em busca da paz, com ardor,
É o Brasil o teu berço, o teu chão.

III
A decolagem e o pouso velarás.
Com Sucesso, os vetores vão voar.
Teu braço forte e peito erguido manterás,
A Deus orando para sempre te olhar,

IV
E no combate sempre pronta a engajar,
Muita garra e ímpeto sem par.
Tu és da Força Aérea Brasileira o fuzil,
Vigilante, em defesa do Brasil.

(Estribilho)