A França era fonte inspiradora para o mundo. Em nenhuma outra época fora tão brilhante e dera tantos gênios como nos últimos anos do século XIX. Florescia o talento e a inovação. Destacavam-se, entre muitas personalidades, Victor Hugo, Van Gogh, Pasteur. Paris dos bulevares, dos teatros de revista e dos cafés-concerto representava a capital da novidade, da ciência do saber e das artes.
Aos 18 anos, Santos-Dumont viajou com a família para essa Paris e ficou surpreso ao constatar que, nesse quadro de grande progresso, os balões eram apenas invólucros esféricos de tecido envernizado,cheios de
hidrogênio, sem leme e sem propulsão: faltava-lhes a dirigibilidade.
Em uma exposição de máquinas, Santos-Dumont viu um motor a explosão interna, movido a gasolina. Tratava-se de uma novidade, pois naquele final de século os veículos e as indústrias eram movidos por máquinas a vapor. Motores elétricos já existiam, mas eram rudimentares.
O contato com esse motor foi de fundamental importância para o desenvolvimento de suas futuras experiências com balões e aeroplanos, possibilitando tornar realidade suas fantasias. Nessa viagem, Santos-Dumont comprou o seu primeiro automóvel, um Peugeot, que trouxe consigo ao retornar ao Brasil. Esse automóvel, recebido com bastante alvoroço em Paris, provocou euforia ainda maior no Brasil, pois foi o primeiro a ser visto na América Latina.
A idéia de voltar à França para se dedicar aos estudos dos instrumentos de vôo fez com que Henrique Dumont o emancipasse, colocando à sua disposição parte de sua fortuna. Assim, seguiu rumo às suas conquistas.