No final de l907, Santos-Dumont cria o seu menor, mais versátil e prático aparelho aéreo, o "Demoiselle", construído em apenas 15 dias. Uma treliça de bambu com juntas metálicas constituía sua estrutura de 8 metros de comprimento. Contava com um motor de dois cilindros opostos, com potência de 35 HP.
O aparelho, veloz e seguro, voou com facilidade: trouxe ao aviador grande mobilidade para visitar amigos, participar
decompetições, pousar e decolar em pequenos campos. Em uma de suas demonstrações no Campo de Saint-Cyr, quando voava diante de grande número de espectadores, desapareceu repentinamente, criando suspense. O público ficou sem saber o que havia acontecido. Na verdade, Santos-Dumont acabou distanciando-se movido pelo desejo de ganhar velocidade, mas devido a uma pane no motor foi obrigado a pousar no gramado do Castelo de Wideville. Esse vôo foi considerado o primeiro reide da história da aviação ao sobrevoar 18 quilômetros.
Como ocorrera com todos os seus inventos, também não registrou a patente do monoplano, autorizando outros fabricantes a copiá-lo e lançar réplicas no mercado. Difundidos pelo mundo, muitos "Demoiselles" foram construídos e vários pilotos famosos da Primeira Guerra Mundial nele iniciaram seu aprendizado.
Depois desse nº 19, Santos-Dumont desenvolveu outros modelos semelhantes, sempre introduzindo aperfeiçoamentos que Ihe permitissem alcançar maior velocidade e estabilidade. Assim, construiu os "Demoiselles" nº 20, nº 21 e nº 22, alterando a estrutura das asas, da fuselagem e experimentando vários motores que Ihe dessem equilíbrio adequado. No fim de 1909, mais de 40 exemplares tinham sido vendidos a preço de um automóvel médio.