O Noticiário de Imprensa da Aeronáutica (NOTIMP) apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.
Fui fazer uma palestra no Exército e notei que ali a vida é diferente. O general Adhemar, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, reuniu representantes de todas as armas e membros de outros países encarregados da comunicação social. O assunto a ser tratado era a influência da opinião pública no emprego das Forças armadas. Foi fácil fazer palestra para um grupo interessado em conhecer a visão da sociedade sobre seu trabalho. Não havia tergiversação sobre o assunto.
Lembrei que o Brasil vive instantes de gravidade administrativa. É o comportamento dos políticos dizer o que não pensam, e pensar o que não podem dizer. Diante da realidade, a organização administrativa sofre as consequências. As pessoas responsáveis não assumem as responsabilidades sobre o que dizem ou fazem. O caminho é a Justiça. O trabalho fica interrompido, sofrendo a ausência da verdade. Há setores do Judiciário que não falam nem emitem posições. O resultado é que a vida do país se resume a engodos. Homens de porte patriótico nos comícios dos estados têm comportamento completamente diferente quando falam a seus pares. Falar para as Forças armadas organizadas e de pensamento uníssono é tarefa fácil. Difícil é ouvir ou falar com políticos ou dizer isso para plateia de patriotas.
Brasília-DF
Denise Rothenburg Com Guilherme Queiroz
PSB por Ciro
Acaba de sair do forno mais uma pesquisa eleitoral, desta vez, encomendada ao Ibope pelo presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. A consulta será usada para mostrar ao presidente Lula que, num cenário de José Serra ou Aécio Neves versus Dilma Rousseff, os votos do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) vão em sua maioria para o PSDB. Na pesquisa do Vox Populi encomendada pelo PT, essa transferência de Ciro para o PSDB ficou na faixa dos 7%. Na pesquisa do Ibope está na casa dos 9%.
Em tempo: a consulta mostra ainda que Lula é hoje quem tem a avaliação mais favorável entre instituições e pessoas, com 79%, acima das Forças armadas, que têm 75%. Em seguida vêm os sindicatos e o Ministério Público, com 74%. A Igreja Católica e a imprensa aparecem logo abaixo, com 71%.
Jogada presidencial
Na tentativa de amenizar tensão entre petistas e peemedebistas na CPI da Petrobras, Lula autoriza líderes governistas a abrir negociações para deixar PT de fora do comando da comissão parlamentar
Daniel Pereira e Ricardo Brito
Com a autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governistas do Senado discutem a possibilidade de deixar o PT de fora da relatoria e da presidência da CPI da Petrobras. A ideia foi colocada sobre a mesa de negociação como forma de ajudar nos esforços para “distensionar” a relação entre petistas e peemedebistas. Além disso, serviria para aumentar a responsabilidade de outras legendas aliadas nos esforços para impedir que a investigação parlamentar atinja o Palácio do Planalto. A proposta prevê que o relator da comissão seja o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), considerado um dos quadros mais talhados na arte de desatar nós, sejam relacionados à tramitação de matérias, sejam a denúncias, contra o governo ou contra ele mesmo.
Já o presidente da CPI da Petrobras seria o senador Inácio Arruda (CE). Tendo como cabo eleitoral, entre outros, o deputado cassado e ex-ministro José Dirceu (PT), Arruda é do PCdoB, sigla que controla a Agência Nacional do Petróleo (ANP), um dos alvos da apuração. Além dessa credencial, tem como trunfo o fato de ser um parlamentar combativo e fiel a Lula, capaz de “matar no peito” determinados desgastes a fim de livrar o governo de tal ônus. “Ele também tem mais seis anos de mandato”, disse outro cacique petista defensor de Arruda, a fim de mostrar que o colega terá tempo de sobra para reverter eventuais desgastes de imagem durante a comissão.
Discutida ontem em conversas reservadas, a dobradinha Arruda-Jucá é uma alternativa ao plano alardeado em público. No caso, o senador João Pedro (PT-AM) na presidência e Jucá na relatoria. Pedro não chegou por meio de voto à Casa. Assumiu uma cadeira depois de Alfredo Nascimento (PR-AM) se licenciar do mandato para comandar o Ministério dos Transportes. “Acho que temos de ir no passado. Eu defendo isso”, afirmou o petista. “Temos que investigar os gestores do governo Fernando Henrique, o acidente da Plataforma P-36 e outros acidentes gravíssimos que aconteceram no governo anterior.”
Pacificação
Ontem, Lula recebeu, no Centro Cultural Banco do Brasil, o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP). Discutiram estratégias de atuação na CPI e em votações no plenário. A conversa foi uma espécie de afago ao petista, já que, no dia anterior, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), convencera Lula a deixar Mercadante de fora da comissão. Os dois senadores têm diferenças pessoais irreconciliáveis. A ambos, o presidente pediu que não deixem a rivalidade pessoal prejudicar a base aliada. A Petrobras já encaminhou um documento a parlamentares governistas com respostas contra as denúncias que recaem sobre a empresa.
O texto rebate a acusação de manobra contábil da Petrobras destinada a evitar o pagamento de R$ 4,3 bilhões em tributos no ano passado. Rechaça a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou indícios de superfaturamento na obra da Refinaria Abreu e Lima. E apresenta defesa no caso da Operação Águas Profundas, da Polícia Federal, que investigou contratos de reformas de plataformas da estatal em 2007.
Terceiro mandato com a ajuda da oposição
ELEIÇÕES 2010 - Até parlamentares do DEM assinaram proposta do peemedebista Jackson Barreto que permite nova reeleição. Projeto deve ser apresentado hoje
Izabelle Torres
A proposta que permite um terceiro mandato para o presidente Lula pode ganhar forma hoje, quando o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) promete apresentar uma proposta de emenda constitucional que, segundo ele, conta com o apoio de 180 parlamentares, inclusive integrantes da oposição. “Já tenho as assinaturas e agora é só protocolar. É um gesto de reconhecimento ao trabalho do atual governo. Consegui o apoio de integrantes de todas as legendas. Faltará somente um acordo para fazer a matéria caminhar”, disse ontem o parlamentar.
Na lista de assinaturas de apoiadores da proposta constam pelo menos oito integrantes do DEM. Alguns deles admitiram o apoio ao projeto, mas dizem que o mérito ainda precisa ser amplamente discutido. “Devo ter assinado sim. Não vejo qualquer problema em discutir esse assunto. Até porque isso valerá para prefeitos e governadores também. Acho que o Parlamento é um lugar de debates”, comenta Fernando de Fabinho (DEM-BA). “A gente assina para que a matéria consiga tramitar. É um gesto de coleguismo. Mas na hora de votar o mérito, a tendência é votar com o partido”, analisa Betinho Rosado (DEM-RN). “Não há nada demais ajudar um colega a colocar seu projeto em discussão”, completa Jerônimo Reis (DEM-SE).
A boa vontade de integrantes do Democratas tem preocupado a liderança do partido. Por conta disso, deputados com posição mais radical contra o governo já articulam uma ofensiva para convencer os colegas oposicionistas a retirarem as assinaturas de apoio ao projeto de Barreto. “Não podemos nem começar essa discussão. Faremos um verdadeiro corpo a corpo para convencer os colegas a retirarem as assinaturas. O DEM não pode sequer cogitar isso”, conta o deputado André de Paula (PE).
O líder da legenda vai além. Ronaldo Caiado (GO), disse que quem defender a tese poderá sofrer sanções da executiva do partido. “Se a assinatura foi um ato de coleguismo não é tão grave. Até porque duvido que isso chegue a tramitar. Mas se a pessoa realmente defender a ideia, o problema será levado à direção partidária”. Na semana passada, o mineiro Vitor Penido disse que apoiar uma proposta permitindo um terceiro mandato seria um ato aplaudido pela população, visto que Lula tem popularidade e não tem feito “um governo ruim”.
A proposta entretanto, tem preocupado alguns governistas. Eles alegam que a insistência na ideia e a colocação do nome de Lula como possível candidato pode enfraquecer o nome da ministra Dilma Rousseff. “O próprio presidente mandou a gente desistir disso para não dificultar o nome do PT. Por isso nem assinei o apoio ao projeto do Jackson Barreto”, disse Devanir Ribeiro (PT-SP), que por dois anos foi um defensor declarado da tese do terceiro mandato.
De acordo com a proposta do deputado Barreto, presidente da República, governadores e prefeitos poderão ser eleitos para até dois períodos imediatamente subsequentes. A emenda, entretanto, só passa a vigorar se for aprovada em um referendo popular, que deve ser realizado no segundo domingo de setembro deste ano.
Diretor discorda de Jobim e sai
INFRAERO
Leonel Rocha
A determinação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que a Infraero realizasse nova licitação e contratasse novas empreiteiras para concluir as obras de ampliação do Aeroporto de Vitória levou o diretor de Operações e Meio Ambiente da estatal, Paulo Sérgio Ramos Pinto, a pedir demissão. Em carta enviada anteontem ao presidente da empresa, brigadeiro Cleonilson Nicácio da Silva, o diretor demissionário citou a sua discordância da determinação do ministro. “Os mais recentes acontecimentos acerca da assinatura do Termo de Rescisão do TC 067-EG/2004/0023, relativo às obras de ampliação do Aeroporto de Vitória, frustraram as expectativas do sr. ministro da Defesa em relação a mim, razão pela qual não tenho condições de permanecer à frente da diretoria”, justificou Ramos Pinto.
Funcionário de carreira, o ex-diretor continuará como assessor da presidência da estatal responsável pela administração de 67 aeroportos federais. A Infraero negou que o pedido de demissão de Ramos Pinto tenha sido por discordância em relação às exigências do ministro Jobim ou porque a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) tenha detectado sobrepreço de 20% no valor da obra. A decisão do tribunal levou o governo a suspender, na mesma proporção, o repasse de pagamentos ao consórcio responsável pela obra. A ampliação do terminal de passageiros e a construção de uma nova pista foram suspensas em julho do ano passado e o contrato rescindido na segunda-feira.
Fontes da Infraero informam que o pedido de demissão do diretor deveu-se ao receio dele de assinar a rescisão contratual e depois ser cobrado judicialmente pelo consórcio ou pelo Ministério Público Federal. O clima entre os executivos e gerentes da estatal é tenso em razão das ações na Justiça questionando decisões assinadas por eles nos últimos meses. Na carta de renúncia, Ramos Pinto dá uma pista das razões que levaram à sua saída: “Reafirmo que minhas ponderações buscaram, apenas, que fosse garantida tranquilidade aos dirigentes da empresa nesse extraordinário evento, considerando as perspectivas do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público”.
Na carta de despedida obtida pelo Correio, Ramos Pinto elogia a gestão do brigadeiro Nicácio e considera a gestão do presidente um “verdadeiro renascimento da Infraero”. A manifestação de Ramos Pinto revela um sentimento interno na estatal de discordância das determinações do TCU e do próprio ministro Jobim de refazer as licitações e assinar novos contratos com as empreiteiras. Os técnicos da Infarero sempre discordaram das análises sobre os custos das obras feitas pelos auditores do Tribunal de Contas. Os engenheiros da estatal alegam que as obras em aeroportos, principalmente as pistas de pouso, são diferenciadas e não podem ser comparadas com rodovias, por exemplo.
Coreia do Norte invalida trégua com Seul
Pyongyang diz que adesão da vizinha do Sul a iniciativa de controle marítimo regional dos EUA é "declaração de guerra"
DA REDAÇÃO
A Coreia do Norte elevou ontem o grau de tensão regional ao declarar inválido o armistício com a vizinha do Sul que encerrou na prática a guerra entre ambas, em 1953, e prometer "poderosa" resposta militar a ações de detenção e inspeção contra suas embarcações.
Pyongyang e Seul estão oficialmente em guerra até hoje, uma vez que nenhum acordo de paz foi firmado desde o "congelamento" do conflito, em 1953.
A ameaça norte-coreana é uma retaliação à decisão de Seul, anunciada na véspera, de aderir à PSI (Iniciativa de Segurança contra a Proliferação, na sigla em inglês). Para a Coreia do Norte, a decisão equivale a uma "declaração de guerra".
Criada pelo governo George W. Bush em 2003, como parte da "guerra ao terror", a PSI prevê inspeção de navios suspeitos de transportar materiais para armas de destruição em massa.
A imprensa sul-coreana noticiou indícios da reabertura da usina nuclear de Yongbyon, detectados por satélites dos EUA. A usina foi desativada em 2008 após acordo que previa ajuda econômica à Coreia do Norte e sua retirada, pelos EUA, da lista de países patrocinadores do terrorismo. Mas em abril, após condenação da ONU ao lançamento de um míssil, Pyongyang anunciou que a reativaria.
No último domingo, a Coreia do Norte levou a cabo seu segundo teste nuclear, violando resolução da ONU aprovada pelo CS (Conselho de Segurança) em 2006. O artefato detonado foi cinco vezes mais poderoso que o testado pelo país em 2006, afirmaram ontem técnicos do Observatório Lamont-Doherty, nos EUA.
O testo norte-coreano gerou unânime reprovação das principais potências internacionais, incluindo tradicionais aliados, como China e Rússia. Em reunião de emergência, o CS emitiu nota de condenação.
Em retaliação ao que considerou uma posição de confronto, Pyongyang disparou uma série de mísseis de curto alcance no mar do Japão.
"Provocação"
A decisão norte-coreana de invalidar o armistício da Guerra da Coreia foi considerada pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, uma ação "provocativa e beligerante".
Hillary reiterou ainda o compromisso com a "defesa inequívoca" dos aliados Japão e Coreia do Sul anunciado por Barack Obama ainda na segunda.
O secretário da Defesa, Robert Gates, embarcou ontem para Cingapura, onde aproveitará viagem já agendada para promover uma resposta coordenada à ação norte-coreana.
O cenário de conflito militar aberto na região ainda é considerado remoto por analistas. Segundo agências russas de notícias, Moscou já estuda, no entanto, cenário de conflito, inclusive com uso de armamento nuclear, na península Coreana, com a qual faz fronteira.
Por enquanto, a linha adotada pelos países envolvidos na região é o da diplomacia. O CS tenta ainda redigir nova resolução contra a Coreia do Norte -duas já vigoram atualmente.
O principal entrave vem de Pequim, que reluta em impor sanções ao país por temer um colapso econômico e um fluxo em massa de refugiados.
Entre as razões citadas para o recrudescimento norte-coreano está a tentativa de Kim de controlar sua sucessão. Especula-se que o ditador se encontre em frágil estado de saúde.
Novo embaixador: Obama confirma Shannon em Brasília
O presidente americano formalizou ontem a indicação de Thomas Shannon como embaixador dos EUA em Brasília, em substituição a Clifford Sobel. A escolha precisa ser referendada em Washington, pelo Senado. Shannon será sucedido como secretário-assistente para o hemisfério Ocidental por Arturo Valenzuela.
10º caso de gripe suína do Brasil é confirmado no Rio
Segundo o Ministério da Saúde, doente esteve nos EUA; dos outros 9 casos, 1 continua em isolamento e os demais estão curados
DENISE MENCHEN DA SUCURSAL DO RIO
O Ministério da Saúde confirmou ontem mais um caso de gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína, no Brasil. Com isso, o país soma dez contaminações pela doença. O paciente, que não teve identidade nem idade reveladas, está internado em isolamento no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio, e passa bem. De acordo com nota do ministério, o paciente viajou para os Estados Unidos no dia 14 e retornou ao Brasil no dia 21. Um dia depois, começou a apresentar tosse seca, dor de cabeça, mal estar e febre, sintomas característicos da doença. No dia 24, procurou o serviço médico e começou a receber tratamento.
Estados
Os dez casos confirmados da doença estão espalhados por cinco Estados. O Rio é o Estado com o maior número de casos (4), seguido por São Paulo (3), Minas Gerais (1), Rio Grande do Sul (1) e Santa Catarina (1). Segundo o Ministério da Saúde, os oito primeiros pacientes diagnosticados com a doença já estão curados e não inspiram cuidados médicos.
O nono paciente a ter a gripe confirmada, um homem de 39 anos que tinha estado em Nova York, segue em isolamento domiciliar em São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, seu quadro geral é bom. O ministério afirma que monitora todas as pessoas que travaram contato próximo com esses pacientes.
Para o governo, não há evidências da transmissão do vírus em território brasileiro. Até agora, apenas dois dos pacientes que tiveram o diagnóstico confirmado não tinham estado fora do país. Foi o caso de um estudante carioca e de sua mãe, que contraíram o vírus depois de o primeiro ter encontrado um amigo que tinha se contaminado no México mas ainda não suspeitava da doença.
Além dos dez casos confirmados no Brasil, há outros 16 considerados suspeitos e 19 em monitoramento. Até agora, foram descartadas 315 suspeitas de contaminação.
Segundo balanço de ontem da Organização Mundial da Saúde, 48 países haviam reportado 13.398 casos da gripe, incluindo 95 mortes, a maioria delas no México.
Cartaz feito por Bolsonaro irrita deputados
BRASÍLIA – Um cartaz pendurado na porta do gabinete do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) está causando polêmica na Câmara Federal. Deputados do PCdoB ficaram indignados diante da imagem de um cachorro mordendo um osso sob a mensagem “Desaparecidos do Araguaia, quem procura osso é cachorro”. Trata-se de um “recado” aos setores da esquerda que defendem a abertura dos arquivos da ditadura, além da recuperação dos restos mortais de militantes que participaram da guerrilha rural liderada pelo PCdoB nos anos 70.
Único parlamentar a defender abertamente a ditadura MILITAR, Bolsonaro afirma que está fazendo um protesto contra as indenizações “bilionárias” concedidas aos ex-presos políticos. “A mentira deles não é a verdade da história. O povo tem de dar graças a Deus aos MIilitares. Tenho o direito de me expressar”, diz o parlamentar.
O cartaz da discórdia foi feito em 2005 para provocar o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, que havia feito um discurso na Casa. “Ele disse: ‘vamos atrás dos ossos...’ Na ocasião não houve repercussão”, diz Bolsonaro.
A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) fotografou o cartaz com seu celular e enviou a imagem para o líder do partido, Daniel Almeida. “Eu não sabia da existência disso. Fiz um pronunciamento na tribuna. Vamos entrar com um processo no Conselho de Ética por falta de decoro. Isso extrapola os limites mais elementares da convivência política e humana. Alguns deputados preferem não polemizar, pois dizem que ele quer só aparecer na mídia. Mas seria uma omissão tratar o caso apenas como desequilíbrio mental. Até os desequilibrados mentais têm limite.”
“Não concordo com o que ele diz, mas Bolsonaro tem todo o direito de se expressar. Sou contra qualquer tipo de punição”, rebate Ciro Nogueira (PP-PI). O movimento Tortura Nunca Mais enviou cartas ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e ao presidente da Comissão de Direitos Humanos, Luiz Couto (PT-PB), pedindo providências. “Isso é uma ofensa à humanidade. Os partidos de esquerda da Câmara não podem conviver com isso, apenas achar graça”, protesta Rose Nogueira, diretora do movimento.
Após dois anos, Alcântara volta a ter lançamento de foguete
Operação Maracati 1 pretende preparar instalações e equipe técnica para novas campanhas
Wilson Lima e Gabriel Manzano Filho
Após cerca de dois anos, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) volta a lançar foguete. A previsão é que seja amanhã. O equipamento será de médio porte, na operação batizada de Maracati 1, uma parceria entre Brasil e Alemanha.
Segundo o diretor do CLA, coronel Nilo de Andrade, essa missão visa a treinar pessoal e preparar técnica e logisticamente o CLA. "O objetivo é meramente técnico e esse foguete não levará carga útil", explicou. Andrade também afirmou que o CLA tem passado por reformulações desde 2007, principalmente nos seus sistemas operacionais, e isso demanda mais lançamentos experimentais.
Apesar disso, ele não relacionou a Maracati 1 a qualquer preparação para um possível primeiro lançamento de foguetes da Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional brasileira e ucraniana montada para realizar experimentos a partir da base de Alcântara.
O foguete Orion tem motor monoestágio americano e aproximadamente 5 metros de extensão. Considerado um modelo de baixo custo, chega a uma altura máxima de 110 quilômetros. Nesta missão, alguns testes relacionados a meios operacionais de controle e rastreamento de equipamentos devem ser feitos. Não é a primeira vez que o Orion será lançado no Brasil. No fim do ano passado, o Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI) também fez campanha semelhante.
Para 2009 estão previstas mais três operações de lançamento do CLA: em julho, setembro e novembro. Destas, só uma será com carga útil. Em setembro, o VSB-30 deve decolar com novos experimentos.
A última vez que o CLA realizou uma missão com VSB-30 foi em julho de 2007, durante a operação Cumã 2. Na ocasião, o voo durou aproximadamente 19 minutos, atingindo um apogeu de 242 km. O VSB-30 estabeleceu um ambiente de microgravidade por 6,2 minutos e levava nove experimentos relacionados ao Programa de Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Em 2007, era o quarto voo do VSB-30 - o segundo no Brasil. A missão foi considerada um sucesso pela AEB, mas parte dos experimentos não foi recuperada durante o resgate do foguete. Conforme a AEB, oscilações no sinal de telemetria dificultaram a operação de resgate da carga útil.
REUNIÃO CANCELADA
Foi cancelado ontem pela Casa Civil, meia hora antes de seu início, o encontro entre a ministra Dilma Rousseff e vários ministérios para definir os próximos passos do projeto de lançamentos de foguetes do consórcio Brasil-Ucrânia em Alcântara. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve participar da discussão - em um dia ainda não definido, na primeira metade de junho. No encontro, o diretor brasileiro do consórcio Alcantara Cyclone System, Roberto Amaral, apresentará os planos de trabalho da empresa, que pretende lançar pelo menos seis foguetes em 2011.
MPF vai apurar contaminação em Angra 2
Prefeito questiona forma de divulgar o caso; comissão descarta risco
Felipe Werneck
O Ministério Público Federal em Angra dos Reis (RJ) instaurou ontem inquérito civil para apurar evento não usual ocorrido há 13 dias na Usina de Angra 2 que resultou na contaminação - oficialmente afastada - de quatro funcionários com material radioativo. Os procuradores pediram esclarecimentos à Eletronuclear, à Comissão Nacional de Energia nuclear (Cnen), ao Ibama e à Defesa Civil.
Segundo a Cnen, a contaminação já foi removida e o problema não trouxe consequência aos funcionários, à população e ao meio ambiente. O prefeito de Angra, Tuca Jordão (PMDB), afirmou que a Cnen omitiu a informação de que quatro pessoas haviam sido contaminadas no primeiro comunicado sobre o fato, feito por telefone, às 17h35 do dia 15, 1 hora e 20 minutos após o problema ter sido constatado. Segundo ele, foi informado apenas que havia ocorrido um "alarme de taxa de atividade alta na chaminé de descarga de gases".
Jordão disse que pedirá na reunião do Sistema de Proteção ao Programa nuclear Brasileiro mudança na forma de divulgação feita pela Cnen. Segundo ele, os relatórios são vagos. "O que eu quero é transparência total em relação a qualquer evento. Por que não informaram no mesmo dia que houve contaminação de funcionários? Isso mostra que há uma falha no sistema", disse Jordão, que é favorável à construção de Angra 3.
O diretor de Radioproteção e Segurança nuclear e presidente interino da Cnen, Laércio Vinhas, afirmou que o procedimento foi correto, mas disse não ter objeção a uma eventual mudança na regra de divulgação dos eventos não usuais. Na escala internacional de eventos nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (que vai de 0 a 7), esses eventos são classificados como de nível 1 (anomalia ou desvio operacional). "O evento não usual foi deflagrado por causa do alarme e não da contaminação. Nosso objetivo é transmitir com objetividade o que acontece e evitar uma falsa interpretação."
Sobre a divulgação com atraso, a responsabilidade é da Eletronuclear, que informou não ser "o procedimento divulgar todos os eventos não usuais" para evitar alarme desnecessário. Disse que, nos últimos anos, foram em média dois casos semelhantes de contaminação de funcionários por mês e que o procedimento usual para descontaminação é a limpeza do corpo com água e sabão.
Rádio pirata desvia três voos em Congonhas
Em razão da interferência de rádio pirata na comunicação entre torre de controle e aviões, a TAM precisou desviar ontem à noite três voos que deveriam pousar no Aeroporto de congonhas, na zona sul de São Paulo.
Dois voos foram levados para Viracopos, em Campinas, a 95 quilômetros da capital paulista, e um para Cumbica, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
Os aviões partiram de Vitória (ES), com cem passageiros, Rio de Janeiro, com 93 viajantes, e de Londrina (PR), com 83 pessoas, sem contar a tripulação. A TAM disse que providenciou transporte para os passageiros para a região de congonhas.
A Infraero confirmou a mudança no destino de três voos da TAM, comunicada pela empresa. Também reconheceu que o motivo das alterações nas rotas foi “um problema na comunicação” apenas “parcialmente controlado”, com a mudança na frequência das comunicações entre torre e aviões. A Infraero não tem registro de desvios de voos de outras companhias aéreas.
TAM e Infraero não informaram o período em que as comunicações sofreram interferências.