Ministério da Defesa - Comando da Aeronáutica
Brasil, um país de todos
Menu
Terça, 09 de fevereiro de 2010.
NOTIMP
NOTIMP: 200/2009 de 19/07/2009

O Noticiário de Imprensa da Aeronáutica (NOTIMP) apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.

 


PINGA FOGO

Baptista Chagas de Almeida

Exército mapeia novos pontos para busca de desaparecidos no Araguaia. Mais uma vez. O que não se consegue é enterrar a guerrilha, que já ficou no passado.

 

CATINGUEIRO TEM O QUE CONTAR DO ARAGUAIA


Reapareceu um antigo personagem da guerrilha do Araguaia. É o camponês José Maria Alves da Silva, ou "Zé Catingueiro", de 72 anos. Ele está colaborando no trabalho de localização das sepulturas dos guerrilheiros mortos entre 1973 e 1974.

Como ao longo dos últimos 37 anos os comandantes militares preferiram tratar o assunto com uma mistura de dissimulação e amnésia, tomara que a ajuda de Catingueiro seja produtiva.
De qualquer forma, em pelo menos um caso seu testemunho pode ser definitivo: o da morte da guerrilheira "Cristina", codinome de Jana Moroni Barroso, estudante de biologia da UFRJ, assassinada em janeiro de 1974, aos 26 anos.

Há duas versões para sua morte. Numa, foi presa viva. Noutra, dada em 1994, em depoimento colhido pelo professor Romualdo Pessoa, o camponês José Veloso de Andrade, que trabalhou para o Exército na base da Bacaba, foi Zé Catingueiro quem a matou. Assim falou Veloso: "Eles pressentiram o pessoal do Exército, ela correu, quando ela correu ela vai cair em cima de um cara, um guia. Um guia atirou nela.

Era o "Zé Catingueiro", atirou nela, deu chumbo, mas o chumbo era pequeno e ela não morreu logo, mas ela morreu. A flor da subversão de boniteza".

Essa informação é velha e pública, mas a amnésia que atingiu os militares contagiou a investigação dos crimes cometidos na floresta.

 

O último clandestino

ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO

O ex-marinheiro Antônio Geraldo da Costa, que viveu com identidade falsa na Suécia por quase 40 anos, desembarca no Galeão na terça-feira
 Reprodução
Imagem
VOLTA LIBERADA
Passaporte de Antônio Geraldo da Costa, o Neguinho, emitido há quatro semanas após autorização obtida no Itamaraty pelo vice-cônsul em Estocolmo, José Ulisses Ribeiro

Após viver por quase 40 anos, na Suécia, com identidade falsa, o ex-marinheiro Antônio Geraldo da Costa, o Neguinho, entrará no país, pela primeira vez, com seu nome verdadeiro. Ele desembarca no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, na terça-feira.

Neguinho viveu seis anos na clandestinidade, depois do golpe militar, quando participou de assaltos a banco no Rio e em São Paulo para financiar a luta armada. Fugiu do Brasil em 1970. Está com 75 anos.
Os crimes políticos foram anistiados por lei, em 1979, mas o ex-marinheiro continuou em exílio voluntário na Suécia, com medo de retornar e ser punido pelos atos que praticou.

Fragilizado emocionalmente, teme ser preso ao passar pela imigração. Um grupo de companheiros de militância vai recebê-lo no aeroporto para confortá-lo e tentar evitar uma suposta e, segundo a Polícia Federal, improvável detenção.

Ele obteve o passaporte brasileiro em seu verdadeiro nome há apenas quatro semanas. Uma anotação do consulado, em Estocolmo, de que o documento foi emitido por autorização, via despacho, do Ministério das Relações Exteriores, aguçou o medo de que a Polícia Federal estaria à sua espera.

"Ele não acredita que o Brasil se redemocratizou. Acha que a situação pode virar a qualquer momento", diz seu amigo Antônio Duarte dos Santos, também ex-marinheiro, que foi exilado na Suécia de 1971 a 1980, quando foi anistiado.

Outro companheiro de exílio, o ex-marinheiro Guilem Rodrigues da Silva, que se tornou vereador, professor e juiz na Suécia, compara Neguinho ao oficial japonês Hiroo Onoda, que viveu escondido na selva das Filipinas por 29 anos, sem saber que a Segunda Guerra havia acabado. Onoda só saiu da selva quando seu superior no Exército lhe mandou depor as armas.
""Neguinho viveu, praticamente clandestino, na Suécia. Nunca modificou seu pensamento político. Acha que é espionado e seguido", diz Guilem.

Golpe e tortura

Neguinho foi vice-presidente da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais. Cinco dias antes do golpe militar que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, o Ministério da Marinha proibiu um ato público em comemoração de dois anos da associação. O ato foi então transferido para o Sindicato dos Metalúrgicos.

Ele foi preso e, segundo colegas, brutalmente torturado. Foi citado na reportagem ""Tortura homogênea", do "Correio da Manhã", de outubro de 64, sobre os maus-tratos nas prisões.

Avelino Capitani, ex-dirigente da associação, atribui a fragilidade emocional de Neguinho às torturas no Cenimar (Centro de Informações da Marinha) e ao estresse da clandestinidade e das ações armadas.
No prontuário de Neguinho existente no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro consta que ficou preso de setembro a dezembro de 64, e que fugiu dias antes de seu alvará de soltura ter sido assinado.

Fuga

Sua ação de maior repercussão foi o resgate de presos políticos da Penitenciária Lemos de Brito, no Rio, em 1969. Também fez quatro assaltos a bancos para levantar dinheiro para os fugitivos. Atuou em ações armadas da ALN (Aliança Libertadora Nacional, de Carlos Marighela) e se aproximou de outras organizações clandestinas.

Para fugir para o exterior, obteve uma certidão de nascimento em nome de Carlos Juarez de Melo, no interior de São Paulo, e tirou carteira de identidade e passaporte -assim que recebeu a cidadania sueca, casou-se e registrou os dois filhos.

Na Suécia, foi cozinheiro de frades e funcionário de casa de repouso. Como na nova documentação sua idade foi reduzida em cinco anos, aposentou-se mais tarde do que poderia.

Só em 2005, por pressão dos amigos, pediu anistia no Brasil. Entrou no país e saiu dele com a documentação falsa, e fez o pedido por procuração. Segundo o Ministério da Justiça, a anistia foi dada em dezembro de 2006. Mesmo assim, ele seguiu usando a identidade falsa.

Há menos de um ano, atormentado pelo desejo de voltar, procurou autoridades suecas, desfez o imbróglio e obteve a regularização, há cinco meses.

 

Quem quer Constituinte é o povo, diz Zelaya

Em entrevista à Folha, hondurenho afirma que golpe aconteceu porque ele tentou dar mais poder decisório à população

Fabiano Maisonnave

Presidente deposto afirma que pressão internacional deve ser maior e nega papel central de Hugo Chávez nas decisões de seu governo

Três semanas após ter sido detido e expulso de Honduras, o presidente deposto Manuel Zelaya, 56, não parece disposto a fazer concessões nos pontos evocados para justificar o seu afastamento. Pretende levar adiante o seu projeto de convocar uma consulta sobre a Assembleia Constituinte porque, diz, é uma demanda popular. Também defende a aliança com o presidente Hugo Chávez e não descarta uma nova candidatura à Presidência caso haja mudança nas regras.

Em entrevista à Folha na Embaixada de Honduras na Nicarágua, Zelaya cobrou o aumento da pressão internacional contra o governo do presidente interino, Roberto Micheletti, e disse que o único país que tem influência em Honduras são os Estados Unidos.

A conversa foi gravada na sexta à noite -antes, portanto, das negociações que aconteceriam ontem na Costa Rica.

FOLHA - O sr. tem aprovação de 46%, segundo o instituto Gallup, mas as instituições do Estado hondurenho, como o Congresso, o Supremo e a Promotoria, apoiam o governo interino. Como se daria a governabilidade caso o sr. retome a Presidência?

MANUEL ZELAYA - Melhor do que a que eles estão tendo agora. Eu nunca tive o apoio desses setores. Eu não necessito deles realmente porque há independência de Poderes. Não me preocupa o problema político, o que me preocupa é o respeito à lei e à democracia.

FOLHA - Alguns dos seus assessores, como o atual ministro da Defesa, permaneceram no seu governo até o final, mas agora estão com Micheletti. Por que isso ocorreu?

ZELAYA - É como se você passasse para outro meio de comunicação. Se a concorrência lhe paga mais, qual é o problema? Vivemos num mundo livre. Judas pediu 30 moedas para vender o Senhor. É parte da vida, não há por que se preocupar.

FOLHA - O sr. está disposto a abandonar a proposta do referendo sobre a Constituição?

ZELAYA - Essa não é uma decisão minha, é uma decisão jurídica. É preciso buscar uma decisão jurídica. É um problema de vontade política, não posso trair o povo inteiro e deixar o processo.

FOLHA - A principal acusação contra o sr. é a de que queria a reeleição. Qual é sua posição sobre o tema?

ZELAYA - O governo não tem nenhuma possibilidade de fazer o processo de reeleição. É problema de uma Assembleia Constituinte que se estabeleça noutro governo, não no meu.

FOLHA - Mas o sr. não tem uma posição sobre a reeleição?

ZELAYA - Não tenho hoje nenhum interesse nisso. Acho que é um tema de discussão futura, não no meu governo.

FOLHA - O sr. foi eleito por um dos partidos mais tradicionais de Honduras, e a sua cúpula deixou de apoiá-lo e respalda o golpe. Quem mudou, o sr. ou o seu partido?

ZELAYA - Não há uma ruptura total com a cúpula, só parte dela. Há deputados e prefeitos que me apoiam; tenho 70% da base política. Ou seja, talvez seja um grupo de ultradireita conservadora que, com o tempo, se acomoda no poder.

FOLHA - Mas o sr. não mudou a sua ideologia, a forma de ver o país durante o mandato?

ZELAYA - Fui coerente com a minha campanha. A minha proposta tinha um slogan que se converteu em ideologia: o "poder cidadão". Dar poder ao cidadão para que ele seja protagonista do seu destino. A primeira lei que aprovei foi de participação cidadã, e o que estava fazendo agora é um processo de participação. Tenho sido coerente com as minhas posições.

FOLHA - Mas a convocação de uma Constituinte não estava em sua proposta de campanha.

ZELAYA - O mecanismo não é importante, mas o objetivo. O objetivo de transformação é o que tem de valer. A Constituinte é um processo de mudança que surge do pedido do povo. O que faz um governante é escutar o seu povo. Não estava propondo uma Constituinte para o meu governo. A única coisa que propus é que era preciso escutar o povo. O povo enviou ao meu gabinete 500 mil assinaturas que diziam: "Queremos ser consultados". E estabelecemos um processo de consulta para ver a opinião pública. E isso foi o que provocou a ruptura e o golpe. Não temem a consulta. O que eles temem é que o povo se organize, que tenha voz, que possa tomar decisões. Isso lhes causa terror. Porque, se o povo começa a tomar decisões, é preciso haver justiça e igualdade.

FOLHA - Por que o sr. decidiu levar adiante a consulta de 28 de junho apesar da proibição da Justiça e do Congresso?

ZELAYA - Um juiz de segunda instância suspendeu um decreto feito pelo governo. Não declarou ilegal, mas suspendeu. O primeiro decreto se chamava "consulta popular". O Conselho de Ministros se reuniu e fez outro decreto, que não foi suspenso. Esse outro decreto se chama "pesquisa de opinião", não estava suspenso e não tinha nenhuma ilegalidade. Todo o resto é uma invenção da conspiração.

FOLHA - Um dos pontos mais criticados é a sua aliança com Hugo Chávez. Houve influência dele no processo constituinte e há alguma influência durante as negociações?

ZELAYA - O único país que realmente tem influência em Honduras são os EUA. O presidente Chávez não tem nenhuma influência em Honduras. Ele tem o reconhecimento hondurenho de sua liderança como democrata e como um presidente muito ativo na América Latina. É um preconceito querer converter os processos naturais de mudança em Honduras em processos ideológicos.

FOLHA - O Brasil suspendeu vários acordos após o golpe, entre os quais a cooperação em saúde. O sr. defende que as sanções incluam medidas em áreas sociais?

ZELAYA - A comunidade internacional está tomando medidas, mas são insuficientes. O povo está nas ruas resistindo, a comunidade internacional está pressionando, mas os golpistas são intransigentes.

FOLHA - No caso do Brasil, o sr. acha que governo pode fazer mais do que já anunciou?

ZELAYA - Até o momento, estamos atuando nos organismos multilaterais. Acho que devemos continuar chegando a um consenso. Com o governo brasileiro, estou muito satisfeito.

FOLHA - Com relação aos EUA, por que o sr. pediu o bloqueio das contas e bens dos envolvidos no golpe?

ZELAYA - A comunidade internacional, com esse golpe, deve ter a lição de que não bastam medidas diplomáticas, mas mecanismos efetivos que realmente os afetem, tais como medidas econômicas e restrições à sua circulação em diferentes países.

FOLHA - Como o sr. imagina que será lembrado na história?

ZELAYA - Como quem luta por causas justas e não aceitou a submissão e a imposição.

 

Irã pauta visita de chanceler de Israel ao Brasil

Avigdor Liberman será recebido por Lula na quarta, na primeira parada de seu giro pela América do Sul

ELIANE CANTANHÊDE
SAMY ADGHIRNI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que patrocinou a primeira cúpula América do Sul-Países Árabes em 2005 e já foi a vários países árabes, deixou para o sétimo e penúltimo ano de governo uma abertura mais explícita do diálogo com Israel, que reage à desenvoltura do arqui-inimigo Irã na região.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Liberman, inicia pelo Brasil, na terça, um giro sul-americano que pretende reforçar a presença israelense num terreno onde o presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pisa com segurança, a partir da Venezuela de Hugo Chávez.

Após encontros em São Paulo com o prefeito Gilberto Kassab e com presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Liberman será recebido por Lula na quarta.

A expectativa é que sejam finalmente acertadas a vinda do presidente Shimon Peres ao Brasil em novembro e a ida de Lula a Israel no próximo ano.

Um constrangimento é que tanto a visita de Peres quanto a de Ahmadinejad estão previstas para novembro. Se Liberman é acusado de radical de direita e racista, Ahmadinejad questiona o Holocausto e defende que Israel suma do mapa.

Entre os dois, o Brasil prefere se manter neutro. Foi o único país sul-americano convidado para cúpula de paz no Oriente Médio em Annapolis (EUA) em 2007, e tem enviado extraordinário para a região, o embaixador Affonso de Ouro-Preto.

Apesar disso, Lula visitou Líbia, Arábia Saudita, Líbano, Síria, Egito e Qatar, entre outros, mas nunca foi a Israel, deixando vagos os verdadeiros motivos e a percepção de uma tendência do pró-árabe do Brasil.
Liberman é o primeiro chanceler do país a vir ao Brasil desde 1987. O último foi Peres, na época nessa função. O subsecretário-geral do Itamaraty para África e Oriente, Piragibe Tarragô, considera a visita "um marco para melhorar relações".

"O Brasil é parte interessada na estabilização do Oriente Médio, mas não somos obrigados a concordar com tudo, nem de um lado, nem de outro", diz.

Mas Liberman não escapará de dizer que os aliados esquerdistas do Irã, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, estão aliviando o isolamento imposto pelo Ocidente ao Irã por seu programa nuclear, suspeito de ter fins militares -Teerã nega.

Israel ameaça atacar centrais atômicas do Irã e teme que grupos como o libanês Hizbollah obtenham apoio financeiro na região, onde Teerã está abrindo embaixadas. "Nos preocupam as atividades nucleares do Irã e os esforços do país na América do Sul", diz o embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher.

O Brasil tentará também reequilibrar a balança comercial, muito favorável a Israel, e serão acertadas uma autorização de voos diretos entre São Paulo e Tel Aviv e medidas para reabrir o consulado em São Paulo.

Liberman seguirá depois para Argentina, Colômbia e Peru.

 

Agência quer verba privada em satélite geoestacionário

AEB teme que falta de recursos emperre desenvolvimento da nave, que custa duas vezes mais que o programa espacial

Fábio Amato

Projeto, estratégico para o setor, terá aplicação em defesa, meteorologia e telecomunicações; Brasil hoje aluga esses satélites

A AEB (Agência Espacial Brasileira) quer a parceria de empresas privadas para financiar a construção do satélite geoestacionário nacional, que deve permitir ao país autonomia, por exemplo, na realização de comunicações militares.

O negócio deverá ser por meio de PPP (parceria público-privada), pois a agência espera evitar que a escassez de recursos e os cortes orçamentários atrapalhem o andamento do projeto, tido como estratégico.

O custo para a construção do satélite é de cerca de R$ 600 milhões, valor que representa mais de duas vezes o orçamento médio anual da AEB (R$ 260 milhões, desde 2005).

O seu desenvolvimento conta com a ajuda das agências espaciais russa (Roskosmos) e francesa (Cnes). Estima-se que, seguido o cronograma, o satélite esteja pronto em cinco anos.

"Nós sabemos que no orçamento do programa espacial [brasileiro] é muito difícil acomodar em curto prazo um projeto como esse [do satélite]. Então a gente precisa de alternativas. Uma delas é justamente a parceria público-privada", disse o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Thyrso Villela.

De acordo com o ele, o governo, por meio do Ministério do Planejamento, já fez uma chamada para empresas interessadas em realizar um estudo que deve apontar a viabilidade da PPP na construção do satélite. Só depois disso é que o governo deve começar a procurar por organizações dispostas a investir no projeto.

"Isso [a PPP] garantiria os recursos para que o projeto vá para a frente. Depois dos estudos prontos, vamos ver se a parceria é viável do ponto de vista tanto do governo quanto das empresas", afirmou Villela.

Órbita alta

O satélite geoestacionário é chamado assim porque gira na mesma velocidade da Terra e fica "estacionado" sobre um mesmo ponto do planeta, numa órbita alta em volta do equador, a cerca de 36 mil quilômetros de altitude.

Como usa uma tecnologia mais complexa que a de satélites de sensoriamento remoto, que ficam em órbitas baixas (a menos de mil quilômetros), seu custo também é mais elevado.

É usado, por exemplo, em telecomunicações e transmissão de TV por assinatura.

De acordo com Villela, o satélite será empregado na áreas de meteorologia -pois permite a observação contínua de uma determinada região-, comunicação de governo (ministérios e Polícia Federal, por exemplo), e comunicações militares.

O Brasil já teve um satélite geoestacionário, mas perdeu o controle sobre ele após a privatização da Embratel, no governo FHC. Hoje, o país aluga satélites, inclusive para as comunicações militares.

Para o engenheiro aeronáutico e presidente da AAB (Associação Aeroespacial Brasileira), Paulo Moraes Junior, a PPP é uma boa saída para garantir a continuidade do projeto.

"[A PPP] me parece a solução ideal, pois a iniciativa privada é mais ágil do que o Estado. Mas desde que o Estado se imponha nessa parceria, ou seja, mantenha o controle sobre o satélite, pois são comunicações militares, de segurança."

Não há uma definição sobre a contrapartida que uma empresa pode obter com essa PPP. De acordo com Moraes Junior, entre as possibilidades está a exploração de canais de transmissão de informações, com a venda do serviço para empresas da área de telefonia, internet e TV.

 

Tiroteio

Painel

Vera Mahalhães (Interina)

"Não é a primeira vez que um seleto grupo de parlamentares viaja com despesas pagas pelo lobby francês. Deveriam aproveitar a estadia na Europa para conhecer outras tecnologias."

Do deputado JÚLIO DELGADO (PSB-MG), sobre a viagem de deputados à França, paga pelo governo francês e pela empresa Dassault, no momento em que o Brasil negocia a compra de caças.

 

Líder nicaraguense articula reforma na Carta por reeleição

Presidente Daniel Ortega vê planos afetados pela crise hondurenha 30 anos após vitória sandinista

DO ENVIADO A SAN JOSÉ E MANÁGUA

Num 19 de julho como hoje, em 1979, o então líder guerrilheiro Daniel Ortega e seus companheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) derrubaram quatro décadas da ditadura da família Somoza na Nicarágua.

Trinta anos depois, os esforços do presidente Daniel Ortega, já em seu segundo mandato, de mudar a Constituição para continuar à frente do país provoca temores de outro longo período sem alternâncias.

"Há uma consciência negativa no país sobre o que é uma reeleição", disse à Folha a reputada escritora nicaraguense Gioconda Belli, que foi do movimento sandinista até os anos 1980 e hoje é crítica de Ortega.

"O primeiro e o último Somoza se reelegeram várias vezes."

Assim como na vizinha Honduras, do presidente deposto Manuel Zelaya, Ortega colocou no topo da agenda política do país uma reforma constitucional que abre caminho para que o líder esquerdista continue no Executivo depois do fim do seu mandato, em 2011.

Pela atual legislação, uma pessoa que já foi presidente pode ser eleita novamente, desde que de forma não consecutiva, e só por um novo mandato. Foi o que fez Ortega ao voltar ao poder em 2007, após ter governado entre 1985 e 1990.

Diferentemente dos presidentes aliados da Bolívia, do Equador, da Venezuela, além da até agora fracassada tentativa em Honduras, Ortega não planeja convocar uma Assembleia Constituinte, mas promover as mudanças necessárias por meio do Congresso.

Em março, numa de suas raras entrevistas desde que chegou ao poder, ele disse que a emenda constitucional de 1995 que veta a reeleição é "invenção da direita" para evitar que o povo "escolha livremente".

O presidente nicaraguense estuda dois caminhos para continuar no poder: instituir a reeleição sem limites, como na Venezuela, ou mudar o sistema de governo de presidencialista para parlamentarista.

"Se as condições permitirem, voltaria a concorrer a presidente [em 2011]. E se [as condições] não estiverem presentes, então estaria bem atuando como primeiro-ministro e depois voltar a concorrer para presidente", disse Ortega em março.

O problema para ele é que as condições ainda não permitem. A FSLN tem no máximo 50 dos 56 votos necessários para reformar a Constituição.

Sem apoio garantido, os sandinistas até agora não apresentaram formalmente projeto de lei sobre o tema.

Eleições tumultuadas

A negociação terá de ser feita num tumultuado ambiente político pós-eleições municipais de novembro, marcada por denúncias de fraude em favor dos sandinistas, cujas provas fizeram com que o país deixasse de receber parte da ajuda externa.

A crise no país vizinho tampouco ajuda Ortega, diz o deputado Ramiro Silva, da Aliança Liberal Nicaraguense (ALN), que ainda não definiu se apoiará a reforma. "Honduras fez com que os sandinistas dessem um passo atrás. O povo sabe que várias ditaduras começaram após eleições sem limite."

As pesquisas de opinião também rejeitam a reforma. Na mais recente, feita no final de junho pelo instituto M&R Consultores, 60,8% dos eleitores rejeitam a reeleição ilimitada, contra 33,2% que a apoiam -49,5% dos eleitores acreditam que Ortega quer levar o país para uma ditadura.

Ainda há a corrida contra o relógio. Para ser aprovada, a reforma terá de ser votada em duas sessões legislativas anuais. Ou seja, precisa ser introduzida até o ano que vem e ratificada, no máximo, até o primeiro semestre de 2011.
(FABIANO MAISONNAVE)

 

Correa nega nexo com Farc e anuncia apuração sobre vídeo

DA ASSOCIATED PRESS

Para o procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán, a divulgação de um vídeo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) pôs o presidente do Equador, Rafael Correa, "na mira dos tribunais internacionais".

O vídeo, que a Colômbia diz ser autêntico, mostra o número 2 das Farc, Jorge Briceño, o "Mono Jojoy", lendo carta em que o líder guerrilheiro Manuel "Tirofijo" Marulanda, morto em 2008, menciona contribuições à campanha que elegeu Correa em 2006.

Ontem, o equatoriano disse, em seu programa semanal de rádio, que a acusação é parte da campanha contra os "governos progressistas" da região, desafiou o colega colombiano, Álvaro Uribe, a passar por um "detector de mentiras" e repetiu que uma comissão equatoriana independente avaliará o caso.

O vídeo reacende a crise diplomática entre Colômbia e Equador, sem relações bilaterais desde o ataque de Bogotá a uma base das Farc em solo equatoriano em 2008.

Na ação, a Colômbia apreendeu computadores da guerrilha que mencionam, segundo Bogotá, as contribuições a Correa e ligações com a Venezuela. Na suposta carta, Marulanda lamenta a apreensão: "os segredos das Farc se perderam".

 

Famílias querem transparência

Repórter JC


Familiares e companheiros de 47 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar enviaram carta ao governo federal manifestando “indignação e repúdio” às atividades ora desenvolvidas pelo governo na região onde ocorreu a guerrilha do Araguaia. “Assistimos, estarrecidos, a ida de uma caravana essencialmente militar, sem a presença dos familiares, sem a participação da Comissão Especial para Mortos e Desaparecidos, sem a presença da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Acompanhamos também estarrecidos, as informações divulgadas pela imprensa de que o comandante da operação buscou afastar a presença dos jornalistas”, afirmam. Os familiares dizem, ainda, que esperavam, “como esperamos já há mais de 30 anos”, que medidas fossem tomadas pelo presidente Lula “para atender as nossas reivindicações” e que “o PCdoB, partido que conduziu a guerrilha, ouvisse nosso clamor”.

 

ativista conta saga do cofre de Adhemar

Total de US$ 1 mi, dos US$ 2,4 mi, teria sido devolvido à guerrilha

Wilson Tosta

Quarenta anos após o roubo por guerrilheiros de um cofre que fora do ex-governador Adhemar de Barros com cerca de US$ 2,4 milhões, a ex-militante Maria do Carmo Brito revela que aproximadamente US$ 1 milhão foi devolvido à guerrilha na Argélia sob aval político de Miguel Arraes. Segundo ela, o governador de Pernambuco, então exilado em Argel, garantiu com o depositário da quantia, o embaixador argelino no Brasil, Hafid Keramane, que poderia repassar o controle do dinheiro a Ângelo Pezzutti, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). De Pezzutti, o número da conta em um banco suíço foi, por ordem do ex-capitão Carlos Lamarca, entregue ao ex-sargento Onofre Pinto, que se deslocou de Cuba para a missão.

"Eu queria me livrar daquilo, sofri muito", conta Maria do Carmo, uma socióloga e funcionária pública de 66 anos que diz não saber o nome do banco onde o dinheiro estava nem a quantia exata e, pela primeira vez em quatro décadas, revela seu destino. Ela avalia que Pinto, integrante da lista oficial de desaparecidos políticos, tinha alguém para operar a conta na Suíça. Pezzutti morreu em acidente de moto em Paris, em 1975. O assalto, que fez 40 anos ontem, foi cometido por um comando integrado pelo atual ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e ligado a uma organização à qual pertencia a hoje ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff - a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).

Arraes, que morreu em 2005, não teve acesso ao dinheiro, afirma Maria do Carmo, mas assumiu, com Keramane, um aval que ela chama de "curadoria". Foi a partir do grupo de Arraes que o embaixador fizera contato com Maria do Carmo, que usava o codinome de Lia, e seu primeiro marido, Juares Guimarães de Brito, também da VPR, conhecido como Juvenal e planejador da ação. Depois do assalto, com dificuldades para esconder a quantia roubada, os dois levaram para o diplomata guardar a parte que a organização não utilizaria imediatamente.

Em 18 de abril de 1970, durante cerco de agentes no Rio, Juares deu um tiro no ouvido e sua mulher foi presa. Rompeu-se assim o contato com o embaixador.

"O que Arraes fez foi dizer: essa pessoa é séria, pode passar (o dinheiro)", relata. O governador, porém, não foi ao encontro em que Keramane entregou o número da conta na Suíça a Pezzutti, do qual Maria do Carmo também participou. Ele deixara o Brasil em 16 de junho de1965.

DOCUMENTO

Maria do Carmo deu entrevista depois de ler cópia de documento localizado pelo Estado no Arquivo Nacional. A Informação nº 4322 S/102-1-CIE, do Centro de Informações do Exército, transcreve um suposto resumo de suas declarações em 3 de maio de 1970 na Operação Bandeirantes, centro de torturas da ditadura em São Paulo. Nele, a ativista disse reconhecer, por foto, Keramane como o homem a quem Juares entregara US$ 1 milhão para guardar. Quando, depois, o comandante do roubo do cofre pediu o dinheiro de volta, o diplomata, segundo o depoimento, disse que ele se reduzira a US$ 900 mil e estava em vários locais, sendo necessário tempo para reuni-lo. A depoente afirmou aos agentes não saber se Juares conseguira reaver a quantia.

"É claro que eu conhecia o nome do Keramane, mas disse que só sabia que era um homem gordo da embaixada e o reconheci por foto", conta ela. Veterano da guerra de independência com a França, o diplomata era conhecido como autor do livro La Pacification, no qual relatou as torturas de franceses contra argelinos durante o conflito. Não foi possível localizá-lo. No depoimento, a ex-guerrilheira, que ao ser presa usava o nome falso de Gilda Helena Dias, teria dito que ela e o marido conheceram Keramane por meio de um amigo de Juares, que não identificou.

Em julho de 1969, após o roubo, a VAR-P tinha dificuldades para guardar o dinheiro roubado. Os US$ 2,4 milhões estavam com um militante, identificado como Chico. Então, o casal teria decidido dividir a quantia pela organização e deixar parte com Keramane.

A hoje servidora, porém, não reconhece parte do depoimento, que detalha como o dinheiro teria sido dividido entre VAR-Palmares e VPR. Ela avalia que, como era prática na época, assinou um documento no qual os interrogadores incluíram fatos cujas fontes precisavam atribuir a alguém. "Considero uma colagem", afirma.

 

Foi a maior ''expropriação'' cometida pela guerrilha

Na época, a VAR-Palmares considerou o roubo do cofre de Adhemar como sua redenção financeira


Também conhecido como "ação grande", o roubo do cofre de Adhemar de Barros foi a maior das "expropriações" cometidas pela guerrilha brasileira. Com um saldo de aproximadamente US$ 2,4 milhões - há versões que falam em até US$ 2,8 milhões -, foi vista na época pela organização guerrilheira Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), que a realizou, como sua redenção financeira. Mas acelerou o racha que levou à recriação da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), avalia Maria do Carmo Brito, uma das dirigentes da VAR-P na época e que seguiu para a VPR.

"Se você já tem a base, que é a infraestrutura material, tem tempo de pensar nas divergências", explica Maria do Carmo. "Mas essa impressão é absolutamente pessoal." A VAR-Palmares surgira no meio de 1969, da fusão da primeira VPR com o Comando de Libertação Nacional (Colina), pequeno grupo baseado em Minas Gerais, integrado, entre outros, por Maria do Carmo e o marido, Juares Guimarães de Brito. A VAR-P era uma organização aparentemente forte.

RACHA

Em setembro de 1969, porém, em um congresso, rachou. A maioria dos delegados se alinhou com o grupo que defendia uma posição mais política, crítica ao "militarismo". Sete dissidentes, entre eles Maria do Carmo e Juares, sustentaram prioridade para a guerrilha imediata. Saíram e recriaram a VPR. Com o racha, a parte do dinheiro do cofre que não fora entregue ao embaixador da Argélia, Hafid Keramane, acabou dividida entre as duas organizações.

Até 1971, a folga financeira deixou a VAR-P longe das ações de expropriação. Mas o dinheiro acabou, porque, segundo Maria do Carmo, manter a estrutura era muito caro.

AÇÃO

Governador de São Paulo, Adhemar de Barros morreu em 12 de março de 1969. Segundo o então secundarista Gustavo Schiller contara a Juares, sua tia, Ana Capriglione, que fora amante do político, havia herdado de Adhemar US$ 25 milhões, supostamente fruto de corrupção, guardados em dez cofres, distribuídos em diferentes lugares. O Comando da VAR-P discutiu a ação e resolveu atacar o cofre da casa de Ana, na Rua Bernardino dos Santos, nº 2, em Santa Teresa, no Rio. Um levantamento prévio foi feito, com ajuda do hoje ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que se passou por pesquisador.

No dia 18 de julho de 1969, seguindo o planejamento de Juares e dizendo-se policiais, os ativistas invadiram o local. Usaram pranchas para fazer o cofre deslizar até a garagem, colocaram-no em uma caminhonete e o levaram para um "aparelho" (local clandestino da organização), onde o encheram de água e abriram a maçarico. Foi quando constaram que, pelo menos naquele caso, a informação era verdade.

Como o dinheiro era clandestino, Ana Capriglione não deu queixa do roubo e, chamada a depor, negou a existência do cofre. Mas a repressão já procurava Maria do Carmo e Juares. Em 18 de abril de 1970, montou uma armadilha em um "ponto alternativo" marcado na zona sul carioca com um militante que "caíra" e o revelara a agentes do governo.

PACTO

Juares dirigia o carro, enquanto Maria do Carmo disparava contra os agentes. Havia um pacto. Em caso de cerco impossível de ser rompido, ela o mataria e se mataria em seguida, ou vice-versa. Quando o carro foi bloqueado, Juares arrancou a arma da mão da mulher e disparou contra o próprio ouvido direito. Maria do Carmo foi presa e levada para São Paulo, onde foi torturada para revelar o destino do dinheiro.

Ironicamente, parte dos dólares do cofre de Adhemar foi entregue - inadvertidamente - pela VPR à repressão, segundo Maria do Carmo. Ela conta que, no Chile, o ex-sargento Onofre Pinto, que ficara com o controle da conta, repassou dinheiro ao ex-marinheiro José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, acusado de, como agente duplo, ter delatado muitos "companheiros".

 

Venezuela busca 3 aviões que desapareceram nas últimas horas

Da EFE

Caracas, 19 jul (EFE).- As autoridades venezuelanas informaram hoje que três aviões de pequeno porte, com um total de sete pessoas a bordo, desapareceram nas últimas horas em duas regiões do país.

Um pequeno avião com três militares a bordo está desaparecido desde sexta-feira na região selvática do Amazonas, e as autoridades já deram início às buscas, disse a meios de comunicação estatais o chefe da base aérea militar José Antonio Páez, coronel Kiumel Aponte. 

A aeronave, de sigla 207, partiu na sexta "em um voo de rotina" de Puerto Ayacucho, 950 quilômetros a sul de Caracas, com destino à localidade de Esmeralda, em um percurso de 400 quilômetros, mas não chegou à cidade. 

O porta-voz da Defesa Civil do estado de Táchira, oeste, Alfredo Jazcko, disse à imprensa local que há dois aviões de pequeno porte desaparecidos nessa região, na fronteira com a Colômbia. 

Segundo Jazcko, uma das aeronaves desaparecidas em Táchira cobria a rota Bogotá-Valencia, no centro-norte venezuelano, e a outra fazia o trajeto Arauca-Cúcuta. Os dois aparelhos só eram tripulados pelos respectivos pilotos e copilotos. 

"Ontem (sexta) recebemos informação por parte do aeroporto de Cúcuta sobre o desaparecimento de uma aeronave de Arauca a Cúcuta. Entra em território venezuelano pelos convênios que existem, mas não voltou a se saber nada dela. Foram notificados todos os organismos", disse Jazcko à emissora privada de notícias "Globovisión".

 

Bananada em Honduras

Percival Puggina

O que aconteceu em Honduras ao longo das últimas semanas tem nada de novo. Crises institucionais nas nações ibero-americanas seguem roteiro seboso, redigido em pergaminho. Contabilizam mortos, feridos e constituições inservíveis. Por quê? Com mínimas diferenças, nossos países adotam um sistema anacrônico em que o presidente comanda o Estado, o governo, a administração e 20% do PIB. É poder e grana demais para que os filhos de Adão não se atraquem – eis por quê. Quem senta na cadeira presidencial mete a faixa no peito e trata de passar o cadeado.

Nossos generais tinham cinco anos e Geisel aumentou para seis. Sarney herdou esses seis anos. A Constituinte ia cortar para quatro, mas no balcão do toma lá dá cá fechou por cinco. A revisão de 1993 retornou aos quatro. Fernando Henrique conseguiu a emenda da reeleição para fazer oito. Lula era contra, mas gostou e foi buscar os seus. Agora, no Congresso, tramita projeto que lhe permite voltar às urnas.

Da janela para fora, ele discursa em favor das pretensões continuístas de seus companheiros e vizinhos do Foro de São Paulo. Quando se vira para dentro de casa, muda o tom e alega que isso não fica bem.

Chávez alterou a constituição para assegurar-se um número ilimitado de reeleições. Rafael Correa, idem. Evo Morales já tentou mudar a regra boliviana. Não levou, mas continua querendo. Kirchner, impedido, passou a faixa para a patroa. E as questões mais verticais do Estado argentino são tratadas na horizontal. Até o colombiano Álvaro Uribe foi picado pela mosca azul.

Honduras? O constituinte hondurenho, escaldado, fechou essa porta. Criou uma norma estabelecendo que quem foi presidente “nunca poderá candidatar-se a novo mandato”. Achou pouco. Foi na jugular do continuísmo e estampou no artigo 239 da Carta que quem “quebrar esse preceito ou propuser sua reforma, bem como aqueles que o apoiem direta ou indiretamente, cessarão de imediato no desempenho dos respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para exercício de toda função pública”. E quem incorreu nisso? O próprio presidente Mel Zelaya. Enforcou-se com a corda constitucional. Não satisfeito, fez mais. Inspirado por Chávez, convocou plebiscito para reformar a Constituição (coisa que só o Parlamento poderia fazer). E quando a Suprema Corte lhe mostrou a Carta hondurenha, subiu no palanque e chutou o balde: – “Nós não vamos obedecer ao Supremo Tribunal!”. Mandou vir urnas e cédulas daquele perito em plebiscitos viciados, o companheiro Chávez. Destituiu o chefe do Estado Maior que lhe recusava as tropas para realizar a votação. E acordou preso, o golpista. Mas sua deposição, com apoio dos outros dois poderes também não foi um golpe? Sei lá! Desate esse embrulho quem souber. Mas assim como a democracia exige a existência de democratas, o Estado de Direito exige o respeito às leis. Que fazer quando o presidente não as cumpre?

O que a mim importa é que entre golpes e contragolpes ainda se sovam bananadas neste pobre continente e que 200 anos não bastaram para nos levar a um sistema que os evite. Então, eles persistem em toda parte, ora contra o Estado Democrático (busca não republicana de sucessivas reeleições), ora contra o Estado de Direito (atropelos aos ordenamentos constitucionais).

Existem sistemas que ajudam a resolver crises. Nós nos embananamos num que as excita. O hondurenho golpista deposto é o 15º presidente que, nos últimos 16 anos, em pleno período de “redemocratização” continental, não conclui seu mandato.

Existem sistemas que ajudam a resolver crises. Nós nos embananamos num que as excita.

 

PORTAL O TEMPO ONLINE

CLARISSA DAMAS

Condições meteorológicas atrapalham resgate do corpo do diretor da Magnesita na Venezuela

As más condições climáticas impedem que os corpos do diretor da Magnesita Maurício Lustosa de Castro e do piloto Alessandro Traugott Binder Morais, encontrados na noite de sexta-feira (17) na região de Ilu Tepuy, na Venezuela, sejam resgatados. 

De acordo com informações do Serviço Aéreo de Resgate da Venezuela, chove muito na manhã deste sábado, o que dificulta o acesso à área onde o avião caiu. Todo o resgate deve ser feito por helicóptero, pois não é possível chegar por terra até a região onde estão os corpos e os destroços do avião.

O monomotor desapareceu no último sábado, quando partiu de Miami em direção a Belo Horizonte.

 

PORTAL O TEMPO ONLINE

DA REDAÇÃO

Dois pilotos morrem com queda de caça norte-americano no Afeganistão

Identidade dos mortos e local exato da queda não foram divulgados.

Dois pilotos norte-americanos morreram neste sábado (18) na queda de um caça F-15E no leste do Afeganistão, comunicou o Centro de Operações Aéreas das Forças Armadas americanas em Doha.

A queda ocorreu em um local não especificado pelos militares.

Acidentes com caças do tipo F-15E são pouco freqüentes, já que as aeronaves são sofisticadas e utilizadas especialmente na região sudeste do país em operações contra a insurgência talibã.

 

 


IMPRIMIR

Copyright © 2008-2010 Portal da Força Aérea Brasileira
® 2010 República Federativa do Brasil - Todos os direitos reservados.