NOTIMP - NOTICIÁRIO DA IMPRENSA

Capa Notimp Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil e até do mundo. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.


NOTIMP 153/2018 - 31/05/2018

Publicado: 31/05/2018 - 08:04h
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JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Nove aeroportos administrados pela Infraero ainda sofrem com falta de combustíveis

Situação está normalizada em Brasília e em Belo Horizonte, segundo concessionárias

Sandra Manfrini, Paulo Roberto Netto Publicada Em 30/05 - 10h57

Dos 54 aeroportos do País administrados pela Infraero, oito ainda sofrem com a falta de combustível nesta quarta-feira (30), segundo dados da empresa atualizados até 9h20. São eles: Imperatriz (MA), São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Campina Grande (PB), Juazeiro do Norte (CE), Palmas (TO), Londrina (PR), Montes Claros (MG) e o terminal aéreo Brigadeiro Protásio, em Belém. 

Nesta tarde, o aeroporto de Alagoas chegou a ficar sem combustível, mas foi rapidamente abastecido e voltou a operar de forma regular. 

Em nota, a Infraero diz que alertou aos operadores de aeronaves que avaliem seus planejamentos de voos para que cada um possa definir sua melhor estratégia de abastecimento de acordo com o estoque disponível nos terminais de origem e destino. "Os aeroportos estão abertos e têm condições de receber pousos e decolagens. Nos terminais em que o abastecimento está indisponível no momento, as aeronaves que chegarem só poderão decolar se tiverem combustível suficiente para a próxima etapa do voo", diz a Infraero.

 A empresa mantém a recomendação aos passageiros para que procurem suas companhias aéreas para consultar a situação dos voos. Segundo balanço atualizado da Infraero, na manhã desta quarta-feira, nos 54 aeroportos, foram registrados 25 cancelamentos de voos, o que corresponde a um total de 5,95% do programado.

Brasília. O Aeroporto de Brasília, administrado pela concessionária Inframerica, não registrou nenhum cancelamento de voo nesta manhã. Até as 10h, o terminal teve 107 movimentos entre pousos e decolagens e apenas dois atrasos.

Nessa terça-feira, 30, o Aeroporto de Brasília recebeu um total de 19 caminhões de combustível, que abasteceram o terminal com 1 milhão de litros de querosene de aviação. Segundo a Inframerica, com as remessas de combustível recebidas nos últimos dias, os níveis do reservatório do terminal estão se regularizando. "A expectativa é de normalização das operações se os abastecimentos se mantiverem contínuos. Algumas medidas estão sendo realizadas para garantir os volumes dos reservatórios permaneçam estáveis", diz a concessionária em nota. 

Porto Alegre. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, ainda sofre com restrições de abastecimento. Segundo a Fraport, concessionária responsável pelo terminal, os níveis atuais permitem estimar que o aeroporto tem combustível suficiente até a próxima sexta-feira, 1º. Nessa terça-feira, nove carretas com combustível abasteceram o terminal e novos carregamentos são esperados para esta quarta-feira.

Belo Horizonte. A BH Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins, informa que o nível de estoque de querosene de aviação está normalizado e que todos os voos internacionais operam sem ncessidade de escala técnica para reabastecimento. Segundo a concessionária, 16 voos cancelados para esta quarta-feira (30) foram planejados pelas companhias aéreas e os passageiros foram reacomodados em outros voos.

Florianópolis. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, também opera com capacidade regular até a próxima sexta-feira, 1º, informa a concessionária Floripa Airport. Para esta quarta-feira, todos os voos estão confirmados.

 

Forças Armadas estimam precisar de R$ 80 mi extras para cumprir "missões" dadas pelo governo

Rombo será causado por gastos extras com operações não planejadas para desobstrução de estradas, deslocamento de tropas e contenção da crise de abastecimento

Tânia Monteiro Publicado Em 30/05 - 20h08

Embora o governo esteja repetindo, a todo momento, que as diferentes etapas da operação de desobstrução de estradas pelas tropas federais não terão custos adicionais, as Forças Armadas vão pedir incremento de R$ 80 milhões no orçamento deste ano, segundo apurou o Estado.

Na última sexta-feira, o presidente Temer assinou o decreto de Garantia da Lei da Ordem (GLO) autorizando o emprego do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além da Força Nacional, para acabar com os bloqueios nas rodovias e evitar que a crise de abastecimento se agravasse. O Ministério da Defesa já tinha destinado R$ 113 milhões para as ações da GLO, mas as diferentes convocações das forças – para intervenção no Rio de Janeiro, desbloqueio de estradas e outras missões – devem abrir um buraco de R$ 80 milhões no orçamento.

As Forças Armadas estão consumindo seus estoques de combustível para fazer comboios em todo o País, assim como para simples deslocamento de suas tropas. Hoje, além da desobstrução de vias em todo o País, há atuação das tropas nas eleições em Tocantins, ajuda humanitária em Roraima e intervenção no Rio. O volume de recursos estimado seria para cobrir essas despesas não previstas originalmente. Neste valor não estão computadas, no entanto, as previsões de gasto com emprego de tropas durante as eleições de outubro, já autorizadas pelo presidente Temer.

 

JORNAL O GLOBO


Jungmann diz que notícias falsas na greve são "avant première" de fake news nas eleições

Segundo o ministro, houve uma quantidade "infinita" de fake news nas redes sociais

Leticia Fernandes E Manoel Ventura Publicado Em 30/05 - 20h29

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou na noite desta quarta-feira que as fake news que pipocaram durante a greve dos caminhoneiros, que chega ao décimo dia, serviram como uma espécie de "avant première" de como vai se desenvolver esse fenômeno de notícias falsas nas eleições de outubro.

Jungmann disse que, ao longo da paralisação, já houve uma quantidade "infinita" de fake news circulando nas redes sociais.

 — Tivemos uma avant première do que será a fake news nas eleições. Uma quantidade impressionante, quase infinita de notícias falsas divulgadas nas redes sociais, e isso deve chamar atenção. No mundo inteiro as fake news foram parcela muito negativa nas eleições — afirmou o ministro da Segurança Pública.

Diante da avalanche de notícias falsas durante a paralisação da categoria, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, assinou um comunicado para alertar a todos os integrantes da Força, militares e civis, sobre o crescimento de notícias "falsas e tendenciosas" que estão sendo divulgadas nas mídias sociais durante a crise de desabastecimento pela qual passa o país por causa da greve dos caminhoneiros.

No texto, Rossato aconselha seus subordinados a serem críticos antes de aceitar qualquer informação como verdadeira. Ele também a conselha a tropa a procurar os canais oficiais de comunicação.

"Há muita informação falsa ou tendenciosa sendo divulgada, e devemos ser críticos antes de aceitá-las como verdadeiras. Devemos nos manter atentos e atualizados, e para isso reforço que deem prioridade aos nossos canais institucionais de informação, pois será por meio deles que divulgaremos qualquer orientação complementar", afirma Rossato no comunicado divulgado ontem.

  

PORTAL UOL


Forças Armadas evitam conflitos e participam mais de escoltas durante greve


Lucas Borges Teixeira Publicado Em 30/05 - 18h27

A participação das Forças Armadas na greve nacional dos caminhoneiros tem sido mais comedida do que enérgica. Em nove dias de protestos, Exército, Marinha e Aeronáutica participaram muito mais de comboios de cargas do que intervindo em conflitos em bloqueios de rodovias.

As corporações foram convocadas para auxiliar na paralisação por meio de decreto assinado pelo presidente Michel Temer (MDB) na última sexta-feira (25). Entre as medidas, os militares tinham autorização para tomar a direção de veículos de carga e desbloquear vias.

No entanto, quem apostou em mais energia por parte das Forças Armadas perdeu. Até a última terça-feira (29), o papel foi muito mais de auxílio aos transportes de cargas, especialmente de combustíveis, do que de intervenção em manifestações e desbloqueio de rodovias por meio da força. As corporações prestaram apoio em grande parte das mais de mil escoltas promovidas pela Polícia Rodoviária Federal nestes nove dias, com foco no transporte de combustíveis, insumos, e remédios.

Segundo divulgou o comando militar, os conflitos com manifestantes foram "raros e descentralizados". Desde que as Forças Armadas começaram a operação, quatro incidentes foram registrados em todo o país: dois nas cidades fluminenses de Seropédica e Barra Mansa, um em rodovias próximas a Rio Branco, no Acre, e outro no Maranhão, onde sete pessoas foram presas.

Consultadas pelo UOL, as Forças Armadas não divulgaram de quantas operações os militares participaram exatamente durante a paralisação. À reportagem, o Ministério da Defesa afirmou que não informa este dado ou quantos agentes foram realocados para auxiliar na greve por "sigilo da operação".

Em entrevista coletiva na última terça, o chefe do Estado Maior-Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, confirmou que o foco das forças estava no auxílio ao transporte de cargas. "Nós temos ajudado na escolta de comboios", afirmou o militar. "Em especial, querosene de avião, combustível, insumos e medicamentos"

Polêmica sobre golpe militar

Os dois decretos assinados por Temer, um na sexta-feira (25) e outro no sábado (26), geraram diferentes reações pelo país. Enquanto alguns criticaram as medidas, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), outros grupos não só comemoraram a decisão de recorrer às Forças Armadas, como começaram a pedir por um golpe militar – o que chegou a preocupar o próprio governo Temer

Entre os críticos, havia o questionamento à autonomia dada às Forças Armadas. Segundo os decretos, as corporações ficaram autorizadas a remover ou conduzir veículos que obstruam a via pública, escoltar veículos que prestem serviços essenciais ou transportem produtos considerados essenciais, além de garantir acesso a locais de produção ou distribuição de produtos consideradas essenciais. Além disso, os agentes foram liberados a agir sem precisarem da permissão de governadores ou prefeitos Já para os grupos que pedem por intervenção militar, o Exército e seus pares representam não só a verdadeira chance de por um fim à greve como a possibilidade de solucionar os problemas estruturais do país. Esses mesmos apoiadores tentaram influenciar os rumos da paralisação dos caminhoneiros por meio das redes sociais e por WhatsApp.
 

Militares não querem golpe

Desde que começaram no auxílio à segurança durante a greve, as Forças Armadas se disseram contra qualquer tipo de intervenção militar ou do uso da força para resolver problemas no país atualmente. "Não temos nenhuma concordância [com quem pede intervenção militar]. Queremos democracia", enfatizou o almirante Sobrinho ao final da coletiva na última terça (29). "Estamos preocupados em fazer o Brasil andar", completou.

A declaração do almirante Sobrinho segue outros pronunciamentos que comandantes das forças militares têm feito durante a greve. O general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, declarou publicamente no último sábado (26) que o foco para atuação durante a greve é uma "solução sem conflito".

Em entrevista à Folha de S. Paulo nesta quarta (30), o general da reserva Augusto Heleno afirmou que as Forças Armadas estão "vacinadas" e não pretendem tomar o poder. "[As Forças] têm plena consciência de que esse não é o caminho, o caminho são as eleições que vão acontecer", declarou o militar.


 

JORNAL CORREIO BRAZILIENSE


Paralisação começa a perder força; mais postos recebem combustível

Ainda há centenas de pontos de concentração de caminhões nas estradas brasileiras, mas com menor número de veículos envolvidos

Publicada Em 30/05/2018 - 09h02

A paralisação dos caminhoneiros começa a dar sinais de enfraquecimento nesta quarta-feira (30/5). As filas para reabastecer veículos diminuem aos poucos nos postos, mas a estimativa das distribuidoras é de que ao menos uma semana será necessária para a normalização do abastecimento.

Ainda há centenas de pontos de concentração de caminhões nas estradas brasileiras, mas com menor número de veículos envolvidos. As Forças Armadas afirmam que foram transportadas 35% das necessidades do País durante a terça-feira (29/5).

Os militares negam concordar com os pedidos de intervenção que aparecem nos protestos. O chefe do Estado Maior Conjunto, almirante Ademir Sobrinho, disse que as Forças Armadas "seguem o que está na Constituição: democracia."

 

Entrevista RAUL JUNGMANN - "Caiu a ficha e todo mundo percebeu que está no mesmo barco"

"Todo mundo tirou casquinha"

Publicada Em 31/05

Alguns governadores se esquivaram de ajudar a combater a greve dos caminhoneiros, afirmou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, em entrevista ao programa CB.Poder, parceria entre TV Brasília e Correio. Segundo ele, houve até mesmo um estado — ele não cita qual — em que a Polícia Militar estava ajudando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e foi retirada do local por ordem expressa do chefe do Executivo estadual.

De acordo com o ministro, esses políticos tentaram “tirar casquinha” da crise, mas depois se deram conta de que isso seria ruim. “Caiu a ficha e todo mundo percebeu que está no mesmo barco.” Jungmann também aponta o dedo para empresários da área de transportes. Sem o apoio deles, explica, o movimento dos caminhoneiros teria sido impossível. Esses casos são objeto de inquéritos ainda sigilosos, que têm como alvo 20 donos de transportadoras.

O movimento está acabando, crava Jungmann, porém ainda assusta. “O fim do processo de greve se dá de forma lenta, mas o que não tínhamos visto antes é o grau de violência com que isso está acontecendo.” Segundo o ministro, essa violência ocorre principalmente na hora de dispersar bloqueios. “Tentam impedir que caminhoneiros voltem a trabalhar e voltem para suas famílias. Temos até cenas de violência que são inaceitáveis e, sobretudo, covardes, porque muitas vezes é um grupo agredindo um único caminhoneiro.”

O maior problema, ressalta, está na demora até a chegada das unidades aos territórios em questão, muito por conta da vastidão do país. “Eles estão muito espalhados pelo território nacional. Só a Polícia Rodoviária Federal tem uma malha de 70 mil km.”

A greve já foi dada como encerrada, mas ainda vemos filas nos postos, desabastecimento, problemas na agricultura…
Quando a normalidade voltará?
O processo do fim de uma greve, ainda mais nacional e de caminhoneiros, historicamente se dá de forma lenta. O que não tínhamos visto anteriormente é o grau de violência que está acontecendo. Tentam impedir que caminhoneiros voltem a trabalhar e voltem para as suas famílias.

Isso já está acontecendo?
Sim, e temos até cenas de violência que são inaceitáveis e, sobretudo, covardes, porque muitas vezes é um grupo agredindo um único caminhoneiro. Estamos criando uma central de atendimento ao caminhoneiro para todos aqueles que queiram pedir para se libertarem, para que possam voltar a circular, como a grande maioria deseja neste momento. Vamos, inclusive, despachar o pedido para a Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Forças Armadas, quem estiver mais próximo naquele momento.

As Forças Nacionais não estão conseguindo conter essa violência?
Eles estão muito espalhados pelo território nacional. Só a PRF tem uma malha de 70 mil km. Imaginem as polícias estaduais. Quem estiver sofrendo constrangimento ou acha que vai sofrer nos procure, por meio da Central, que nós vamos procurar chegar até lá. E aqueles que tiverem registros de violência, nos mandem, porque vamos identificar e punir os responsáveis.

Que medidas preventivas foram tomadas para evitar a greve? A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) fez o papel dela?
Ela fez o papel dela. São inúmeras categorias que mandam aviso de que vão paralisar. Isso faz parte da própria negociação. Agora, o que foi que aconteceu? O governo iniciou de uma forma extremamente democrática a negociação com o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos e fechou esse acordo, acreditou que seria cumprido. Hoje, os governos convivem com a situação tradicional, que é a negociação com coletivos (sindicatos, partidos, igrejas, associações coletivas) e com a rede. O sindicato é vertical e centralizado; a rede é descentralizada e absolutamente horizontal. O líder, na rede, surge no momento em que se dá o ato, não é um líder anterior, com um histórico. Ele cresce no interior da própria paralisação. Não há uma experiência de negociação sindical como tem o sindicalismo tradicional. Os movimentos foram ultrapassados por esse movimento na rede. Isso levou à dimensão dessa paralisação e à dificuldade de se negociar para terminar essa greve.

Isso não foi previsto nem ventilado como possibilidade?
Os governos hoje convivem muito mal em todo lugar. Nos EUA foi surpresa; na França; países árabes… O Manuel Castells é o grande teórico das redes sociais, e ele fala que, quando você tem uma crise econômica e política, a ignição, às vezes, é um estalo. No caso da revolta árabe, resolveram se movimentar na frente do Palácio da Tunísia, e quem ia imaginar que aquilo viraria de cabeça e pernas para o ar todo o Oriente Médio? Hoje, não temos ainda o mecanismo de lidar. Sabemos lidar com mecanismos tradicionais, com coletivos, mas não com essa particularidade.

Os planos de contingência só estão sendo feitos agora. Seria o caso de todo mundo parar para pensar e fazer autocrítica?
Acho que se tem de fazer autocrítica e, sobretudo, tirar lições. As Forças Armadas têm um plano de contingência. Agora, dada a dimensão do problema e o fato de eu ter sido ministro da Defesa, sei que os militares não saem sem ter planejamento, e isso leva um certo tempo. Anteriormente, se fizeram planos e projetos achando que o Brasil ia continuar se desenvolvendo sem parar com a perspectiva dos governos Lula e Dilma. Facilitou-se a compra, e hoje há sobreoferta de caminhões. A economia, pelo contrário, se contraiu. Isso é somado ao locaute. Tanto ficou comprovado que hoje temos 52 inquéritos abertos e investigações em curso na Polícia Federal daqueles que cometeram locaute.

Quem começou a greve, os avulsos ou as empresas?
Acho que foram os dois. A PRF era chamada para escoltar uma carga e, chegando lá, as empresas não mobilizavam seus motoristas. Não era obrigar, era simplesmente uma ordem. Então, de fato, havia interesses econômicos, o que não é permitido por lei. A greve é legal, mas o locaute, não. É isso que verificamos, que havia interesses econômicos por trás. Sem o locaute, sem o apoio de transportadoras e distribuidoras, o processo não teria começado com essa força nem se sustentado por tanto tempo. Caminhoneiros tinham reivindicações justas, mas acho que perderam a mão e, já nessa fase final, tiveram infiltração de interesses políticos para pedir intervenção militar, realização de eleições. Evidentemente que a sociedade e imprensa, reparando nisso, houve um recuo.

Há evidência de utilização de robôs e perfis falsos, todas essas técnicas de fake news, nesta greve. Isso está sendo investigado?
Estamos muito focados na questão do abastecimento, de inibir essa violência. Vamos trabalhar nisso. Mas tivemos relatórios de inteligência apontando que os ataques aconteceram, e as fake news voam de forma absurda. Isso foi uma prévia do que serão as eleições. Os EUA, a França e a Espanha não escaparam disso. É preciso muito cuidado porque os ataques têm a intenção de deturpar, redirecionar a vontade popular e soberana.

Estamos tomando providências para prevenir isso?
O ministro Gilmar Mendes, quando ainda presidente do Tribunal Superior Eleitoral, montou um grupo com o ministro da Defesa e a Abin. Não tenho participado de novas reuniões, mas acredito que devem estar trabalhando nisso.

Os estados não querem abrir mão de receitas advindas do ICMS aplicados sobre os combustíveis. Isso está sendo conversado?
Não vou citar nomes, mas quero dizer que a PRF ficou sozinha porque houve estado que mandou a Polícia Militar sair de lá. Tivemos de enviar 200 homens, ficamos sozinhos e tivemos de agir. Até que a circulação começou a se agravar e a corroer, e os governadores passaram a se empenhar mais. Mas, num primeiro momento, ninguém se preocupou e teve quem dissesse que o problema é do governo federal.

O que é mais grave? A situação da primeira semana ou esta?
O que está sendo feito?
Acredito que o mais crítico foi a primeira semana. O que temos hoje é que determinados grupos, seja por interesse político, seja de poder, não querem ceder.

Quanto tempo mais o senhor acha que vai durar a greve?
Não tenho uma previsão. Isso já não é uma questão dos caminhoneiros em si, é a questão da violência, sobretudo a violência política. Por isso mesmo, criamos uma central de atendimento àqueles coagidos para fazerem denúncia e mandarem registro para que possamos fazer algo.

Como a greve dos petroleiros está sendo vista? Não pode ser um elemento de reaquecimento?
Ela preocupa, não vamos deixar de dizer isso. Em conversa com a Petrobras, havia uma avaliação de que em greves passadas não aconteceram grandes adesões. E tem reserva técnica. Ouvi isso do próprio Pedro Parente.

Não é necessário usar mais a força?
Acho que o exercício da força tem de ser proporcional. Nós tivemos uma dissolução, hoje (ontem), de aproximadamente 600, 700 pontos de paralisação. Só se utilizou o choque da Polícia Rodoviária Federal 25 vezes, em um total de 700 e tantas.

Estamos a quatro meses das eleições. O governo teme chantagem de outras categorias?
Isso é inerente à democracia. O período eleitoral é bastante instável, e o Brasil vive um período de mau humor. As pessoas estão apreensivas, mas não vejo ninguém relevante hoje no Brasil que esteja apostando no caos ou no fim da democracia.

Esta greve mostrou um certo isolamento político do presidente Temer. Como isso está sendo tratado do ponto de vista dos militares?
Num primeiro momento, há a perplexidade com que a sociedade tomou pé, e todo mundo citou como exemplo o Executivo. Todo mundo ficou parado para ver no que ia dar. O segundo momento é a questão de o governo conseguir ser resiliente. Aí, veio o momento eleitoral, e todo mundo tirou casquinha. O momento seguinte foi quando caiu a ficha e todo mundo percebeu que está no mesmo barco. E qual é barco? Calendário eleitoral democrático.

A imagem do governo sai enfraquecida?
Sim, qualquer governo que convive com uma situação como esta sai com arranhão, porque uma parcela da população sempre põe a conta na autoridade, só que não é só a autoridade federal. Ao mesmo tempo, isso também significa que o governo tem resiliência e capacidade de liderança, de superar, mas a longo prazo a popularidade é perdida ou ganhada. O governo agiu legitimamente, tomou a decisão correta.

E como isso afetará a gestão do país?
Há um grande impasse. Nós somos herdeiros de uma política, volto a dizer, que trabalhava e se acostumou a trabalhar com instituições. São permanentes, estáveis, coletivas. O caminhoneiro sabe o que é uma medida provisória, o quórum disso? Ele tem cultura, é claro. Mas ele olha para aquilo e não quer saber disso, sobretudo com o descrédito das instituições. Se você quer derrubar governos, a internet é um raio. Agora, para governar, ninguém sabe.

O maior imprevisto vai ser a eleição, então?
Hoje, na minha experiência, nós estávamos nos indagando o que é, como é, como será. Quem pode dizer?

 

JORNAL VALOR ECONÔMICO


Falta de combustível afeta 9 aeroportos no país, aponta Infraero


Publicado Em 30/05 - 12h03

A Infraero informou que 9 dos 54 aeroportos operados pela estatal estavam sem combustível às 11h desta quarta-feira, o 10º dia da paralisação de caminhoneiros que afeta o abastecimento no país.

Alguns deles já estavam desabastecidos desde segunda-feira: São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Campina Grande (PB), Juazeiro do Norte (CE), Palmas (TO), Imperatriz (MA) e Londrina (PR), além de Montes Claros (MG) e Belém (PA).

O índice de voos cancelados foi menor nesta quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi.

Segundo a Infraero, até as 11h, dos 486 voos programados, 31 foram cancelados (6,38%), índice menor do que o registrado no mesmo período de terça-feira. Os voos atrasados eram 32 (6,58%).

A Avianca havia anunciado nesta terça-feira o cancelamento de 35 voos entre quarta e o próximo domingo.

​As companhias aéreas recomendam que o passageiro com viagem amrcada para os próximos dias verifique o status do voo nos sites das empresas. Taxas de remarcação e cancelamento não estão sendo cobradas por Avianca, Azul, Gol e Latam.

No aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, 16 voos foram cancelados. A concessionária BH Airport, que opera o terminal, informou que os cancelamentos foram programados pelas companhias e que todos os passageiros foram contatados e reacomodados em outros voos com antecedência.

A BH Airport afirma ainda que o estoque de querosene de aviação foi normalizado.

Já em Brasília, pela primeira vez nos últimos dias, nenhum voo havia sido cancelado até as 11h desta quarta-feira. Foram 140 deslocamentos, entre pousos e decolagens, e apenas três atrasos. O aeroporto havia sido um dos mais afetados pelo desabastecimento na semana passada.

A concessionária Inframerica informou que os estoques de combustível giram em torno de 60% e caminhões-tanque devem chegar nesta quarta.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estimou um prejuízo diário de R$ 50 milhões desde o início da paralisação dos caminhoneiros, no último dia 21.

Os aeroportos de Cumbica, em Guarulhos (SP), e do Galeão, no Rio, atravessaram a crise até o momento relativamente ilesos por serem abastecidos por dutos da Petrobras.

 

JORNAL DO COMMERCIO (PE)


Hospitais particulares sob risco de colapso em Pernambuco

Sem abastecimento de remédios e equipamentos, unidades de saúde temem pela continuidade da paralisação nas estradas do País

Publicado Em 30/05 - 07h07

Hospitais particulares alertam para o risco de desabastecimento de insumos e remédios caso a greve dos caminhoneiros se prolongue. De acordo com o sindicato das empresas do setor (Sindhospe), que representa 196 hospitais e 1,4 mil estabelecimentos de saúde em Pernambuco, o estoque vai chegar a um estado crítico na próxima segunda-feira. A maioria dos produtos vêm do Sul e Sudeste do País.

“Se até segunda-feira não resolver, entra em colapso. Antigamente, na época da inflação alta, os hospitais faziam estoques para vários meses. Agora, duram no máximo 15 dias. Alguns hospitais estão passando por dificuldade por virtude de abastecimento. Principalmente os que ficam no interior”, diz o presidente do Sindhospe, George Trigueiro.

A principal preocupação é relacionada aos pacientes de hemodiálise. O procedimento ajuda os rins a filtrarem sangue quando esses órgãos passam a ter perda progressiva e irreversível da função. A interrupção do tratamento pode levar à morte dos pacientes.

O Sindhospe e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) estão acompanhando a situação com apoio do Gabinete de Gerenciamento de Crise do governo do Estado. Na terça-feira (29), um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) transportou oito toneladas de insumos de Minas Gerais ao Recife. Do carregamento, 350 caixas com insumos para hemodiálise foram encaminhadas para a clínica SOS Rins, em Caruaru, no Agreste do Estado, em caminhões escoltados pelo Exército. O estabelecimento atende 400 pessoas, sendo 40 do Hospital Regional do Agreste. A FAB deve entregar mais oito toneladas em Pernambuco.

Além da entrega de insumos, a paralisação também afeta os serviços de lavanderia terceirizadas dos hospitais e o abastecimento de gás de cozinha. Os profissionais também enfrentam problemas de deslocamento, principalmente no interior do Estado, segundo o presidente do Cremepe, André Dubeux.

Por consequência, o atendimento homecare, realizado na casa dos pacientes, enfrenta dificuldades. A Interne Soluções em Saúde, empresa que oferece esse tipo de serviço no Grande Recife, teve que alugar seis carros a gás para transportar os profissionais de saúde. A prioridade são os 300 pacientes em estado crítico. A frota própria conta com 40 veículos, entre carros e motos, que rodam mais de 200 mil quilômetros por mês. Mas não há combustível para todos.

“Eu tenho minha frota própria e só contrato profissionais que possuam o próprio carro, eu patrocino o combustível deles. Porém, os profissionais também não têm combustível, não tem prioridade nos postos e não podem esperar em filas porque precisam atender à população. A situação é desastrosa”, afirma a diretora executiva da empresa, Paula Meira. “O governo do Estado está viabilizando o abastecimento das ambulâncias da Interne, que podem transportar os médicos plantonistas. Mas os outros profissionais, na faixa de 140, entre enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e médicos, que trabalham com seus carros particulares, enfrentam muitas dificuldades”, complementa.


REDE PÚBLICA

A Secretaria de Saúde afirma que, desde a quinta-feira (24), cargas de combustível foram liberadas do Porto de Suape, suprindo as demandas de ambulâncias de hospitais, do Samu, de carros para transporte de pacientes, alimentação, gás hospitalar, homecare e gás de cozinha, lavanderias, carros de lixo hospitalar e carros municipais do SUS. Também foram liberados caminhões com insumos hospitalares.


 

PORTAL G1


Avião da FAB com 16 toneladas de medicamentos chega em Salvador

Transporte aéreo precisou ser feito por conta dos efeitos da greve dos caminhoneiros em todo o país. Aeronave saiu de São Paulo por volta das 14h10 e chegou na capital baiana no final da tarde desta quarta (30).

Publicado Em 30/05 - 18h09

A aeronave C-130 Hércules do Esquadrão Cascavel (1º GTT), da Força Aérea Brasileira (FAB), pousou à Salvador no final da tarde desta quarta-feira (30) com 16 toneladas de medicamentos. A greve dos caminhoneiros, que chegou ao 10º dia nesta quarta, afetou o fornecimento do insumos para os hospitais da capital baiana por conta dos bloqueios nas estradas. Por isso, foi necessário trazê-los via aérea.

O avião da FAB partiu da Base Aérea da capital paulista por volta das 14h10. Os medicamentos enviados pelo Ministério da Saúde são reagentes usados na transfusão de sangue, necessários na realização de procedimentos de hemodiálise. Não há detalhes sobre as unidades de saúde que receberão os medicamentos.

De acordo com a FAB, a prioridade é a distribuição de medicamentos e insumos essenciais para a saúde da população, como aqueles usados no tratamento de hemodiálise, para transplantados, oncológicos e de uso contínuo.

 

Pacientes de Fernando de Noronha são transferidos para o Recife em avião da Aeronáutica

Uma aeronave do Governo do Estado também transportou um morador com suspeita de infarto

Ana Clara Marinho Publicada Em 30/05 - 17h59

Um avião Bandeirante, da Força Aérea Brasileira (FAB), fez o resgate de dois pacientes nesta quarta-feira (30), em Fernando de Noronha. Eles foram transferidos para atendimento médico no Recife. O garçom Isaac Messias Santana, sofreu um acidente de moto e quebrou as duas pernas nessa terça-feira (29). Já a cozinheira Daniela Rodrigues, está grávida e precisava fazer exames na capital pernambucana.

Um terceiro paciente, José Carlos de Barros, também foi transferido neste quarta-feira (30) pela manhã. José Barros, comerciante popular na ilha conhecido como Gostosinho, teve uma suspeita de infarto e de infecção generalizada. Ele foi encaminhado num avião de salvamento contratado pelo Governo do Estado. O comerciante está internado no Hospital Agamenon Magalhães.

Transferências

A demora para transferência de pacientes por falta de aeronaves foi motivo de reclamação dos familiares que aguardavam no Hospital São Lucas, na noite da terça-feira (29). Muitos moradores concordam com as reclamações. “Eu acho que a transferência deveria ser mais rápida, Isaac Messias aguarda desde ontem, demorou um pouco. No meu caso eu soube hoje que precisaria viajar para fazer um exame, tive algumas complicações, mas está tudo tranquilo”, disse a gestante Daniela Rodrigues, que está com cinco meses. 

O apoio da Aeronáutica foi considerado importante. “É muito importante o apoio da Aeronáutica para os moradores de Fernando de Noronha, ajuda bastante. Meu filho está bem, o problema dele é a fratura nas pernas, mas o atendimento foi bom”, falou o pai do paciente Isaac, Sinval Luís da Silva. O avião da FAB decolou no início da tarde para o Recife.

“Nós recebemos a solicitação da Secretaria de Saúde e nos praticamos a prestar a colaboração aos moradores de Fernando de Noronha. Enviamos uma aeronave que estava em Natal, com equipe especializada para a missão. A FAB sempre estará disponível para ajudar, principalmente em momentos de crise, como agora”, informou o comandante do Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta III) , brigadeiro Walcyr Josué de Castilho Araújo. O avião da FAB decolou no início da tarde para o Recife.

 

Comandante do Exército anunciou intervenção? Não é verdade! Constituição prevê intervenção após greve ou pedidos a militares? Não é verdade! | É ou não é?

Imagens, áudios e mensagens de texto circulam pelas redes sociais difundindo ideias falsas sobre a possibilidade de intervenção militar. Exército e juristas desmentem o conteúdo dessas mensagens

Adriane Schultz, Debora Cunha, Roney Domingos E Ma Publicado Em 30/05 - 19h01

Em meio à greve dos caminhoneiros, circulam nas redes sociais e também em grupos de WhatsApp mensagens de apoio à intervenção militar, todas rechaçadas pelo Exército e por juristas. O G1 checou as principais mensagens que têm circulado sobre o tema . Veja algumas:

Comandante do Exército Eduardo Villas Bôas anunciou a intervenção militar? Não é verdade!

Viralizaram nas redes sociais um áudio e uma carta atribuídos ao comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas. O G1 constatou que tanto a carta quanto o áudio que circulam pelo WhatsApp não são verdadeiros.

Nas mensagens, o autor pede que a população, em todas as capitais brasileiras, saia às ruas para pedir intervenção militar na quinta-feira (30) e diz que no dia seguinte, a partir das 8 horas da manhã, o Exército iria intervir.

Segundo a assessoria do Exército Brasileiro, as informações são falsas e Villas Bôas não deu essa declaração. Em nota, a assessoria afirma: "tanto a declaração quanto o texto não expressam o pensamento do Exmo. Sr. General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, Comandante do Exército Brasileiro, nem da instituição".

Diz ainda que "é importante destacar que Exército Brasileiro é uma Instituição de Estado, cuja atuação é baseada na legalidade e fundamentada em valores democráticos e nos princípios constitucionais".

Brasileiros e brasileiras, aqui quem fala com vocês é o general do exército do Brasil, Eduardo Villas Bôas. Estávamos reunidos a semana inteira para tratar da crise do caminhoneiros junto ao almirante de esquadra da marinha Eduardo Ferreira e o tenente brigadeiro do ar da Aeronáutica do Brasil, Nivaldo Rossato. A Constituição Brasileira no seu artigo 142 dá ao presidente poder sobre as Forças Armadas, no entanto, esse presidente que se instituiu, se instituiu através de um golpe, e não do povo. E atendendo ao clamor popular, nós decidimos que nós iremos tomar uma decisão. O que estamos pedindo pra vocês é que essa quarta-feira, dia 30 de maio, às cinco horas da tarde, em todas as capitais brasileiras vocês saiam à ruas e peçam pela intervenção militar. Dia 31, a partir das 8 horas da manhã, nós iremos intervir. Iremos destituir o presidente junto com o Congresso Nacional e o Judiciário. Devido a corrupção que se instalou nesse país, faremos um governo interino e garantiremos a ordem e a segurança. Pedimos aos brasileiros paciência, pois não sabemos ao certo quanto tempo esse governo interino vai durar. Porém, nós não faremos golpe e sim convocaremos novas eleições. Peço ajuda a todos os brasileiros e que Deus nos abençoe.

Constituição autoriza intervenção militar após sete dias e seis horas de greve? Não é verdade!

Mensagens que circulam em redes sociais afirmam que, de acordo com o artigo 1º da Constituição Federal, o Exército pode tomar o poder após sete dias e seis horas de greve. Não é verdade!

Segundo o jurista Luiz Flávio Gomes, essa informação não existe na Constituição Federal e se trata de fake news. "Não existe essa informação nem no primeiro artigo, nem na Constituição", diz.

Roberto Dias, professor de direito constitucional da PUC-SP e da FGV – SP, também afirma que a Constituição Brasileira não prevê implantação de intervenção militar: "Os militares são subordinados ao presidente da República, tomar o poder à força é inconstitucional, isso é caracterizado como golpe".

Consultada, a Ordem dos Advogados do Brasil respondeu que "a Constituição Federal e as leis em vigor não estabelecem nenhuma hipótese para a realização de uma "intervenção militar" no país. Segundo a OAB, a tomada do poder pelas Forças Armadas consistiria em uma atitude contrária, portanto, à lei e seria considerada um golpe de Estado em seu sentido clássico.

A nota enviada pela OAB explica ainda que o que existe no ordenamento jurídico brasileiro é a possibilidade de intervenção da administração federal nas administrações estaduais.

Essa intervenção pode ser ampla ou setorizada, em apenas uma área (é o que ocorre, por exemplo, com a segurança pública do Rio de Janeiro neste momento).

O responsável por nomear o interventor é o presidente da República, que pode escolher quem quiser para o cargo. Coincidentemente, o interventor no Rio é um militar, mas poderia ser alguém com outra profissão civil. A solução para os problemas do Brasil passa pelo respeito irrestrito aos princípios constitucionais.

"Para o males da democracia, precisamos é de mais democracia", diz a nota da OAB.

Veja o que diz o artigo 1º da Constituição:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Confira a íntegra de uma das mensagens:

Vamos aguentar pessoal , pois para o exército brasileiro e as forças armadas intervir temos que resistir sete dias e seis horas isso é #lei, para que tenham poder para interdição militar, muitos soldados já foram convocados para esse ato, entao segunda feira é o dia e pelas contas irá acontecer ao meio dia.
Mandar mensagem para número de telefone do Exército pode levar à intervenção militar? Não é verdade!

Um outro áudio que circula afirma que, quanto mais pessoas enviarem mensagens pedindo "intervenção militar" para um número específico de telefone do Exército, maior a chance de o pedido ser atendido, já que a Constituição afirma que "o poder emana do povo". Não é verdade.

Segundo o Exército, a informação não é verdadeira: "Essa informação é totalmente falsa. Não há concepção de intervenção militar".

Ives Gandra Martins, jurista e professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, diz que a informação que circula na internet sobre a possibilidade de intervenção militar não tem fundamento. Ele cita o artigo 142 da Constituição.

Veja o que o artigo 142 diz:

"Art. 142 - As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

O jurista Luiz Flávio Gomes explica ainda que apesar de o artigo 1º da Constituição trazer, em seu parágrafo único, a informação de que "o poder emana do povo", esse princípio só é válido de acordo com mecanismos previstos na Constituição, entre os quais não está a possibilidade de pedir uma intervenção militar.

Confira a transcrição do áudio:

Pessoal, pessoal do grupo, bom dia e um grande abraço a todos vocês. Quem está falando aqui é o Dodô, pessoal. Eu queria passar um negócio pra vocês aí. Vocês que estão aí apoiando os caminhoneiros e esperando uma reação dos militares do Brasil. Eu, como ex militar no ano de 92 a 94, no regimento 2º HP Marechal Deodoro da cidade de Itu, em São Paulo, Batalhão da Antiaerea Infantaria, quero passar pra vocês uma coisa, pessoal. Veja bem. O Exército Brasileiro, as Forças Armadas, só pode invadir o Palácio do Planalto e tomar o poder caso eles tenham várias assinaturas do povo brasileiro autorizando. E como funciona essa assinatura? Essa assinatura funciona assim. Você não precisa assinar um papel, fazer um plebiscito, nada disso. Basta você mandar uma mensagem no número de telefone do Exército Brasileiro dizendo assim: "eu quero intervenção militar". Se você mandar uma mensagem pedindo intervenção militar, se 100 pessoas mandarem a mensagem pedindo intervenção militar, no Exército existe uma lei que diz que todo poder emana pelo povo. Então, o exército defende o povo brasileiro. Se 100 pessoas mandarem essa mensagem "eu quero intervenção militar", para o exército, 100 pessoas é como se fossem 100 mil pessoas. Se 50 pessoas mandarem mensagem, é como se fossem 50 mil pessoas. Agora se mil pessoas mandarem, é como se fosse 1 milhão de pessoas. Se 100 pessoas mandarem, já basta para eles a intervenção militar, para eles assumirem o comando lá. Então, eu vou mandar aqui no grupo para vocês agora o telefone do exército. Se cada um de vocês fazer sua parte o Michel Temer vai cair de lá, o exército vai invadir. Mas cada um de vocês precisa mandar uma mensagem nesse telefone do exército brasileiro, dizendo assim: "eu quero intervenção militar. Meu nome é fulano de tal". Não precisa colocar sobrenome, coloca só seu primeiro nome e diz que você quer intervenção militar e o resto deixa que o exército brasileiro faz o serviço deles. Tá bom, pessoal? Eu vou mandar pra vocês o número de telefone do exército brasileiro e cada cidadão aí faz a sua parte. Um grande abraço a todos vocês. Quem fala é o Dodô, o símbolo sexual da beleza.


 

AGÊNCIA REUTERS


Governo pede que caminhoneiros denunciem intimidações e diz que uso da violência será punida com rigor


Lisandra Paraguassu Publicada Em 30/05 - 13h41

 A avaliação do governo federal para o 10º dia da paralisação dos caminhoneiros é de que a situação caminha para a normalidade, mas pontos de bloqueio estão sendo feitos com intimidação e uso da violência contra os caminhoneiros.

“Não temos mais um movimento de caminhoneiros. O que temos hoje é uso de violência contra os caminhoneiros”, disse o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen.

De acordo com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, a Polícia Federal tem 52 inquéritos abertos contra empresários que incentivaram a paralisação por crime de locaute, mas o governo também irá investigar e punir a atuação de milícias e grupos violentos. O governo vai abrir um canal de comunicação para receber denúncias dessa violência.

“O que estamos assistindo é um espetáculo degradante de covardia daqueles que querem impedir os caminhoneiros de voltar às suas famílias. Nas próximas horas vamos criar um canal direto para atender essas denúncias de violência. Vamos punir na forma da lei com rigor esses que estão cometendo essa violência”, disse Jungmann.

A ministra da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, disse que a Polícia Federal já dispõe de imagens e documentos para que essas ações violentas sejam penalizadas. Etchegoyen garantiu, do seu lado, que os caminhoneiros serão protegidos.

Grace Mendonça informou também que, além das primeiras 96 empresas multadas em 141 milhões de reais por descumprimento de decisão judicial, outros lotes serão entregues ainda nesta quarta ao Supremo Tribunal Federal.

As multas, de 100 mil reais por hora, foram impostas a empresas que não respeitaram a determinação de não bloquear vias e impedir a circulação. Segundo a ministra, não se trata mais de multas administrativas, mas multas processuais por descumprimento de decisão judicial.

O efetivo das Forças Armadas na operação somam 20 mil militares, segundo o ministro da Segurança Pública. Somados aos policiais rodoviários federais e a agentes da Força Nacional de Segurança, o número de homens e mulheres envolvidos chega a cerca de 30 mil.

 

AGÊNCIA BRASIL


Exército e PRF desmobilizam bloqueios nas rodovias de São Paulo


Publicada Em 30/05/2018 - 12h55

Uma força conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Exército, da Força Aérea Brasileira e da Polícia Militar de São Paulo desmobilizou hoje (30) pela manhã pontos de bloqueio nas rodovias paulistas que ainda estavam ocupadas por caminhoneiros.

Um dos principais pontos na Rodovia Régis Bittencourt (que liga São Paulo aos estados do Sul), localizado na altura do município de Embu das Artes (km 279 e 280), começou a ser desbloqueado hoje (30) com a chegada de um batalhão do Exército logo pela manhã. 

Em comunicado, a PRF informou que a operação está à disposição de "todos os que se sintam ameaçados no deslocamento".

"Monitoramos estes pontos para que não haja este tipo de constrangimento, além de autuar, baseado no Código de Trânsito, aqueles que usam os veículos para, deliberadamente, interromper ou dificultar o fluxo normal de veículos", ressaltou a corporação.

A Polícia Rodoviária também informou que vai escoltar comboios de caminhoneiros a várias regiões do país.

Pontos

A Rodovia Régis Bittencourt registrava, hoje pela manhã, pontos de mobilização nos quilômetros 279 ao 280 (Embu das Artes), 384 ao 385 (Miracatu) e 476 ao 477 (Jacupiranga). No sentido SP, manifestações nos trechos de Campina Grande, do km 68 ao km 67; Embu das Artes, do km 280 ao km 279; e Jacupiranga, do km 477 ao km 476.

A concessionária NovaDutra, que administra a Rodovia Presidente Dutra (ligação São Paulo ao Rio de Janeiro), informou que todos os trechos da rodovia foram liberados na manhã de hoje, após ação da força conjunta, restando pontos de manifestação somente em postos de serviço e acostamentos, sem influenciar o tráfego de automóveis. Os pontos foram desmobilizados sem registro de resistência dos grupos.

Nas Rodoviais Anhanguera e Bandeirantes (ligação de São Paulo ao interior do estado) não há registro de manifestantes ou bloqueios nas vias nos dois sentidos. Na Rodovia Fernão Dias (ligação de São Paulo a Minas Gerais) também não há registro de manifestantes e de bloqueios nas duas vias e nos dois sentidos. As rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares também não registram bloqueios.

Anchieta

As rodovias Anchieta e Imigrantes (ligação de São Paulo ao litoral) estavam sem pontos de bloqueio ou manifestação na manhã de hoje. Ontem (29) à tarde, a Força Tática da Polícia Militar utilizou bombas de gás para dispersar caminhoneiros que estavam parados no acostamento do km 23 da Rodovia Anchieta, em São Paulo.

 

Telebras desativa conexões de satélite que levavam internet ao Norte


Publicado Em 30/05/2018 - 17h05

Após a decisão da Justiça Federal do Amazonas determinando sanção por não apresentar a íntegra do contrato firmado com a Viasat para exploração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), a Telebras informou hoje (30) que resolveu desligar os quatro pontos do país que já estavam sendo atendidos pelo satélite.

Os pontos estavam localizados em Pacaraima (RR) e atendiam unidades ligadas ao programa Gesac, que prevê o atendimento de escolas, Unidades Básicas de Saúde (UBS), postos de fronteiras, aldeias indígenas e comunidades quilombolas, por meio de conexões de banda larga.

“O desligamento desses pontos, que eram operados diretamente pela Telebras, ocorreu por ordem da juíza da 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Estado do Amazonas”, disse a Telebras. De acordo com a empresa, os pontos foram ligados em 29 de março de 2018 e se mantiveram ativos, em caráter experimental, devido à disputa judicial envolvendo o contrato firmado pela empresa com a Viasat para a exploração do satélite.

Eles atendiam um posto de fronteira, operado pelo Exército, duas escolas municipais e outra escola, destinada a uma comunidade indígena. “Ao todo, quase 1.500 alunos haviam passado a se beneficiar com internet de alta qualidade”, diz a nota.

Decisão judicial

A remoção envolve uma discussão judicial em torno do contrato com a Viasat para operação do satélite para exploração de banda larga. Na segunda-feira (28), a Telebras informou que entregou uma cópia integral de seu contrato com a empresa norte-americana à 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Estado do Amazonas. A Justiça havia determinado multa de R$ 5,1 milhões de multa caso a empresa não apresentasse o documento.

Na decisão, a juíza Jaiza Fraxe, titular da 1ª Vara Cível da Justiça Federal no Amazonas, argumentou que é um “desapreço com o sistema de justiça federal” manter “documento de inquestionável interesse público” sob sigilo. Ainda na segunda-feira, a Telebras havia soltado nota informando que está colaborando com a Justiça e cumprirá qualquer decisão

A ação questionando o contrato foi movida em março, pela Via Direta Telecomunicações por Satélite e Internet, de Manaus, que resultou na suspensão do documento.

 

PORTAL VEJA.COM


Intervenção militar não foi decretada no Brasil – e nem será amanhã

Intervencionistas atribuem falsamente "comunicado" e áudio ao comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, no WhatsApp

João Pedroso De Campos Publicada Em 30/05 - 17h59

Mesmo com o arrefecimento da greve dos caminhoneiros, os amalucados entusiastas da intervenção militar no Brasil mantêm sua saga de espalhar por aí que as Forças Armadas estão prestes a destituir o presidente Michel Temer e tomar o poder. Dois boatos com a ladainha intervencionista começaram a circular com força no WhatsApp nesta quarta-feira, 30.

Um deles, propagado na forma de um tosco “comunicado oficial” atribuído ao comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas (foto acima), garante que a intervenção militar já foi decretada à meia-noite desta quarta-feira e que uma junta militar vai comandar o país até o dia 31 de dezembro de 2018. Todos os partidos foram extintos, diz o texto, que inclui até foto de Villas Boas.

Na outra lorota, um áudio igualmente lunático, um sujeito fala como se fosse Villas Boas e pede aos brasileiros para irem às ruas às 17h desta quarta-feira, pedindo pela intervenção. Como resultado, as Forças Armadas interviriam nesta quinta-feira, 31, a partir das 8h. Leia abaixo a transcrição da gravação:

“Brasileiros e brasileiras, aqui quem fala com vocês é o general de Exército do Brasil, Eduardo Villas Boas. Estávamos reunidos a semana inteira para tratar da crise dos caminhoneiros junto ao almirante de esquadra da Marinha, Eduardo Ferreira, e o tenente brigadeiro do ar da Aeronáutica do Brasil, Nivaldo Rossato, a Constituição brasileira, em seu artigo 142, dá ao presidente poder sobre as Forças Armadas. No entanto, esse presidente que se instituiu se instituiu através de um golpe e não do povo. E atendendo ao clamor popular, nós decidimos que iremos tomar uma decisão. O que estamos pedindo pra vocês é que nesta quarta-feira, dia 30 de maio, às 5 horas da tarde, em todas as capitais brasileiras, vocês saiam às ruas e peçam pela intervenção militar. Dia 31, a partir das 8 horas da manhã, nós iremos intervir, nós iremos destituir o presidente, junto com o Congresso Nacional e o Judiciário. Devido à corrupção que se instalou nesse país, faremos um governo interino e garantiremos a ordem e a segurança. Pedimos aos brasileiros paciência, porque não sabemos ao certo quanto tempo esse governo interino vai durar. Porém, nós não faremos golpe e sim convocaremos novas eleições. Peço ajuda a todos os brasileiros e que Deus nos abençoe”.

O Brasil não está em meio a uma intervenção militar e nem estará amanhã pela manhã, por mais que as ruas do país sejam tomadas por intervencionistas com saudades da ditadura. As únicas manifestações públicas do general Eduardo Villas Boas nesta quarta-feira são estes três tuítes, um deles de agradecimento aos militares que, por ordem do presidente da República, atuaram na desmobilização da greve dos motoristas.

Caso os militares tivessem declarado vaga a Presidência, tal qual o senador Auro de Moura Andrade, em 1964, e decretado a extinção de partidos políticos, haveria uma cobertura ostensiva, ampla, geral e irrestrita pela imprensa profissional. Não se falaria em outra coisa no país. Não é nem um pouco razoável a ideia de que um acontecimento dessa magnitude tenha sido “noticiado” apenas no WhatsApp ou nas redes sociais.

Além do mais, se a ideia era fazer alguém acreditar que houve ou haverá uma intervenção militar, as mentes desocupadas que perderam tempo elaborando o texto e a gravação poderiam ter caprichado mais no uso da língua portuguesa e na imitação de Eduardo Villas Boas. Era o mínimo.

Nos breves 42 caracteres do trecho “declaramos vago à Presidência da Republica”, o boateiro cometeu nada menos que um erro de concordância nominal, um de acentuação e um equívoco no uso da crase. Em “com isso assume o Governo do BRASIL as forças armadas e Junta Militar que governará até o dia 31 de Dezembro de 2018”, há dois erros de concordância verbal e duas vírgulas ausentes, além de “forças armadas” não estar grafado em letras maiúsculas. Uma calamidade.

Fora os erros de português no “decreto”, a voz do homem que anuncia a intervenção militar não tem nada a ver com a do comandante do Exército.

 

RÁDIO CBN


Tropas do Exército atuam em rodovias de SP para garantir circulação de caminhões


Publicado Em 30/05 - 10h06

Militares foram acionados para assegurar tráfico de caminhoneiros que querem deixar bloqueios na Dutra e na Régis Bittencourt. Cerca de 300 homens do Exército e da Aeronáutica foram deslocados para o trecho de Embu das Artes, na Régis. Helicóptero também está sendo utilizado.

 

Democracia não é ausência de ordem, mas de opressão


Publicado Em 30/05/2018

Muitas pessoas acham que a democracia, por levar à discussão e à reivindicação, leva ao caos e à bagunça. Mas é o contrário. Ela leva à ausência da opressão para que possamos ordenar a nossa vida coletiva.

Aúdio disponível em: http://audioglobo.globo.com/cbn/podcast/feed/481/no-meio-do-caminho-mario-sergio-cortella?audioId=186855

 

OUTRAS MÍDIAS


TELETIME (SP) - TeleProcurador da República pede suspensão de acordo da Telebras com a Viasat


Bruno Do Amaral Publicado Em 30/05/2018 - 16h31

Enquanto a Telebras e a Viasat cumpriam na noite da terça-feira, 29, decisão da Justiça Federal do Amazonas de entregar a íntegra do contrato, o representante do Ministério Público Federal, o procurador da República José Gladson Viana Correia, entregou parecer no qual indica o deferimento da liminar pedida pelo Sindicato Nacional de Empresas de Telecomunicações por Satélite (Sindisat), que pedia suspensão do acordo. De acordo com a manifestação, a entidade teria apresentado "motivos para que se suspeite da insuficiente transparência da Telebras na escolha do parceiro comercial".

Para ele, a realização de um chamamento público no ano passado para a exploração da capacidade comercial do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC) "indica a viabilidade de procedimento concorrencial, de modo a respeitar os princípios da isonomia, da impessoalidade, da moralidade e da competitividade, o que não foi observado". Assim, acredita que a Telebras não apresentou motivos técnicos e justificados para que um novo certame tenha sido inviabilizado.

O procurador afirma que as justificativas apresentadas pela Telebras para a contratação da Viasat "não foram acompanhados de fundamentação técnica", especialmente em relação à incapacidade de outras empresas do setor de atender ao cronograma de ativação dos equipamentos previsto pela empresa. Declara ainda que a Viasat não seria a única a ter atributos alegados (experiência internacional, alinhamento estratégico e recebimento de prêmios). E diz que "alguns dos fundamentos evocados não mantêm relação com o contrato a ser executado, como a capacidade de fabricar equipamentos de satélite".

Ou seja, na visão do Ministério Público, mesmo que a Telebras não reconheça o chamamento público como licitação, a possível vulneração no art. 28, §3o, II, da Lei nº 13.303/16 (a Lei das Estatais) "torna provável, de todo modo, a ilegalidade da parceria firmada pela estatal" por entender que não se pode escolher um parceiro arbitrariamente. O item da legislação fala que os contratos com terceiros destinados à prestação de serviços às empresas de economia mista serão precedidos de licitação "nos casos em que a escolha do parceiro esteja associada a suas características particulares, vinculada a oportunidades de negócio definidas e específicas, justificada a inviabilidade de procedimento competitivo". O parecer diz que a Telebras tinha duas opções: realizar uma licitação ou justificar "de modo técnico e minucioso" pela inviabilidade. "Preferiu-se não adotar qualquer desses caminhos."

Há ainda a indicação de que a imediata execução da parceria poderia trazer riscos por permitir à Telebras e à Viasat lucrar "com base em negócio jurídico obscuro sobre o qual recaem graves e fundadas suspeitas de ofensa aos princípios da impessoalidade, da isonomia, da competitividade e da transparência que deveriam regê-la". E volta a falar em "riscos à soberania nacional" ao explicar que o contrato esvazia a função da Telebras de explorar a banda Ka do satélite sem reservas para o cumprimento dos objetivos do Programa Nacional de Banda Larga. Pede também que a Anatel contribua no processo como mediadora com competência técnica.

No parecer entregue ao Tribunal de Justiça do Amazonas, Correia entende que não é possível por enquanto concluir que há inconsistência na defesa apresentada pela Telebras a respeito do pedido de sigilo comercial. Por isso, pede indeferimento do pedido de tutela provisória pedindo exibição dos documentos – o que, de qualquer forma, já não se aplica com a apresentação do contrato. Por outro lado, afirma que há "elementos que apontam para a probabilidade do direito" no pedido de tutela de urgência para a suspensão do acordo.

 

AOS FATOS - É falso áudio de WhatsApp em que comandante do Exército anuncia intervenção militar


Bernardo Moura Publicado Em 30/05 - 17h08

É falso o áudio que circula no Whatsapp atribuído ao comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, e que fala em uma intervenção militar a partir desta quinta-feira (31) para “destituir o presidente junto com o Congresso Nacional e o Judiciário”. O conteúdo foi denunciado como enganoso por leitores de Aos Fatos nesta quarta-feira (30). O Exército nega a veracidade do áudio, que ainda contém uma série de indícios de falsidade. Confira abaixo, em detalhes, o que verificamos.

FALSO

Dia 31, a partir das 8 horas da manhã, nós iremos intervir. Nós iremos destituir o presidente junto com o Congresso Nacional e o Judiciário.

Ao iniciar a mensagem de voz de dois minutos, ouvimos uma voz masculina, em tom pausado e quase informal, se apresentar como o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Ele diz que, por conta da greve dos caminhoneiros, esteve reunido “a semana inteira” com os comandantes da Marinha, o almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, e da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato. Nesse momento, há o primeiro indício claro da falsidade do áudio: o narrador erra o sobrenome do chefe da Aeronáutica, chamando-o de “Possato”.

Em seguida, o suposto comandante do Exército afirma que, apesar da Constituição dar poderes ao Presidente da República sobre as Forças Armadas, o atual ocupante do Palácio do Planalto “se instituiu através de um golpe, e não do povo”. Por isso, “atendendo a um clamor popular”, pede aos brasileiros manifestações em defesa da intervenção militar com a promessa de tomar o poder exatamente às 8 horas da manhã desta quinta-feira (31). Pede, também, “paciência” à população, “pois não sabemos ao certo quanto tempo esse governo interino vai durar”. A mensagem adverte, porém, que “não faremos golpe e, sim, convocaremos novas eleições”.

O Exército Brasileiro nega que a voz no áudio seja a de seu comandante. Para Aos Fatos, o Centro de Comunicação Social da Força afirmou nesta quarta que a mensagem de áudio não expressa o pensamento do comandante Villas-Bôas e nem da instituição. “É importante destacar que o Exército Brasileiro é uma instituição de Estado, cuja atuação é baseada na legalidade e fundamentada em valores democráticos e nos princípios constitucionais”, ressalta a nota da instituição.

Ainda assim, Aos Fatos fez comparações entre a voz do áudio e a do comandante do Exército - disponível em vídeos na página da instituição no YouTube - e pôde atestar que são mesmo diferentes. A distinção mais evidente está na pronúncia de palavras com a letra ‘r’. Villas Bôas também guarda um pouco do sotaque gaúcho - ele é natural de Cruz Alta (RS) -, o que não aparece no áudio compartilhado.

Por fim, em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo em 10 de dezembro de 2016, o general Villas Bôas já havia rechaçado a possibilidade de uma intervenção militar no país, ideia classificada por ele como de “tresloucados” e “malucos”.

Na última semana, a eclosão da greve dos caminhoneiros fez crescer, nas redes sociais, a circulação de conteúdos enganosos em favor de uma intervenção militar no Brasil. No último fim de semana, Aos Fatos desmentiu notícia falsa sobre uma pesquisa que teria constatado 94% de aprovação à intervenção militar. Tal levantamento nunca existiu.

Em abril, antes da paralisação no transporte de carga, boato desmentido dentro da iniciativa de verificação de notícias falsas no Facebook dava conta de que militares estariam vigiando as atividades do Senado. Na verdade, eram estagiários de um curso da Escola Superior de Guerra.

 

AERO MAGAZINE (SP) - Greve de caminhoneiros provoca cancelamento da maior feira de aviação leve do país

Falta de combustível em aeroportos e crise de abastecimento nas cidades obrigam organização a suspender evento no interior de São Paulo, que reuniria pelo menos 300 aeronaves

Edmundo Ubiratan Publicado Em 30/05 - 16h37

A crise gerada pela greve dos caminhoneiros levou ao desabastecimento dos principais aeroportos do país, além de reflexos em diversos setores, de postos de gasolina a supermercados. Um dos mais recentes impactos ocorre com o principal encontro da aviação leve do Brasil.

O Aviashow, que ocorre anualmente na cidade de Regente Feijó, no interior paulista, foi cancelada em virtude da greve dos caminhoneiros. O encontro aconteceria neste fim de semana, de 1 a 3 de junho.

Em nota, a organização afirma que a motivação se deve à falta de combustível, que levou ao cancelamento da apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Além disso, os hotéis da região de Presidente Prudente também iniciaram o cancelamento de reservas, pela ausência de condições em receber seus hóspedes.

Passada mais de década e meia desde sua primeira edição, em 2001, a Feira de Aviação Desportiva cresceu e se consolidou, adquirindo prestígio ano a ano ao prover a confraternização da comunidade aeronáutica, sobretudo entusiastas da aviação geral.

Todos os anos, aproximadamente 300 aeronaves pousam no aeródromo José Martins da Silva, em Regente Feijó, para participar do encontro, organizado pelo Aeropark Clube de Voo Desportivo. A pista de grama limita a chegada de aeronaves maiores, o que acaba por determinar o perfil dos participantes da feira. São em sua imensa maioria operadores privados, especialmente pilotos-proprietários de modelos leves e esportivos (LSA) e monomotores a pistão certificados.

O encontro não possui nova data para acontecer, dependendo da normalização da crise.

 

CAVOK - FAB: Militares são capacitados em avaliação da aeronave Gripen | Cavok Brasil


Fernando Valduga Publicado Em 30/05

Os alunos do XXVII Curso de Ensaios em Voo (CEV) realizaram, entre os dias 07 e 18 de maio, a avaliação final do curso, chamada Preview, na aeronave JAS 39 Gripen D, em Linköping, Suécia. O objetivo foi verificar a capacidade dos pilotos e engenheiros alunos em avaliar uma aeronave de alta performance para as ações de defesa aérea e ataque.

A avaliação foi baseada na Solicitação de Ensaio de Instrução, feita pela Divisão de Formação em Ensaios em Voo, do Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV), Unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) localizada em São José dos Campos (SP), e reúne os principais requisitos operacionais e de certificação da aeronave. Com base na solicitação, os alunos devem demonstrar ser capazes de planejar as missões num perfil que permita a avaliação desses requisitos, com a aplicação das técnicas de ensaio em voo necessárias para adquirir as informações para a avaliação. Eles devem, também, mostrar rápida adaptação à aeronave para pilotá-la a partir da posição dianteira, conduzir os voos com segurança e compilar os resultados num relatório de ensaio.

Na oportunidade, os pilotos e engenheiros alunos realizaram oito voos na aeronave JAS 39 Gripen D, pertencente à SAAB, e dois voos na aeronave “alvo” SK-60 (SAAB 105). “A Preview é uma excelente atividade para verificar o nível de aprendizagem dos alunos e colocá-los num ambiente de ensaio adverso, a fim de verificar a sua alta capacidade de adaptação. Num exercício como esse, o nível de maturidade e confiança dos alunos aumenta significativamente e, se aprovados, há uma confiança enorme que os alunos possam ser engajados nos diversos projetos que o IPEV está inserido”, afirma o Vice-Diretor do IPEV, Tenente-Coronel Aviador Marcelo Zampier Bussmann.

Após a conclusão do CEV, os novos pilotos e engenheiros de ensaio serão engajados em programas de outras aeronaves, como do KC-390 e do Gripen E/F, entre outros que o IPEV participa atualmente, a fim de garantir que a entrega das aeronaves seja realizada conforme os requisitos contratuais definidos.

“Nosso dever é garantir que as aeronaves atinjam os requisitos contratados, o que é bastante complexo quando se trata de sistemas cada vez mais modernos. O desenvolvimento das aeronaves, por meio dos ensaios em voo, contribui significativamente para que a FAB realize a sua missão constitucional em prol da sociedade brasileira”, destaca o Tenente-Coronel Bussmann.

Curso de Ensaios em Voo

O CEV tem por finalidade a formação de pilotos e engenheiros qualificados para planejar, executar e gerenciar atividades de Ensaios em Voo relacionadas com voos experimentais de desenvolvimento, modificação, avaliação ou certificação de aeronaves e/ou sistemas embarcados, bem como para verificar atividades desse gênero conduzidas por terceiros igualmente qualificados.

Fonte: IPEV – Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias

 

DEFESA AÉREA E NAVAL - O Conselho de Ministros de Portugal aprovou a despesa de €10 milhões para o programa da aeronave KC-390


Publicado Em 30/05/2018 - 02h00

PORTUGAL - O Governo vai atribuir €10 milhões para financiar a participação do Estado português, em parceria com a Embraer, no programa de desenvolvimento e produção da aeronave de transportes multimissão KC-390, aprovado hoje (30) pelo Conselho de Ministros.

O valor foi informado pelo ministro do Planejamento e da Infraestrutura, Pedro Marques, ao final da reunião.

A resolução que autoriza a despesa foi apresentada como fator de desenvolvimento, dinamização industrial no setor aeronáutico e para a economia nacional.

O KC390 vai substituir os aviões de transportes C-130 Hércules, da Força Aérea Portuguesa, e o programa tem a sua fase de conclusão prevista para o final deste ano.