NOTIMP - NOTICIÁRIO DA IMPRENSA

Capa Notimp Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil e até do mundo. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Parceria entre Embraer e Boeing é bem-vinda, diz Raul Jungmann

Ministro da Defesa falou, em entrevista à Rádio Folha, que o governo apoia a negociação, desde que a empresa de aviação brasileira não perca a soberania

Marina Barbosa Publicado Em 27/12 12h47

O possível acordo comercial entre a Embraer e a Boeing continua elevando as ações da empresa brasileira de aviação comercial, executiva, defesa e segurança. Ontem, por exemplo, os papéis da Embraer subiram mais 5,78% na Bovespa. Mas, na visão do ministro da defesa, os números são compreensíveis. É que, para Raul Jungmann, que este realmente pode ser um bom negócio, desde que preserve a soberania da empresa brasileira.

“Está havendo uma reestruturação do mercado global. Então, nesse sentido, a parceria entre a Boeing, que trabalha, sobretudo, no nicho das grandes aeronaves e a Embraer, que tem a liderança do mercado regional, é uma boa composição”, declarou o ministro da Defesa, concluindo que ,“se for de interesse das companhias, a associação entre a Boeing e a Embraer é muito bem-vinda”. “O Governo apoia, mas a Embraer não pode perder o controle porque aqui o controle remete a uma questão de soberania nacional”, frisou.

Em entrevista à Rádio Folha, o ministro alegou que “para defender os seus interesses, um país precisa ter base industrial”. Além disso, a fabricante de aviões brasileira também é responsável por uma série de projetos de interesse nacional. “A Embraer é a empresa que desenvolveu o controle espacial do Brasil e o reator nuclear para o submarino de produção nuclear, tem parceria no satélite que acabamos de lançar, desenhou a arquitetura do sistema integrado de monitoramento de fronteias e está no centro do nosso cluster de inovação, tecnologia e conhecimento. Por tudo isso, não pode ficar subordinada à decisão estrangeira”, concluiu, dizendo que nenhum país do mundo vende empresas que têm essa importância.

 

PORTAL UOL


Venda de Super Tucanos da Embraer para Nigéria é liberada pelos EUA em contrato de US $593 mi


Reuters Publicada 27/12/2017 às 19h43

Os Estados Unidos concordaram formalmente com a venda de 12 aviões militares Super Tucano A-29 e armamentos para a Nigéria, afirmou a Força Aérea do país africano, confirmando a retomada de um negócio congelado pelo governo de Barack Obama por preocupações com direitos humanos. 

O ex-presidente norte-americano tinha adiado a venda dos aviões da Embraer, fabricados na Flórida em parceria com a Sierra Nevada Corporation, em uma das últimas decisões de de seu mandato depois que a Força Aérea da Nigéria bombardeou um campo de refugiados em janeiro.

Mas seu sucessor, Donald Trump, decidiu levar adiante a transação para apoiar os esforços da Nigéria em combater os militantes do grupo Boko Haram e impulsionar empregos na indústria militar dos EUA, disseram fontes à agência de notícias Reuters em abril.

A aeronáutica nigeriana disse em comunicado que o Departamento de Estado norte-americano aprovou a venda e os pagamentos necessários serão feitos antes de 20 de fevereiro. Não houve declaração imediata da embaixada dos EUA ou de autoridades em Washington.

O governo dos EUA e os oficiais da Força Aérea da Nigéria vão se encontrar no início de janeiro para discutir a entrega antecipada das aeronaves, assim que o pagamento for feito, disse a Força Aérea nigeriana.

A venda dos 12 aviões, com armas e serviços, vale US$ 593 milhões e o negócio inclui milhares de bombas e foguetes.

O Super Tucano com capacidades de reconhecimento, vigilância e ataque, custa mais de US$ 10 milhões, e o preço do turboélice pode ser muito maior dependendo da configuração de cada aeronave.

 

PORTAL G-1


Em mensagem aos empregados, presidente da Embraer cita benefícios de possível parceria com a Boeing

O comunicado foi postado em um blog na intranet um dia depois que a fabricante brasileira confirmou que negocia uma fusão com a americana Boeing. CEO tenta tranquilizar os funcionários da companhia.

Publicado Em 26/12/2017 às 18h14

"Quero tranquilizá-los quanto ao futuro da nossa Embraer. Tenham a certeza de que, se vier a se concretizar, essa parceria será muito boa para todos", disse Paulo Cesar Silva, presidente da Embraer em mensagem interna de fim de ano aos trabalhadores. O comunicado foi postado em um blog da companhia um dia depois que a fabricante brasileira confirmou que negocia uma fusão com a Boeing. 

No texto, ele reforça que embora não haja confirmação sobre o fechamento de um acordo, acredita que as duas empresas terão benefícios em caso de união. Ele ainda se comprometeu, em caso de evolução das negociações, que manteria os gestores informados.

Sobre as dúvidas e receios dos trabalhadores, como a especulação sobre o risco de demissões, ele destacou que uma parceria desse porte caso ocorra é muito complexa e ainda há muito a ser discutido e aprovado, inclusive com o governo - que já manifestou que não cogita transferir o controle da empresa brasileira fabricante de aeronaves.

Para o presidente da companhia, essa parceria é uma evolução natural de uma longa história de colaboração entre as duas empresas aeroespaciais e que o objetivo da parceria é o crescimento da Embraer e a preservação de empregos.

"Juntas, Boeing e Embraer têm produtos e serviços complementares e poderão alavancar o know-how em engenharia e tecnologia e os esforços em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Além disso, expandir a capacidade de produção e força global de vendas", disse.


Leia abaixo o comunicado na íntegra:

Caros colegas,

Ontem (21/dez), confirmamos nossas discussões com a Boeing sobre uma potencial combinação dos nossos negócios. Embora não haja garantia de que fecharemos um acordo, eu acredito que haverá benefícios muito positivos para as duas empresas, se viermos a nos unir.

Tenho certeza de que essa notícia impactou todos vocês e gerou muitas dúvidas, mas por enquanto não temos mais informações a adicionar. Uma parceria desse porte é muito complexa, há muito a ser discutido e aprovado, inclusive junto ao governo brasileiro, ás agências reguladoras, conselhos de administração e acionistas.

Quando as discussões evoluírem, me comprometo a informá-los. Nesse momento, quero tranquilizá-los quanto ao futuro da nossa Embraer. Tenham a certeza de que, se vier a se concretizar, essa parceria será muito boa para todos. A combinação da Boeing com a Embraer é uma evolução natural de uma longa história de colaboração entre dois líderes aeroespaciais globais com legados de inovação e excelência.

Juntas, Boeing e Embraer têm produtos e serviços complementares e poderão alavancar o know-how em engenharia e tecnologia e os esforços em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Além disso, expandir a capacidade de produção e força global de vendas.

É importante ressaltar também que a Boeing tem um interesse genuíno em intensificar sua atuação no Brasil, e a parceria com a Embraer seria uma forma de crescimento e expansão.

Por isso, fiquem tranquilos com relação ao futuro da Embraer. Qualquer que seja o formato, combinação ou parceria, o objetivo será o sucesso e o crescimento da companhia e a preservação de empregos. Tenham certeza de que eu não estaria discutindo essa possibilidade se não fosse para benefício da Embraer, de vocês e das gerações futuras.

Finalmente, desejo a todos um Feliz Natal e um 2018 de muito sucesso) de grandes realizações e alegrias para vocês e suas famílias.

Um abraço,

Paulo Cesar (Paulo Cesar Silva CEO - EMBRAER)


Outro lado

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos no mesmo dia do comunicado do presidente da Embraer uma carta ao presidente Michel Temer para cobrar um posicionamento oficial e contrário a qualquer tipo de transação que represente a transferência de controle acionário da Embraer para a norte-americana Boeing.

Este foi o primeiro passo do Sindicato para dar início a uma campanha nacional contra a venda da Embraer e por sua reestatização. Além da carta ao presidente Temer, o sindicato disse que vai enviar delegações a Brasília para discutir o assunto com governo.

"A venda da Embraer, seja total ou parcial, representa a entrega de uma empresa estratégica para o país e de um patrimônio público que vem sendo construído há 48 anos pelos trabalhadores brasileiros", diz trecho da nota emitida pela entidade.

Nota oficial

A Embraer não emitiu novo posicionamento sobre o tema. Em manifestação na quinta (22), a empresa forçou que a fusão está em negociação e não é uma medida já definida. "Não há garantias de que estas discussões resultarão em uma transação", informou em nota.

 

JORNAL FOLHA DE PERNAMBUCO


Estado pode se tornar polo da indústria da defesa

Em entrevista à Rádio Folha, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que a vinda da indústria suíça Ruag deve atrair outras empresas do setor para Pernambuco

Marina Barbosa Publicada Em 27/12 - 12h38

Confirmada a vinda da fabricante de munições Ruag para o Estado, o Ministério da Defesa já pensa em construir um polo da indústria da defesa em Pernambuco. A ideia é usar a empresa suíça como uma âncora para atrair outras marcas do segmento e, segundo o ministro Raul Jungmann, já está sendo avaliada por outra indústria estrangeira. É a Caracal Internacional, fábrica de munições e armamentos que pertence ao governo dos Emirados Árabes.

“A indústria da defesa tem crescido em todo o mundo. É um mercado em expansão. Por isso, nós temos feito diálogos com vários países e o Estado está bem posicionado nesta questão, de forma que os investimentos já estão vindo e virão maiores muito em breve”, argumentou o ministro Raul Jungmann, que revelou estar em negociação com a Caracal durante entrevista à Rádio Folha, nessa terça-feira (26). “Estive recentemente em um giro pelo Oriente Médio e algumas empresas disseram que pretendiam se instalar no Brasil. A Caracal demonstrou interesse e agora vai fazer a escolha de onde vai se localizar”, revelou, dizendo que Pernambuco leva vantagem nessa disputa.

O ministro alegou que o Estado se destaca pela logística, pelos recursos humanos e pela questão fiscal. Afinal, detém o Porto de Suape, que facilita as exportações; dispõe de profissionais tecnológicos bem capacitados graças ao Porto Digital; e, recentemente, inseriu a indústria da defesa no seu maior programa de incentivos fiscais, o Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco (Prodepe). Além disso, a indústria da defesa pode desfrutar de condições diferenciadas de financiamento ano Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que é operado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Para completar, o Estado também foi o destino escolhido pela Ruag, a primeira empresa estrangeira de munições a se instalar no Brasil nos últimos 90 anos, que confirmou a vinda para Pernambuco no último dia 15. “Ao trazer uma empresa dessas para cá, cria-se uma espécie de empresa âncora. Isso pode possibilitar a instalação de um cluster, um conjunto de empresas, a partir da Ruag e de outros projetos que estão em desenvolvimento”, defendeu Jungmann, que já havia comentado a possibilidade de a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) também se instalar no Estado e chegou até a apresentar essa ideia de um "cluster da defesa" ao governador Paulo Câmara ontem. “Uma das ideias que vou discutir é a possibilidade de Pernambuco estreitar os laços com os países árabes para apresentar projetos lá fora”, antecipou Jungmann, explicando que há muitos recursos disponíveis para esse segmento industrial naquela região.

Ainda defendendo a ideia, Jungmann afirmou que, apesar de estar concentrada no Sul/Sudeste, a indústria da defesa já é responsável por 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera em torno de 70 mil empregos diretor no País. A Ruag, por exemplo, promete investir cerca de R$ 58,5 milhões, gerando 40 empregos diretos em Pernambuco, já no primeiro semestre de 2018. A empresa, no entanto, ainda não definiu o local em que vai construir a sua operação.

Corvetas

Além de poder receber novos empreendimentos fabris da área da defesa, Pernambuco pode ser o responsável pela construção de quatro navios de guerra nos próximos oito anos. É que a Marinha do Brasil lançou recentemente um chamamento público para construir quatro corvetas, orçadas em R$ 1,6 bilhão, e tanto o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) quanto o Vard Promar, situados no Complexo de Suape, estão concorrendo à licitação.

 

OUTRAS MÍDIAS


BLOG MARCELO AULER - Celso Amorim e a fusão da Embraer: “temos que impedir”


Publicado Em 27/12

A Embraer, cuja possível fusão com a americana Boeing foi recentemente anunciada, embora privatizada, não é uma empresa que possa dispensar – ou menosprezar – a opinião pública brasileira. Como lembra o ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores nos governos de Lula e de Dilma Rousseff, Celso Amorim, “embora hoje seja uma empresa privada, ela foi criada pelo Estado Brasileiro, como a Petrobras e várias outras. Foi financiada pelo BNDES o tempo todo, como lembrou em recente entrevista ao jornal Brasil de Fato, Darc Costa” (ex-vice-presidente do BNDES, engenheiro e professor na UFRJ).

Financiamentos que continuaram após sua privatização. Logo, um patrimônio que não pode ser visto como apenas dos seus sócios, mas do Estado Brasileiro. Não bastasse o dinheiro financiado, ela possui um valor estratégico para a nação como um todo. Não por outro motivo que quando levada a leilão, em dezembro de 1994, no governo de Itamar Franco, ocasião em que foi adquirida por R$ 154,1 milhões – valor pago integralmente em títulos da dívida de estatais, as chamadas “moedas podres” – houve a preocupação em manter em poder do governo brasileiro a "golden share".

Trata-se de uma ação especial que protege a empresa do capital estrangeiro. No processo de privatização, como explicou, 20 anos depois, em dezembro de 2014, ao jornal Valor Econômico, Manoel de Oliveira, então presidente da Sygma Engenharia, em São José dos Campos, a “golden share” foi apresentada como garantia aos militares da Força Aérea Brasileira (FAB). Na reportagem de Virgínia Silveira, reproduzida no site da TMA, Brasil – Embraer vence desafios da privatização -, Oliveira, que, ao lado de Osíris Silva, foi um dos articuladores da “venda” da estatal, expôs:

“Outro impasse enfrentado pela Embraer pré-privatização foi convencer quase 70% dos oficiais generais da FAB, receosos de que a empresa poderia ser vendida ao capital estrangeiro após anos de investimentos do governo. As regras da privatização, segundo Oliveira, de certa maneira, acalmaram os militares. Primeiro foi a ´golden share´, ação especial que protege a Embraer com relação à venda para o capital estrangeiro, e segundo foi que nenhuma empresa internacional concorrente da Embraer direta ou indiretamente poderia participar da privatização. Após a operação de ´debt swap´, o diretor financeiro da Embraer fez o lançamento internacional de ações limitada a US$ 100 milhões. Os principais investidores foram o Bank of America, Continental Bank, Bank of Tokio e Banco ABC.”

Amorim, que na entrevista citada ao Brasil de Fato já se declarou “totalmente contrário” a esta negociação, classificando-a como “um crime de lesa-pátria“, reconhece que caso o governo Temer utilize-se da golden share para impedi-la,”provavelmente será a primeira decisão boa do governo. Tomara que faça. Porque, desfazer será difícil“.

A fusão das duas empresas aéreas não pode ser vista como uma mera negociação comercial. Por se tratar de uma empresa de tecnologia de ponta que trabalha junto com a FAB, envolve estratégias governamentais, inclusive de defesa nacional, que não podem e nem devem ficar à mercê de empresas estrangeiras. Menos ainda de uma empresa americana.

Não se trata, como muitos pensarão, de “xenofobismo”. Mas, uma preocupação com os interesses nacionais. Em se tratando da Boeing a questão pode até ser vista como um “dar o troco na mesma moeda”.

Como lembra Amorim, durante o processo de seleção da empresa aérea à qual o Brasil encomendaria seus caças para renovar a frota da FAB, a Boeing foi escanteada por ser impedida pelas leis americanas de repassar ao “comprador” o código fonte dos seus aviões.

A encomendá-los à sueca Bombardier, o Brasil teve a garantia de receber tais códigos que, na verdade, são segredos industriais da empresa. A Bombardier concorre com a Boeing no mercado internacional. Com a fusão da Embraer com a Boeing, surgirá, como lembra Amorim, uma grande questão:

“A Suécia concordará em passar um segredo tecnológico – o código fonte dos caças – para uma empresa que estará coligada a uma concorrente direta dela nesta área?”

Com justa razão, Amorim descarta a possibilidade de com a fusão se separar a aviação comercial da aviação militar, como alguns falam sem maiores conhecimento de causa.

“Não há possibilidade de se separar aviação civil e aviação militar. Isso não existe. As grandes empresas aeronáuticas do mundo produzem aeronaves civis e militares. Então nós vamos perder autonomia nisso também. Ela já é muito difícil. Mesmo a Embraer como ela é hoje, ainda possui algumas lacunas a serem preenchidas. Para algumas destas lacunas o acordo com a Suécia irá ajudar. Como a Boeing é o principal concorrente deles (Bombardier) nos caças, não sei se uma coisa afetará a outra".

Amorim, como embaixador do Brasil em Genebra e, posteriormente, como ministro das Relações Exteriores, muito lutou em favor da Embraer, inclusive quando a empresa brasileira esteve em uma queda de braço com a própria Bombardier, envolvendo créditos à exportação de aviões civis. Com essa sua participação, o embaixador aprofundou seu conhecimento sobre a empresa de aeronaves brasileira.

Adverte, por exemplo, que mesmo no desenvolvimento de aeronaves civis, conhecimentos adquiridos nos projetos em parceria para a construção de aviões militares passam a ser fundamentais:

“O que a Embraer aprendeu com o AMX, aquele avião militar feito com a Itália, serviu e foi útil – e não estou falando da minha cabeça, não, mas do que eu ouvi de diretores da Embraer –, serviu para desenvolver depois toda a série de jatos regionais com as quais a Embraer conquistou diversos mercados no mundo. Portanto, não há como falar em separar aviação comercial da aviação militar“.

Será a “perda da autonomia” referida acima. Sem falar na própria área comercial da empresa brasileira. Como lembra o ex-chanceler, fusões de empresa sempre terminam com uma se sobrepondo à encampada. Cita, como exemplo, um caso conhecido no Brasil envolvendo empresas da aviação comercial – Varig e Cruzeiro. No início manteve-se o nome das duas, depois a Cruzeiro sumiu.

Recorda ainda as quedas de braço e associações que ocorrem nesse nicho de mercado internacional, das quais a Embraer tem sido mantida a distância.

“Eu acho que é um risco, acho que iremos perder autonomia comercial. Por exemplo, o Brasil, a Embraer, não tem briga com a Airbus. A nossa briga foi com a Bombardier. Agora, a Airbus está fazendo acordo com a Bombardier. Nós faremos com a Boeing? Então vamos entrar na briga da Boeing com a Airbus, sem necessidade“.

As dúvidas persistirão na disputa pelo mercado. Amorim adverte:

“Do lado de mercado, quem vai traçar a estratégia é a empresa grande, a empresa maior. É óbvio. No começo ainda manterá o respeito, mas isto depois acaba, com estas fusões. Na própria aviação comercial, como será a repartição do mercado? Os aviões da Boeing não são idênticos aos da Embraer. Pode ser até que durante um tempo permaneça assim, mas não sei se no futuro ficará assim. Não sei como eles no futuro irão repartir o mercado. O Brasil irá perder espaço com um produto tecnológico, avançado, que ele construiu. Que foi o Estado brasileiro quem construiu, mesmo depois de privatizada, pois teve muito financiamento do BNDES".

Continua na sua previsão sombria, inclusive relembrando o que se passou com a Metal Leve, antiga empresa brasileira também de alta tecnologia, criada por José Mindlin, que fabricava pistões e atendia à NASA. Nos anos 90, a abertura rápida da economia, mais a apreciação cambial, levaram à desnacionalização da empresa, como descreveu Luis Nassif em – Mindlin, Buck e a saga da Metal Leve. Ao ser incorporada pela alemã Mahle, em 1996, acabou perdendo o seu departamento de pesquisas que era o que a impulsionava.

“Pode ser que em curtíssimo prazo que a Embraer consiga, usando a rede da Boeing, avançar em alguns mercados. Mas isso não compensa os prejuízos estratégicos de longo prazo. Os prejuízos serão econômicos, comerciais, tecnológicos e de defesa“, diz Amorim.

Ele cita ainda o caso da Petrobras, outra que o governo golpista de Temer está entregando ao mercado internacional.

“A mesma coisa com a Petrobras. ´Ah, a Petrobras não têm dinheiros a curto prazo, a Petrobras não tem recurso para investir´, … mas daqui há dez ou mesmo cinco anos, se quiserem mudar a estratégia, se terá dificuldades".

Mais uma vez insiste que a estratégia empresarial muitas vezes choca-se com a estratégia nacional, do país. Isto, se no caso da Petrobras já parece evidente, no caso da Embraer também sobressai.

“Para a empresa, em última instância, se ela vender todas as ações e os acionistas colocarem o dinheiro no bolso, para ela dá na mesma. Agora, para o Estado Brasileiro não dá na mesma. Para o povo brasileiro não dá na mesma. Então, não há como sustentar. Eu até li que o Temer disse que iria usar a “gold share” para impedir, não sei. Tomara que use. Enfim, provavelmente será a primeira decisão boa do governo . Se fizer isso. Tomara que faça. Porque, desfazer será difícil. Por isso todos temos que ficar atentos. Sindicatos, engenheiros e a população de um modo em geral, para cobrar que se evite esta fusão".

 

DIÁRIO DE GOIÁS - Programa leva internet banda larga a 50 municípios de Goiás


Samuel Straiotto Publicada 27/12/2017 14h32

Goiás é o 4 º estado do Brasil a receber o programa Internet Para Todos do governo federal. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fez um levantamento e foram identificados que no estado há 900 pontos sem conectividade. A partir de fevereiro 300 municípios em todo o país começam a receber sinal de internet banda larga. Destes, 50 são em Goiás. Outros 49 serão atendidos numa segunda etapa. A conexão é feita através da instalação de antenas que recebem sinal do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégias (SGDC).

“Me agrada muito saber que Goiás é um dos primeiros estados em que este programa de universalização de telefonia e banda larga está sendo lançado. Me alegra saber que de 300 municípios escolhidos preliminarmente, 50 são de Goiás. São 99 no estado vão ficar faltando 49”, afirmou o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

O programa Internet para Todos, tem sido implantado gradativamente em todos os estados brasileiros. São Paulo, Santa Catarina e Amazonas são alguns dos que já contam com o programa.

O SGDC é o primeiro satélite brasileiro e foi lançado em maio deste ano ao custo de R$ 2,7 bilhões. O aparelho está estacionado a 36 mil quilômetros da Terra, na altura da linha do Equador e tem vida útil de 18 anos.

Este satélite permite a cobertura de todo o País, inclusive nos oceanos, o que garante internet até mesmo nas plataformas de petróleo. O equipamento permite ainda o uso pela defesa nacional no combate ao tráfico de drogas, na educação e na saúde, com sinal de internet para escolas rurais e postos de saúde.

“Goiás é o 4º estado que estamos visitando e a partir de fevereiro vamos fazer a homologação de 300 cidades em todo o Brasil que já a partir de fevereiro vão receber e o estado de Goiás vai ter nesta primeira etapa 50 cidades. É um número já bastante significativo. Esses municípios terão a oportunidade de identificar localidades em seus territórios que não tenha conectividade e gratuitamente o prefeito vai receber o equipamento e uma operadora credenciada vem instalar a torre”, destacou o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD).

Gilberto Kassab explicou que a Anatel já identificou em Goiás, 900 pontos sem conectividade. Ele destacou que é possível que mais pontos sejam identificados. O início da operação está previsto para fevereiro. O prazo de validade de 18 anos. A operação gerará receita que será para aquisição de novos satélites.

Durante apresentação do programa, o ministro das Comunicações declarou que antes de desenvolver o programa, o ministério conheceu experiências semelhantes nos Estados Unidos, México e Austrália, países com desafios parecidos devido as grandes dimensões territoriais.

Prefeituras

O ministro destacou que as prefeituras têm algumas contrapartidas. Para aderirem ao Internet para Todos as prefeituras precisam se cadastrar e oferecer um terreno para instalação da antena, segurança para o equipamento, além de assumir o custo da energia da transmissão do sinal e aprovar na Câmara Municipal a isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para este serviço.

Custo

Para o cidadão, Gilberto Kassab disse que o custo do serviço será mais baixo do que uma tarifa convencional de banda larga oferecida por alguma operadora de telefonia. “Como é um programa que estará isento de tributos, portanto o serviço será mais barato do que a tarifa usual. Essas localidades são geralmente em locais mais pobres”, declarou. O custo deve ser de R$ 30,00 para os munícipes.

 

AEROFLAP - Aviões que vão voar pela primeira vez em 2018


Publicado Em 27/12

Este ano foi marcado pelo lançamento de várias aeronaves, logo nos primeiros meses tivemos os primeiros voos do E195-E2, 787-10, 737 MAX 9 e A330neo, como protagonista a nova geração de aviões comerciais. No setor militar tivemos o novo Su-57, agora sim com motores da especificação original, e o Gripen E, que é um projeto base para o Gripen NG da FAB.

Mas com tantos aviões que voaram pela primeira vez neste ano, como será 2018?

Para isso nós vamos dividir por áreas de atuação, as conhecidas: Comercial/Executiva e Militar.

Aviação Comercial em 2018

Airbus

Com certeza a espera na Airbus é grande para o primeiro voo do A330-800neo e também do Protótipo CityAirbus, que vai revolucionar o deslocamento nas cidades.

O A330-800 é um avião encurtado (quando comparado com o A330-900), derivado do A330-200, porém com as mesmas melhorias do irmão maior, incluindo os novos motores Rolls-Royce Trent 7000 (foto em destaque dessa matéria).

Esse avião tem poucas encomendas, e várias vezes o seu desenvolvimento foi questionado pela Airbus, que mantém a perspectiva de colocar o avião no mercado quase no mesmo tempo que o A330-900neo. O primeiro voo do A330-800 está programado para ocorrer no primeiro semestre de 2018, se nenhum fornecedor atrasar.

Já o CityAirbus é um conceito que define o “carro do futuro”, e também ajudará no desenvolvimento de outro conceito da Airbus com a Italdesign, este último ainda mais parecido com um carro do futuro.

Os engenheiros do projeto CityAirbus recentemente concluíram os testes com os sistemas elétricos do quadricóptero, que serão a base para o perfeito funcionamento dos motores que, aliás, foi incluído nesse último teste.

A família A320neo também deverá receber um novo integrante em 2018, que na verdade já existe parcialmente. É o A321neo ACF, uma versão de alta capacidade para o A321, com modificações estruturais e nas saídas de emergência da aeronave.

O A321 ACF aumenta em 20 assentos a capacidade máxima do A321neo, isso tudo só foi possível porque a Airbus fez extensivas mudanças na configuração de portas da aeronave, abrindo mais espaço no interior para colocar assentos sem comprometer o conforto do passageiro.

Essa foi uma manobra da Airbus para tentar oferecer um produto de nicho, que nem a Boeing consegue competir, e também um substituto do 757 para as companhias que já usam a aeronave a tanto tempo. A Delta, maior operadora do 757 nos EUA, gostou da ideia e já encomendou 100 aviões desse modelo.

No campo dos “aviões utilitários” a fabricante europeia promete fazer o primeiro voo do Beluga XL lá para o segundo/terceiro trimestre de 2018, é o maior Beluga produzido até o momento.

Sua utilidade é basicamente levar componentes estruturais de grande porte entre as unidades de montagem final da Airbus, e agilizar o processo de fabricação das aeronaves, a geração atual é conhecida pelo transporte de fuselagens, asas e estabilizadores das aeronaves (A320, A330 e A350).

Boeing

Com tantos aviões da Boeing fazendo seu primeiro voo em 2017, para o próximo ano o único planejamento da fabricante americana está relacionado ao 737 MAX 7, que fará seu primeiro voo entre os 3 primeiros meses de 2018.

A Boeing também espera começar a certificação dos modelos BBJ baseados no 737 MAX, voltados para o mercado executivo. São poucas alterações envolvidas, e a fabricante vai fazer as alterações nos protótipos já existentes e usados durante a fase de testes.

Já o 737 MAX 7 está passando pela fabricação de peças e em breve entrará na linha de montagem final em Renton (WA).

O destaque do 737 MAX 7 é as alterações que sofreu durante o projeto, a pedido da Southwest que deverá receber a primeira aeronave em janeiro de 2019. A Boeing precisou aumentar o tamanho da fuselagem, para acrescentar pelo menos mais 12 assentos em uma configuração normal, e 18 em configuração de alta densidade, o motivo foi distanciar o avião dos jatos regionais E195-E2 e CS300, melhorando o custo por assento ocupado.

Bombardier

Depois de colocar no mercado seus jatos CSeries entre 2016 e 2017, a Bombardier não planeja nenhum novo avião para 2018.

Embraer

Enquanto a fabricante brasileira está trabalhando para fabricar os primeiros componentes do E175-E2, não há nada previsto para fazer seu primeiro voo em 2018.

Ilyushin

A fabricante estatal Ilyushin planeja fazer o primeiro voo do seu novo avião IL-114, com finalidade de concorrer com o ATR 72-600. Para isso a UAC, grupo estatal a qual pertence a empresa, tratou de iniciar logo neste ano os testes com um novo motor turboélice, o Klimov TV7-117ST.

Executiva

Cessna

A Cessna promete chegar forte em 2018 com novos aviões. O destaque vai para os Cessna Denali e SkyCourrier.

Enquanto o primeiro citado é um claro concorrente do Pilatus PC-12 e vem para preencher uma lacuna no mercado de aviação geral, o segundo é claramente mais direcionado para ser usado na aviação comercial para transporte de carga e passageiros, mas nada impede que esse avião também seja usado na aviação geral.

A fabricante estatal Ilyushin planeja fazer o primeiro voo do seu novo avião IL-114, com finalidade de concorrer com o ATR 72-600. Para isso a UAC, grupo estatal a qual pertence a empresa, tratou de iniciar logo neste ano os testes com um novo motor turboélice, o Klimov TV7-117ST.

Executiva

Cessna

A Cessna promete chegar forte em 2018 com novos aviões. O destaque vai para os Cessna Denali e SkyCourrier.

Enquanto o primeiro citado é um claro concorrente do Pilatus PC-12 e vem para preencher uma lacuna no mercado de aviação geral, o segundo é claramente mais direcionado para ser usado na aviação comercial para transporte de carga e passageiros, mas nada impede que esse avião também seja usado na aviação geral.

Na mesma onda dos aviões elétricos, a Eviation planeja fazer em 2018 o primeiro voo de um protótipo com capacidade para transportar até 9 passageiros, claramente focando no ramo de aviação executiva.

A aeronave é feita totalmente me material composto, são três motores alimentados uma bateria de íon de lítio de 980kWh, dando-lhe um alcance de até 1000 km de voo e uma velocidade de cruzeiro de 240kt (440km/h). Com uma fuselagem de 12 metros e capacidade para até 9 passageiros, o Alice, como foi batizado o projeto, poderá decolar com até 5900 kg.

Militar

O setor militar trabalha lentamente, ao contrário da aviação comercial, com poucos lançamentos ao longo dos anos.

2017 foi marcado pelo primeiro voo do Gripen E, que será uma base para o Gripen NG, e também pela atualização da Rússia para o projeto PAK FA, que agora ganhou seu motor definitivo, além de fazer o primeiro voo recentemente com o mesmo.

O próximo ano não deverá ser tão agitado, a Rússia planeja fazer alguns lançamentos, principalmente no segmento de transporte militar, já a China sempre em segredo não anunciou nada para 2018.

Ilyushin

O destaque dessa categoria fica para o Il-112V, um pequeno cargueiro russo que será propulsionado pelos mesmos motores do IL-114, aproveitando a inovação de propulsores.

Até o momento a Rússia não apresentou a aeronave, mas jura que o primeiro voo do avião será ainda em 2018.

Tupolev

O único destaque no setor militar para a Tupolev em 2018 vai para o primeiro voo do Tu-160 em sua versão modernizada, batizada de M2.

Desde 2007 a Rússia não produzia nenhuma unidade do Tu-160, mas a necessidade recente de novos bombardeiros levou o governo a optar por modernizar a aeronave, escolhendo também os novos motores Kuznetsov NK-32-02 para equipar o avião.

O primeiro voo do Tu-160 M2 modernizado será realizado até fevereiro de 2018.

 

DIÁRIO DO NORDESTE - Infraero cortará 30% dos funcionários


Publicado Em 28/12 - 01h00

Rio/Fortaleza. A Infraero pretende enxugar em 30% o quadro de funcionários e chegar em 2020 com 6,2 mil empregados - hoje, são 9 mil. A redução de pessoal está sendo feita por meio de programas de demissão voluntária, cessão de servidores para outros órgãos públicos e também transferência da atividade de navegação aérea para o Comando da Aeronáutica.

A navegação aérea, que consiste em serviços de gerenciamento de tráfego aéreo, telecomunicações e meteorologia, é deficitária. Sua transferência para a Aeronáutica depende de medida provisória. O plano do governo, que ainda inclui a possibilidade de venda de uma parcela da estatal, prevê que a empresa deixe de depender de aportes do Tesouro em 2020, segundo o presidente da Infraero, Antônio Claret de Oliveira.

Com a concessão do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, 83 funcionários da estatal serão transferidos e outros 61, cedidos a órgãos da administração pública a partir do próximo dia 2, quando a Fraport, nova concessionária, tomará a frente da administração do terminal. Até a última terça-feira (26), oito já tinham sido contratados pela empresa. Outros 33 funcionários da Infraero continuarão a trabalhar na condição de cedidos à Fraport até o fim da transição da administração do Aeroporto de Fortaleza.

Prejuízo

Desde 2013, ano seguinte à concessão de três dos seus mais lucrativos aeroportos (Guarulhos, Viracopos e Brasília), a Infraero apresenta prejuízo, recorrendo ao Tesouro para realizar investimentos. O presidente aponta que não está prevista a licitação dos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, nem de Santos Dumont, no Rio de Janeiro.