ORDEM DO DIA

Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira

Ordem do Dia alusiva ao Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira
Publicado: 23/10/2018 11:00
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Fonte: GABAER

Nesse 23 de outubro lembramos mais uma vez do que os jornais da época chamaram de “minuto célebre na história da aviação”. Minuto no qual Alberto Santos Dumont, 112 anos atrás, no comando do 14-Bis, provou que o "Mais Pesado que o Ar" pode voar.

Nosso mais ilustre aviador, num voo conduzido a poucos metros do chão, percorreu o Campo de Bagatelle, em Paris, levando consigo os olhares maravilhados de espectadores que, impulsionados por aquele feito, reforçaram suas esperanças no futuro que estaria por vir.

Assim, naquele singelo minuto de glória, Santos Dumont concretizou um sonho que acompanhava a humanidade há séculos.

Sonho tão vigoroso e encantador que, desde a figura mítica de Ícaro, encontrou corajosos sonhadores que doaram suas próprias vidas em busca do dom dos pássaros. Sonho que, ainda hoje, permanece aceso e flamejante no nosso meio. Vivo e vibrante nos anseios de cada aviador.

Destaco, contudo, que o feito de Santos Dumont não é fruto da sorte ou do acaso. Esse valente brasileiro, advogado do estudo, da persistência e da disciplina, conquistou os ares por consequência dessas e outras tantas virtudes.

Teve a coragem de enfrentar, não só os perigos de uma dimensão ainda muito pouco conhecida, que tantas vidas já havia consumido, mas também teve a bravura de defrontar o lugar comum, a ordem natural reinante - Enquanto muitos julgavam impossível, ele simplesmente o fez!

Dedicação e coragem foram as virtudes que levaram o "Pai da Aviação" à sua descoberta, porém, a simplicidade é a virtude que fez de Santos Dumont o grande homem que ele é.

Assimilou tal virtude de seu pai, Henrique Dumont, descrito pelo próprio filho como um fazendeiro cheio de energia e com muita confiança no futuro. Construiu uma companhia de café que impressionava em vários sentidos: "Ali tudo é grande, tudo é imenso; só há uma coisa modesta; a casa onde mora o fundador de tudo aquilo" - Foi como um visitante certa vez se referiu à fazenda cafeeira de Henrique Dumont.

Tomado por essa simplicidade de quem se preocupava muito mais com o produto do seu trabalho do que com o conforto da própria casa, Alberto Santos Dumont reunia no seu hangar pessoas de todas as classes e opiniões. Sem nenhuma distinção, dividia os segredos da aviação com todo aquele que compartilhasse da mesma curiosidade.

Desapegado de possíveis benefícios e vantagens pessoais, fez questão de tornar pública a patente do seu avião Demoiselle. Dessa forma, presenteou o mundo com o precursor do ultraleve atual e popularizou o acesso aos ares. Assim, impulsionou a criação dessa imensa legião de aviadores da qual fazemos parte hoje.

Ao nos deixar esse legado, Santos Dumont fez surgir o profissional que, assim como ele, ama o estudo, a persistência e a disciplina. São homens e mulheres que passam por longos e árduos treinamentos para garantir o voo seguro e preciso.

São homens e mulheres que, na falta de uma rotina previsível, nunca sabem se estarão com seus entes queridos nos momentos que lhes são afetos e, num altruísmo inquestionável em prol do cumprimento da missão, aceitam, abnegados, os longos períodos de afastamento na esperança de um dia poderem reparar o irreparável vazio que deixaram durante a sua ausência.

Ademais, o aviador é convicto de que o produto do seu esforço é muito maior do que ele próprio. Suas asas levam a segurança e a defesa da Nação, levam o alívio do resgate e conduzem o suprimento para abastecer as mais diversas necessidades. Levam também os desejos e as esperanças daqueles que, ao subirem a bordo de suas aeronaves, colocam seus próprios destinos como passageiros confiantes nas habilidades das tripulações dessas embarcações dos ares.

Com isso, ao comemorarmos o Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira, enalteço todas essas qualidades que os “Filhos Altivos dos Ares” herdaram do “Pai da Aviação”.

Ressalto que, extrapolando as cabines de nossas aeronaves, nossos homens e mulheres de azul se valem de suas competências para que a Força Aérea, em todo o seu conjunto, seja a cada dia melhor.

Não teríamos o que temos hoje - uma Força Aérea reestruturada, mais leve e eficiente - se não fossem essas qualidades alinhadas à coragem de querer mudar.

E é com esse espírito de valorização das virtudes que nos apropriamos dessa data também para receber, na Ordem do Mérito Aeronáutico, aqueles que, entre tantos outros, se destacam nessas qualidades que tanto prezamos.

Aviadores ou não, militares ou não, numa época em que nem sempre o correto e o justo é exaltado e que privilégios pessoais são, muitas vezes, colocados acima dos interesses da coletividade, nossa Ordem orgulha-se de ter por critério único a valorização de méritos que são fundamentados em ideais de profissionalismo, honestidade, honra e justiça.

Com isso, buscamos concretizar o sonho daquele que tantos outros sonhos realizou. O sonho de Alberto Santos Dumont. Daquele que tinha, por seu mais intenso desejo, ver o progresso do nosso Brasil.

Meus estimados comandados, sabendo que sonhos, quando desprovidos de atitudes, jamais deixarão de ser sonhos, lembro que a construção da Força Aérea e do Brasil que almejamos é fruto das iniciativas e do esforço de cada um de nós.

Portanto, nesse Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira, os incentivo a continuarem Controlando, Defendendo, e Integrando nossa Nação com iniciativas sempre pautadas nas virtudes que valorizamos. Estou convicto de que, quando depositamos nossa confiança em pessoas com esses valores e com a coragem para mudar o que precisa ser mudado, teremos como resultado certo uma Força Aérea e um Brasil cada vez mais forte.

Assim, no dia de hoje, tal como os espectadores no Campo de Bagatelle naquele 23 de outubro de 1906, me vejo cheio de esperanças nesse futuro que está por vir.


Sejam todos muito felizes nesse Brasil que nos espera.


Parabéns Aviadores!

Parabéns Força Aérea Brasileira!

Tenente-Brigadeiro do Ar NIVALDO LUIZ ROSSATO Comandante da Aeronáutica