RIDEX-BID 2018

Base Industrial de Defesa é tema de painel na RIDEX-BID 2018

Militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea se reuniram com representante das empresas de Defesa para painel de debate no segundo dia de feira
Publicado: 29/06/2018 09:10
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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Gabriélli
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias - Revisão: Cap Oliveira

No segundo dia da feira RIDEX-BID, que acontece no Rio de Janeiro (RJ) até a próxima sexta (29), um painel sobre a importância da Base Industrial de Defesa (BID) colocou em diálogo oficiais-generais das três Forças Armadas e o Vice-Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). O mote da conversação girou em torno da necessidade de previsibilidade, principalmente orçamentária, para garantir a continuidade de projetos a longo prazo.

O representante da Força Aérea Brasileira (FAB) no painel, o Chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica, Major-Brigadeiro do Ar Sérgio Roberto de Almeida, fez uma retomada histórica para demonstrar de que forma a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) foram essenciais ao desenvolvimento da indústria aeronáutica. Segundo ele, hoje existe um cluster aeroespacial na cidade de São José dos Campos (SP), onde estão 427 empresas da área, fruto da iniciativa da FAB nos anos 1950.

O Major-Brigadeiro Almeida também falou sobre como começou a indústria aeronáutica no país, que atualmente é responsável por 74% das exportações de alta tecnologia. Segundo ele, o primeiro avião desenvolvido e produzido aqui, o Bandeirante, inseriu-se em um nicho de mercado da aviação regional, deixado a partir da obsolescência da aeronave Douglas C-47 Skytrain. O mesmo deve acontecer, conforme avalia o oficial-general, com o KC-390. "Temos uma oportunidade fantástica com essa aeronave. Trata-se de um produto de muita qualidade que deve tomar conta do mercado mundial nos próximos anos", frisou.

O Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, destacou os sete projetos estratégicos da Força Armada, dando ênfase à atuação da Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) - empresa pública que, segundo ele, tem sido ator fundamental para garantir a previsibilidade e o equilíbrio financeiro dos programas. "Hoje temos recursos financeiros que dão estabilidade para que os projetos possam acontecer", disse o oficial-general. Ele usou como exemplo um processo de contratação de quatro navios militares, que está em processo, para destacar questões importantes ao desenvolvimento da indústria nacional, como acordos de compensação, transferência de tecnologia e utilização de conteúdo local.

Segundo o General de Brigada João Chalella Júnior, Quarto Subchefe do Estado-Maior do Exército, a instituição atua em duas frentes no que diz respeito à BID: investimento no potencial produtivo e capacitação tecnológica e autônoma. Para o oficial-general, indústrias, universidades, institutos de pesquisa e Forças Armadas precisam trabalhar em articulação e há de se buscar sempre o uso dual, civil e militar, das tecnologias. "Ninguém pergunta às Forças Armadas se elas estão prontas para realizar determinada tarefa, apenas se manda cumprir. Portanto, precisamos estar sempre preparados", ressaltou.

Já o Vice-Presidente da ABIMDE, José Cláudio Manesco, trouxe alguns números ao painel, para dar a dimensão da BID: são 220 empresas associadas, 60 mil empregos diretos, 240 mil indiretos, representando 3,7% do PIB brasileiro. Segundo ele, as empresas de Defesa e Segurança brasileiras são altamente tecnológicas e, portanto, oferecem um produto com grande valor agregado. "A BID é um instrumento de soberania", afirmou.

Nesta sexta-feira (29), representantes da FAB irão ministrar outras duas palestras durante a RIDEX-BID 2018, sobre projetos estratégicos e sobre o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE). A feira começou nessa quarta.

 

Fotos: Sargento Johnson / CECOMSAER