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Cadetes da Academia da Força Aérea compartilham histórias de superação

Jornal traz relatos de Cadetes aviadores, infantes e intendentes do Ninho das Águias
Publicado: 09/04/2018 09:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Cristiane dos San
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Felipe Bueno - Revisão: Maj Alle

Ultrapassar obstáculos e superar desafios físicos, mentais e psicológicos. Assim é a jornada dos cadetes da Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga (SP). Para muitos, os desafios começam bem antes do ingresso: em 2017, por exemplo, 34.867 jovens concorreram a 70 vagas, uma razão de quase 500 por vaga. Dos candidatos, 45% cursaram toda a vida em escola pública e 40% declararam renda familiar de até dois salários mínimos. Além disso, a maioria (74%) se preparou sozinha para as provas escritas, sendo que 82% dos concorrentes realizou a prova pela primeira vez.

Permanecer no Ninho das Águias, como a AFA é simbolicamente conhecida, também não é tarefa fácil. Precisa querer muito – mas muito mesmo – para chegar ao final do quarto ano de curso e receber a espada, tão sonhado símbolo do oficialato.

A rotina dos cadetes começa com a alvorada, às 5h50, e dificilmente termina antes da meia-noite. Isto porque, mesmo após o fim das atividades do cronograma diário, é preciso reforçar os estudos e preparar o uniforme do dia seguinte.

Além da rotina árdua, os cadetes têm de superar a saudade da família e dos amigos, bem como abdicar, constantemente, de momentos de lazer e descanso.

Cadete Aviadora Gabriela Ariana Fernandes Oliveira
A Cadete Aviadora Gabriela Ariana Fernandes Oliveira, hoje no terceiro ano do Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAV), lembra que seu sonho de infância era ser médica. “Quando eu tinha três anos, tive um tumor no cérebro e precisei fazer cirurgia. Por conta disso, frequentei o hospital por quase dez anos e criei certa admiração pela medicina. Nunca tinha pensado em outra profissão”, explica a Cadete. Na época de prestar vestibular, ela buscou informações sobre outras opções e conheceu a carreira militar. “Foi um período bem conturbado, pois estava no meu último ano para ingresso. Eu ficava das 7 às 22 horas no cursinho”, lembra. Ela reconhece que o caminho não é fácil. “A gente tem que superar muitos obstáculos, mas é muito recompensador. Vale a pena, porque nada é impossível”, acredita.

 

Cadete Intendente Roquelly Neuhaus Guimarães
Quando se trata de superação, a Cadete Intendente Roquelly Neuhaus Guimarães também é exemplo. Ficar longe da família, que mora em Porto Alegre (RS), é apenas um desafio. Ela lembra que o sonho de ser militar só foi possível por causa da ajuda de um desconhecido. “Aos 11 anos ingressei em um colégio militar na minha cidade. A minha mãe queria oferecer o melhor ensino, mas não tinha condições de continuar pagando as mensalidades. Ela era garçonete e tinha dificuldade financeira”, conta. A Cadete Neuhaus lembra que, um dia, estava almoçando na lanchonete em que a mãe trabalhava e usava o uniforme da escola, quando um desconhecido a abordou, quis conhecer sua história e ofereceu custear seus estudos. “Desde pequena eu me enquadrei neste ambiente militar. Eu me apaixonei pelos valores, pelo companheirismo, pela disciplina e tudo que isso proporciona. Eu gostava da aviação e admirava as mulheres em posições que não eram comuns”, lembra.

Cadete Infante Patrick Ferreira de Carvalho
Filho de militar, o Cadete Infante Patrick Ferreira de Carvalho afirma que sempre foi admirador da Força Aérea. Em parte, por influência do pai, que também é da FAB. “Eu cresci convivendo no meio militar e, com o tempo, foi crescendo um carinho enorme”. A possibilidade de pilotar aeronaves o atraiu à AFA, mas a vida como Cadete Infante tem lhe surpreendido. “Tenho percebido uma enorme afinidade com a Infantaria. Entrei na Academia com algumas expectativas, mas elas estão se remodelando e até se elevando”, afirma o Cadete Patrick Ferreira.

Cadete Intendente Lucas Perrony Campos dos Santos
O Cadete Intendente Lucas Perrony Campos dos Santos conta que na comunidade onde vivia, Vila Kennedy, no Rio de Janeiro (RJ), o lema era “passar em algum concurso para subir um degrau na vida”. Na busca por este objetivo, realizou um teste em um curso focado no ingresso na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) e ganhou bolsa de 100%. “O meu pai era motorista de ônibus e minha mãe era manicure, e todo dinheiro que ela ganhava pagava as minhas passagens de ônibus para o cursinho”, recorda. O Cadete Perrony lembra que estudou muito para ingressar na EPCAR, se afastou das redes sociais e abriu mão de horas de lazer. “Nunca pensei que ia estudar tanto”. E o esforço teve a compensação. “Lá na EPCAR eu mudei minha visão de vida e de mundo. Já não queria apenas passar em algum concurso para melhorar de vida, mas sim servir à FAB. Eu queria estar aqui”.
Hoje, Perrony é cadete intendente do segundo ano.

Fotos: Cabo André Feitosa

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