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“Quem define o seu futuro é você e ninguém mais!”

Conheça a história do Cadete da AFA que, mesmo diante das dificuldades, não desistiu do sonho de se tornar aviador
Publicado: 03/03/2018 08:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Aline Fuzisaki
Edição: Agência Força Aérea, por Ten Emília Maria - Revisão: Maj Peçanha

Se para muitos o sonho de se tornar oficial da Força Aérea Brasileira começa ainda na infância, é na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), que esse sonho começa a ganhar forma.

Considerado um processo seletivo bastante disputado, o ingresso na AFA exige bastante preparo dos candidatos. No entanto, mesmo diante das dificuldades que enfrentou, o Cadete Almir Flávio Targino Lara não desistiu de buscar a realização do seu sonho.

Nascido em Belo Horizonte (MG), o cadete sempre foi muito bom em matemática, chegando a disputar a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e, por isso, até pensou em seguir a carreira na Engenharia Civil. Mas o destino quis que ele fosse cursar a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), localizada em Barbacena (MG).

Filho mais velho de uma família de três irmãos sempre ajudou os pais a pagar as despesas da casa. Desde os oito anos de idade, durante o dia, trabalhava com o pai numa papelaria e, à noite, os dois vendiam “churrasquinho” para garantir o sustento da família. Aos 10 anos, vendia picolé nas ruas de Ipatinga (MG) e ganhava R$ 0,22 por unidade vendida. Era juntando cada moeda recebida que ajudava a pagar a conta de luz da casa em que vivia.

Aulas teóricas e práticas fazem parte da formaçãoJá aos 12 anos, morando em Lagoa Santa (MG) e vendo a dificuldade financeira da família, se juntou à mãe para vender água no semáforo de uma avenida da cidade mineira. “Meus pais sempre me mostraram a importância do trabalho e me ensinaram que trabalho honesto era muito mais digno que qualquer outra coisa. Nunca tive vergonha de ajudar meus pais, vendíamos água e com aquele dinheiro colocávamos a comida em casa”, relembra o Cadete Targino.

E era também vendendo água que ele conseguia o dinheiro para pagar a passagem do trajeto que fazia entre sua casa e o cursinho preparatório para a EPCAR, custo que um tio se ofereceu a pagar, mas com a condição de que, se o garoto não fosse aprovado no processo seletivo, deveria devolver todo o dinheiro investido. “Eu vi neste desafio uma oportunidade para crescer na vida e ajudar meus pais. Foi um ano de abnegação total, pois o nível de dificuldade do cursinho era muito além do que eu aprendia na escola. Além disso, tinha que conciliar os estudos com alguns fins de semana ajudando minha mãe a vender água”, afirma.

Todo o esforço foi recompensado. O jovem fez a prova da EPCAR e foi aprovado na primeira etapa do processo seletivo. Mas as dificuldades ainda não tinham acabado. “Quando fiquei sabendo que teria de ir até o Rio de Janeiro realizar os exames, foi um novo desafio. Continuamos vendendo água para conseguirmos dinheiro para a viagem. Por falta de orientação, só fomos preparados para participar da concentração intermediária, ou seja, só tínhamos condição para ficar um dia no Rio. Quando recebi a notícia que deveria ficar mais três dias, foi um choque enorme”, recorda.

A mãe apoiou o Cadete em todos os momentosA estadia de mãe e filho no Rio de Janeiro só foi possível porque a mãe de outro candidato, que hoje também é Cadete da AFA, se solidarizou com a história e emprestou dinheiro. Mas ainda viria o teste físico, para o qual ele se preparou com a ajuda de um primo que tinha uma academia de musculação. E a segunda ida ao Rio só aconteceu graças à mobilização de toda a família.

Já na EPCAR, mesmo não sabendo se realmente iria seguir a carreira militar, o aluno Targino se esforçava para estar entre os melhores da turma. E foi em uma palestra do Esquadrão Pelicano, no 3º ano de curso, que ele descobriu sua vocação. “Foi naquele momento que percebi que, se eu saísse da Força Aérea e corresse atrás do antigo sonho de ser engenheiro, eu já não seria tão feliz. Pois, na verdade, ao longo daqueles três anos na Escola, eu tinha desenvolvido um novo sonho, que me deu forças e motivação para seguir à AFA: o sonho de ser oficial da Força Aérea”, afirma.

Então, começaram os esforços para ingressar na AFA, que exigiu um rigoroso treinamento físico e intelectual. “Mas eu trabalhei, principalmente, o meu psicológico, pensando sempre no objetivo de me formar oficial aviador e poder ajudar outras pessoas, além de continuar a ser um orgulho para minha família. Tudo isso era muito maior que qualquer barreira que pudesse aparecer”, revela.

Hoje, aos 20 anos e cursando o 4º ano da AFA, o aluno se prepara para atuar na Aviação de Asas Rotativas e pretende se especializar em Busca e Salvamento. Também quer se dedicar à instrução aérea, retribuindo aos futuros cadetes a dedicação que recebeu de seus mentores. E, mesmo em constante aprendizado, o Cadete Targino não esquece as lições que aprendeu em casa. “Ainda ajudo minha família e me dedico muito para estar entre os melhores dentro da Força Aérea, dando orgulho aos meus pais. Sei que, quando me formar, vou poder mudar a história da minha família de uma vez por todas e minha mãe terá o descanso merecido depois de tanto lutar por mim e pelas minhas irmãs. Amo o que eu faço e faço o que eu amo”, afirma.

Quando perguntado se gostaria de deixar uma mensagem para motivar outras pessoas, o Cadete diz: “Tenha sempre em mente que quem define o seu futuro é você e ninguém mais! Lute com sangue e lágrimas e leve sempre consigo a vontade de vencer, a humildade e, o mais importante, a fé”.

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