MISSÃO DE PAZ

Formatura marca término das atividades do Brasil no Haiti

Após mais de 13 anos, chega ao fim a missão de paz da ONU no Haiti, coordenada pelas Forças Armadas brasileiras
Publicado: 01/09/2017 14:05
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Fonte: Agência Força Aérea, por Ten Gabrielli Dala Vechia

Formatura em Porto Príncipe marcou o término das atividades/ Exército BrasileiroA data de 31 de agosto de 2017 transformou-se em um marco histórico para as Forças Armadas brasileiras: depois de mais de 13 anos, esse foi o último dia de atividades na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Embora a data oficial de término seja 15 de outubro, definida em abril deste ano por decisão unânime do Conselho de Segurança da ONU, a desmobilização do contingente brasileiro começou nesta sexta-feira (01/09). A partir de hoje, os militares não irão mais às ruas e a segurança será exercida pela polícia local.

Na noite desta quinta-feira (31/08), uma formatura em Porto Príncipe, com a presença de comandantes militares e do Ministro da Defesa, marcou o término da participação brasileira. Raul Jungmann agradeceu aos peacekeepers e disse que o Haiti, agora, tem condições de perseguir seu desenvolvimento econômico e social. “Soldados, provedores da paz: os senhores ergueram o nome do Brasil a um novo patamar, elevaram o reconhecimento que a todos nós muito orgulha”, reforçou o ministro.

FAB atuou desde o início no revezamento das tropas/Sgt Johnson BarrosDesde junho de 2004, cerca de 37.500 militares brasileiros se revezaram na missão, que ganhou outros contornos em 2010, quando um terremoto de grandes proporções – sete graus na escala Richter – deixou 315 mil mortos. Entre eles 22 brasileiros e, desses, 18 militares que atuavam na MINUSTAH.

Ajuda que vem do céu

A Força Aérea Brasileira (FAB) atuou no Haiti desde o início da missão, realizando o revezamento das tropas – que no caso do Brasil, acontece semestralmente - e o transporte de suprimentos para atender ao batalhão brasileiro. Ao longo destes 13 anos, foram mais de 12 mil horas voadas em prol da missão de paz.

FAB também transportou ajuda brasileira após o terremoto/Sérgio KremerLogo após o terremoto, que ocorreu em 12 de janeiro de 2010, criou-se uma “ponte aérea entre Brasil-Haiti”, segundo relembra o Brigadeiro Mozart de Oliveira Faria, que hoje é Comandante da Ala 11 (Rio de Janeiro) e, à época, era piloto do Esquadrão Corsário (2º/2º GAV). Nos primeiros seis meses após a tragédia, foram contabilizados 219 voos nesse apoio: “um verdadeiro esforço de guerra”, afirma o brigadeiro.

Nessa mesma época, também foi enviado ao país um Hospital de Campanha da FAB, que permaneceu em solo haitiano por cinco meses e realizou 11 mil atendimentos.

 

FAB também apoiou em solo

Em torno de 37.500 militares brasileiros atuaram no Haiti/Sérgio KremerDesde 2011, aproximadamente 300 militares da Infantaria da Aeronáutica também atuaram no Haiti, compondo as tropas.

Segundo o Chefe da Subchefia de Segurança e Defesa do Comando de Preparo (COMPREP), Brigadeiro de Infantaria Luiz Cláudio Topan, as lições aprendidas com o Haiti já foram colocadas em prática nas missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em que houve participação da FAB. Alguns exemplos são os Jogos Olímpicos Rio 2016 e a intervenção no Espírito Santo, durante a greve da Polícia Militar. “Tivemos pleno sucesso naquilo que a gente pretendia no Haiti. As metas foram 100% atendidas”, afirma o Brigadeiro Topan.