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Meu filho chegou!

Conheça a história de uma militar da FAB que realizou o sonho de ser mãe pela adoção
Publicado: 11/05/2017 00:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Ten Raquel Sigaud

A vontade de ser mãe (ou ser pai) é o que motiva a adoção. Não pode ser para fazer caridade, muito menos para ter uma companhia na velhice. O que move uma pessoa a esperar anos na fila por uma criança é o desejo de doar amor.

Esse desejo é que estava no coração da Tenente Pedagoga Dione Lis Silva Brito Rodrigues, do Centro de Instrução Especializada da Aeronáutica (CIEAR), desde a adolescência. Hoje, realizada, ela é mãe adotiva do Gabriel, de cinco meses. Ele chegou ao novo lar quando tinha 50 dias de vida.

“Adoção para mim nunca foi segunda opção, mas a primeira. Tanto que, ao mesmo tempo em que decidimos ter filhos de forma natural, em 2011, iniciamos o processo de adoção, porque sabia que era demorado”, conta a militar. “Não consegui engravidar, mas no meu coração eu sentia que iria adotar uma criança”.

Tenente Dione e seu marido, o Primeiro Sargento Maurício Moreira Rodrigues, queriam um filho entre zero e três anos. Depois, ampliaram para quatro anos e incluíram a possibilidade de adotarem irmãos.

Em janeiro deste ano, eles estavam de férias quando foram informados por telefone de que havia uma criança disponível para adoção dentro do perfil desejado. “Perguntaram se eu queria conhecer antes. Eu disse: ‘Não precisa. O meu filho chegou’”, lembra, em tom convicto.

O espaço em casa para o quarto do bebê já estava reservado. Havia um berço. “Só não era decorado, porque não sabíamos se seria menina ou menino”. Depois de ir ao abrigo e ver o filho, enquanto aguardava as documentações necessárias, foi ao shopping comprar o enxoval. “Durante a gravidez os pais têm nove meses para preparar as coisas. Na adoção, é da noite para o dia”, explica.

O nome do bebê foi dado pela mãe biológica, a qual entregou o filho para adoção por consentimento. Gabriel significa “Deus enviou”. Para um casal de fé, o nome estava perfeito.

Lição de vida

“Ser mãe é algo maravilhoso. Eu me emociono e agradeço todos os dias por ter tido esse privilégio. Foi a minha felicidade”, declara a militar, em meio às lágrimas.

É comum que um filho adotivo tenha curiosidade de conhecer os pais biológicos. Se isso acontecer com Gabriel, os pais adotivos o ajudarão nessa busca de informações. “É um direito que ele tem. Além disso, na nossa relação haverá muita verdade, e ele saberá desde o início que não nasceu da minha barriga, mas que é filho do coração. E isso o torna mais meu filho ainda”.

Tenente Dione termina com a seguinte frase: “o que une uma família? Não é o DNA. É o amor”. A mensagem lembra o que Gabriel García Márquez divulgou em seu romance O Amor nos Tempos do Cólera: “...os filhos não são queridos por serem filhos e sim pela amizade que surge quando os criamos”.