FINANCIAMENTO

“Não há como dissociar o produto da solução financeira", diz Embraer

Diretor de financiamento de vendas apresentou a experiência da empresa na exportação de produtos de defesa
Publicado: 02/12/2016 14:30
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Fonte: Agência Força Aérea, por Ten Jussara Peccini

Se a indústria de defesa é uma questão de Estado, isso precisa ser discutidoO recado da Embraer, terceira maior fabricante de aviões no mundo e maior empresa brasileira de produtos de defesa, foi objetivo. “Não há como dissociar o produto da solução financeira”, afirmou o diretor de financiamento de vendas, Marcelo Santiago. Segundo ele, o mercado de defesa e segurança é onde o apoio oficial com crédito à exportação é mais estratégico, pois há uma lacuna neste segmento no mercado privado. A palestra do executivo, realizada nesta quinta-feira (01/12) em Brasília (DF), no terceiro dia do “I Encontro Internacional sobre Financiamento a Projetos de Defesa” apresentou a experiência da Embraer e o apoio do Estado na exportação.

Enquanto a área de defesa e segurança deve representar 13% do faturamento total da companhia em 2016, nos últimos dez anos o financiamento oficial representou apenas 3% das vendas.

Com o potencial de exportação do programa KC-390, o assunto ganhou relevância. O maior avião já produzido no Brasil concorre com aviões entre dez e trinta toneladas. A Embraer projeta um mercado internacional potencial para 2.700 unidades para as próximas duas décadas. Grande parte desse número advém da necessidade de renovação da frota. São aviões com mais de 30 anos de uso.

“Um programa de sucesso é aquele desenvolvido em parceria com o seu governo, mas que é capaz de exportar. Só assim se obtém a totalidade dos benefícios para a sociedade, como a geração de empregos, divisas e tecnologia”, afirma Santiago.

Até o momento, a FAB prevê a aquisição de 28 unidades. A empresa também tem 32 cartas de intenção de compra de cinco países, Colômbia, Argentina, Chile, Portugal e República Tcheca, parceiros no programa de desenvolvimento do novo cargueiro.

“Se a indústria de defesa é uma questão de Estado, o assunto precisa ser discutido”, defendeu Santiago sobre o fomento à exportação. O diretor também acredita que já é consenso a relevância estratégica do segmento de defesa para o País. Para ele, o que o setor precisa são ações efetivas por meio de políticas públicas direcionadas ao fortalecimento da indústria nacional.

Agilidade e competitividade - Mesmo reconhecendo que o sistema brasileiro de apoio à exportação tem melhorado, o executivo afirma que há um longo caminho a ser percorrido se comparado aos países mais competitivos. Segundo Santiago, o mercado privado de crédito para produtos de defesa é restrito. Fato que torna o apoio governamental ainda mais relevante. O executivo afirma que o financiamento pode ser decisivo na hora de fechar ou não uma venda.
A sugestão da empresa é aprimorar as ferramentas existentes. O primeiro passo seria reduzir a burocracia e tornar as taxas mais atrativas.

Um dos aspectos que pode ser melhorado é tornar mais ágil e eficiente o processo de financiamento. “O ciclo da estruturação do processo de financiamento oficial, para a Embraer, é muito longo”, analisa. O exportador também precisa lidar com diversos órgãos para estruturar um financiamento e obter aprovações, como Tesouro Nacional, BNDES, Fazenda, Relações Exteriores, Camex, entre outros. “Não tem um guichê único”, afirma sobre o processo desde o preenchimento do formulário de responsabilidade do exportador até o efetivo desembolso.

O outro desafio a ser vencido é oferecer o crédito com condições mais competitivas. Para ter uma ideia, em um comparativo médio de financiamento para prazo de dez anos a taxa francesa é de 0,7%, da Alemanha 0,2 e do Brasil 5,4%. “O custo, o prazo, a porção a ser financiada, a carência, não exigir garantias acessórias que encarecem a operação”, descreve sobre os itens a serem considerados quando se fala em financiamento competitivo.

Secretário de Economia e Finanças da AeronáuticaAvaliação – Para o Secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica (SEFA), Tenente-Brigadeiro do Ar José Magno Resende de Araujo, o debate proposto pelo evento em torno do financiamento à exportação de produtos de defesa cumpre seu papel de alertar sobre a importância do tema. “Provocamos essa discussão para que os diversos órgãos governamentais, da indústria, da iniciativa privada, possam estreitar essa interlocução e possamos chegar a um resultado adequado”, avalia.
De acordo com o oficial-general, o país já sabe fazer financiamentos bem estruturados de importação. Agora, é preciso buscar alternativas para facilitar a exportação. As aeronaves, por exemplo, são uma referência de produto de alta tecnologia e valor agregado exportado pelo Brasil em contraponto com as commodities.

O modelo brasileiro KC-390 enfrenta concorrência de empresas americanas e européias, principalmente, e vai depender de soluções financeiras nacionais para tornar a comercialização mais competitiva. “Para nós é extremamente importante que a Embraer exporte e que esse produto seja um sucesso. Os valores são elevados, não há como efetuar vendas sem ter um suporte de financiamento. São recursos de planejamento de longo prazo e precisam estar estruturados em financiamentos competitivo”, analisa.

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