Rio 2016

Maior delegação da história da natação brasileira conta com três atletas da FAB

Os Sargentos Gabriel, Ítalo e Jhennifer representarão o País em provas de revezamento, 50m e 100m
Publicado: 03/08/2016 08:50
Imprimir
Fonte: IV COMAR, por Ten Aline Bezerra
Edição: Agência Força Aérea, por Ten Jussara Peccini

Concentrados desde o final de julho (24) em São Paulo para aclimatação, os atletas brasileiros da natação entraram na Vila Olímpica no Rio de Janeiro na terça-feira (02/08). Os 33 atletas brasileiros compõem a maior delegação da história da natação do País.

O time contará com três Sargentos da Aeronáutica: Jhennifer Alves da Conceição, que competirá no revezamento 4x100, e provavelmente nos 100m livre; Gabriel da Silva Santos, no revezamento 4x100; e Ítalo Manzine Amaral Duarte Garofalo, nos 50m livre.  Os três foram classificados para Rio 2016 com tempos obtidos no Troféu Maria Lenk realizado em abril.

A expectativa dos atletas para os jogos é grande. “É a realização de um grande sonho, para o atleta e para a torcida com toda sua vibração”, resume o Sargento Gabriel sobre os anseios e as expectativas em competir no Brasil.

Ao mesmo tempo em que se sentem felizes por competir uma Olimpíada em casa, ficam apreensivos quanto à pressão da torcida. “Pode ser um ponto positivo se bem administrada psicologicamente”, explica a Sargento Jhennifer. Mas também pode resultar em pressão excessiva. “O público brasileiro é muito exigente e a proximidade com os familiares pode trazer distração”, ressalva o Sargento Ítalo. Mas considera essa pressão como fator positivo. “Meu técnico sempre disse que sem pressão não existe diamante, pois ele é lapidado sob pressão", explica.

Inspirado em Pequim – Nascido em Belo Horizonte (MG), mas criado em Paraguaçu, no sul do Estado, o Sargento Ítalo Manzine, 24 anos, é um dos representantes do Brasil na modalidade 50m livre. As competições serão nos dias 11 e 12 de agosto.

A preparação foi forte, com cinco horas na água diariamente e mais duas horas de musculação quatro vezes na semana. Atividades como ioga, trabalho psicológico e cuidados com a nutrição complementam a busca para obter os melhores resultados possíveis nos Jogos Olímpicos.

A prova dos 50m é uma das mais disputadas e repleta de adversários, como o americano Nathan Adrian; o recordista Florent Manaudou, francês que lidera o ranking mundial; o ucraniano Andriy Govorov. “Nos 50m livre vai ter muita emoção. Tudo pode acontecer. Quem errar menos vai ganhar a prova”, afirma.

Ítalo sempre gostou muito da água, mas só começou a treinar profissionalmente aos 16 anos depois de assistir aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. “Naquele momento, aquilo para mim se tornou um sonho”, revela. Entrou para um clube na capital mineira e os resultados não tardaram a aparecer. Subiu pela primeira vez ao pódio em campeonato brasileiro, onde ficou entre os cinco melhores.

Tudo começou com medo da água – Quando criança, por medo, Gabriel não entrava na piscina ou no mar. Nas viagens com a família, era considerado o “chato”, como ele mesmo descreve. Aos dez anos, a mãe o matriculou na escola de natação. Não demorou muito para começar a competir.

Hoje, com 20 anos, conquistou uma vaga olímpica. “Foi um sonho se realizando, a família toda comemorou”, conta Gabriel.  Ele vai integrar a equipe de revezamento, ao lado de João de Lucca (Exército Brasileiro), Marcelo Chierighini, Matheus Santana e Nicolas Oliveira. No último mês, o grupo esteve concentrado treinando por três semanas em Los Angeles (EUA). “Foi uma experiência importante para unir o time, para ficarmos em sintonia. Os quatro precisam estar num só objetivo”, enfatiza o militar cuja primeira disputa está agendada para 07 de agosto.

Entre os adversários mais fortes estão a equipe da Austrália, apontada como favorita pelo nadador. Os Estados Unidos e a França também estão com equipes fortes, mas diz que o Brasil está muito bem colocado. “Não podemos duvidar de ninguém, todos que estão ali são rápidos. Um país que pode surpreender é a Bélgica”, afirma o atleta, que vem se dedicando desde janeiro com pelo menos 4h de treino na água combinados com preparação física.

Briga por milésimos de segundo – Há seis meses, a carioca Jhennifer Alves da Conceição, 19 anos, mudou-se para São Paulo para treinar. Mudou também toda equipe: técnico, nutricionista, médico. Ela vai defender o Brasil no revezamento 4x100 medley junto com outras militares do Exército. “A gente vem se preparando bastante com treinos bem intensos. Cada um deu seu máximo até agora para obter bom resultados”, explica a militar.

A Sargento Jhennifer mantém firme a esperança de nadar, também, a prova dos 100m peito. Se caso for confirmada, pode enfrentar Ruta Meilutyte, a lituana dona do melhor tempo na prova; a jamaicana Alia Atkinson, com quem já competiu no Pan-Americano; e a americana Mary Kate. “Nessa briga, milésimos de segundo fazem a diferença. É nadar forte e entrar nas finalistas”, comenta a Jhennifer.

Fotos: Divulgação Confederação Brasileira de Natação e IV COMAR.