OPERACIONAL

FAB leva vacinas a cerca de sete mil indígenas no Acre

Realizada em parceria com o Ministério da Saúde, Operação Gota vai atender três distritos sanitários
Publicado: 30/10/2015 09:00
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Fonte: Agência Força Aérea

Cerca de sete mil indígenas   que vivem em 39 comunidades isoladas do Acre devem ser imunizados pela Operação Gota até 12 novembro. A ação desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Defesa para vacinação em áreas de difícil acesso, por meio de termo de cooperação técnica.

A Força Aérea Brasileira emprega dois helicópteros H-60 Black Hawk e uma aeronave SC-105 Amazonas no transporte das equipes multidisciplinares e das vacinas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo é oferecer às populações residentes em locais de difícil acesso as vacinas do calendário básico de vacinação nacional e do calendário básico de vacinação indígena (que incluiu as vacinas contra varicela e hepatite A). A meta visa ao controle e à manutenção da eliminação ou erradicação de doenças imunopreveníveis no território brasileiro, como difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, hepatite B, febre amarela, entre outras. Também integram as vacinas Influenza e HPV.

A meta do órgão na região é reduzir a mortalidade materna e infantil. “Se a criança tiver acesso à vacina, pode-se evitar uma infecção respiratória grave, pneumonia, por exemplo”, afirma a  Diretora de Atenção à Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Daniele Cavalcanti.

A primeira etapa se encerra nesta sexta-feira (29/10) atendendo comunidades dos Distritos Sanitários Indígenas Especiais (DSEI) do Vale do Rio Javari e do Alto Rio Juruá. O Vale do Javari fica na fronteira do Brasil com o Peru, entre as cidades de Tabatinga (AM) e Cruzeiro do Sul (AC).

De acordo com Cavalcanti, os três distritos foram selecionados por serem áreas de difícil acesso. Normalmente, são de 12 a 36 horas de barco a partir dos centros regionais para chegar a esses locais. “O imunobiológico resiste por no máximo 8 horas para chegar na temperatura correta”, explica. Nesta época de seca, com alguns cursos d’água sem condições de navegabilidade, o uso de helicópteros é fundamental para atender a região. 

Outra razão da parceria com a FAB é a expertise das unidades aéreas. “Algumas dessas comunidades, como no Médio Rio Purus, ainda não estão georeferenciadas e a experiência da Força Aérea em localizar e conseguir chegar nessas localidades é fundamental”, explica Daniele Cavalcanti. 

Entre as comunidades do Vale do Javari mais distantes estão Lobo e Palmeiras do Javari, respectivamente a cerca de 210 e 250 km ao norte de Cruzeiro do Sul. A região reúne indígenas das etnias Kunamary, Mayuruna, Matis, Kulina, Marubo e Korubo.

Tradutores da Funai fazem a interface entre os enfermeiros e os indígenas nos locais onde não se fala ou compreende o português, como na comunidade Apiwtxa II, que fica a cerca de 160 km ao sul de Cruzeiro do Sul, e concentra índios da etnia Ashaninka.

A partir do dia 04 de novembro os atendimentos serão direcionados ao DSEI do Médio Rio Purus. As áreas foram selecionadas pelo Ministério da Saúde. Entre as comunidades estão os índios que Suruwahá, uma etnia de pouco contato com outras populações, e os povos de Deni e o Jamamadi, comunidades numerosas e que não entendem o português.

  Os desafios da Amazônia - Operar na região amazônica envolve desafios como clima quente, com sensação térmica de até 45ºC, mudanças bruscas do clima e grandes distâncias de sobrevoo sobre a Floresta Amazônica.

“A maior dificuldade de voar sobre áreas com poucas áreas de pouso, como encostas de rios”, explica o Tenente Thiago de Barros, piloto do Esquadrão Pantera (5º/8º GAV).  O desempenho do helicóptero sofre interferência dos fatores climáticos e requer maior atenção da tripulação para operar na área.

Em média, as equipes de saúde ficam nas aldeias durante um ou dois dias. O tempo é suficiente para que a população de comunidades próximas possam se dirigir até as aldeias onde o helicóptero pousa e serem imunizadas. 

Para o militar da FAB, participar desta missão é uma oportunidade de prestar um serviço valioso aos cidadãos brasileiros.  “É um sentimento de ser útil à nação. Se não tivesse o helicóptero, seriam dois a três dias de barco para chegar à Cruzeiro do Sul, ou até mais em função das condições do rio neste período”, detalha o piloto.

Operação Gota – Realizada desde 1993, a ação é uma iniciativa  da Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações em parceria com a Força Aérea Brasileira no esforço de manter a rotina de imunização à população na região amazônica e pantaneira. Rios não navegáveis durante todo o ano, cachoeiras que impedem o acesso de barco, ilhas fluviais, localidades longínquas das sedes dos municípios fazem com que as equipes de vacinação e os insumos cheguem somente por meio de transporte aéreo. A partir de 2009 a Operação Gota é realizada somente nos Estados do Amazonas, Acre, Amapá e Pará.