ESPORTE

Militar da FAB quebra recorde sul-americano na travessia do Canal da Mancha

Com tempo de 8h49, major tornou-se 1º militar brasileiro a realizar a prova
Publicado: 09/09/2015 07:00
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Fonte: Agência Força Aérea

  Acervo pessoalEram cinco da manhã do último sábado (05/09) no porto de Dover, Inglaterra, quando o Major Adherbal Treidler de Oliveira, 45 anos, embarcou para o maior desafio da sua vida. Meia hora depois, ele caiu na água na praia próxima à cidade de Folkestone para iniciar a travessia do Canal da Mancha. No verão europeu, fazia 8 graus, a temperatura da água estava em 16,5 graus e o percurso de 34km só estava no começo.

"A travessia foi muito dura. O mar estava bastante agitado, com um tráfego intenso de navios mercantes, águas vivas enormes e uma correnteza absurda", descreve o militar. Assista aqui aos primeiros minutos da travessia.

Ao concluir a prova, conhecida como o "Everest da natação", com o tempo de 8h49, ele quebrou os recordes sul-americano e brasileiro, além de tornar-se o primeiro militar e o 23º brasileiro a realizar a travessia. "Estas marcas servem de incentivo para eu continuar praticando esporte e como inspiração para muitos outros. Pois mostra que todos nós, independente de sexo ou idade,  somos capazes de alcançar, com disciplina e perseverança, uma meta imposta", avalia.

O nadador foi escoltado pelo barco Sea Leopard, da associação que controla as tentativas de travessia (Channel Swimming Association). A bordo estavam o técnico, a médica e dois amigos. Eles foram os responsáveis por executar o plano de alimentação do atleta. A cada meia hora, o Major Treidler parava por 20 segundos para ingerir isotônicos, gel, bananas passas e barras de proteína.

De acordo com o atleta, houve três momentos que ele considerou mais difíceis. O primeiro foi tirar a roupa e cair na água. A temperatura estava em 8 graus, mas a sensação térmica era de 2 graus. "A água estava muito gelada", lembra. O segundo foi superar as correntezas no meio do  Acervo pessoal canal. "Nunca vi algo parecido. Era necessário muita força para se deslocar quase nada", afirma sobre o momento mais desafiador do percurso. Ele lembra que ao chegar nesta etapa ainda faltava toda a segunda metade da prova para vencer, ou seja, cerca de 15 km. O terceiro momento de dificuldade foram os últimos mil metros. "Eu podia ver a praia mas em função mais uma vez da corrente eu não consegui me deslocar. O fato é que eu já estava extremamente fadigado", relata.

Mas o que passa pela cabeça de um atleta durante oito horas de natação nessas condições? "Eu não pensei em muitas coisas. Procurava me manter concentrado para não sentir frio. Ficava atento ao barco escolta para fazer a melhor navegação possível e alerta ao meu corpo para o caso de sentir qualquer dor. Fora isso, foi o tempo todo atento às técnicas do nado para tentar  o melhor desempenho com o menor esforço", descreve.

Desde 2014, quando decidiu realizar a prova, o major passou a treinar quatro horas diárias, duas vezes ao dia em piscina e aos sábados no mar. Como parte da preparação, também realizou a travessia do Leme ao Pontal, no Rio de Janeiro. A região tem correntezas semelhantes. Uma equipe multidisciplinar formada por médico, fisioterapeuta, massoterapeuta, psicóloga, nutricionista, além da equipe técnica, deu apoio ao militar.

Da Europa, de onde o major conversou com a reportagem da Agência Força Aérea, ele faz planos sobre os próximos desafios. "No campo das grandes travessias, tenho como meta realizar dos Sete Mares, chamada também como Ocean´s Seven, que envolve as sete mais difíceis do mundo", conta. Dos Sete Mares, cada uma tem uma característica. Mas a mais difícil ele já riscou da lista: o Canal da Mancha.

Veja aqui reportagem no Conexão FAB sobre a preparação do militar e leia no Notaer sobre como o esporte ajudou a escrever uma história de superação.