SEGURANÇA DE VOO

SERIPA V debate padronização de instrução aérea em Florianópolis

Encontro reuniu cerca de cem participantes com objetivo de reduzir número de ocorrências
Publicado: 26/08/2015 08:04
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Fonte: SERIPA V

  Com o propósito de reforçar a importância da mentalidade e da cultura de segurança de voo focadas na padronização da instrução aérea, o Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V) realizou o segundo Estágio de Padronização de Instrução Aérea (EPIA). Cerca de cem profissionais participaram do ciclo de palestras que foi realizado nos dias 20 e 21 de agosto no Centro de Ensino da Academia de Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis.

A experiência e a tradição da Força Aérea Brasileira na formação de aviadores têm muito a contribuir com a aviação civil, em relação à proficiência na atividade aérea”, afirmou o Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Coronel Sandro Francalacci de Castro Faria, na abertura do evento.

O militar destacou a necessidade de reduzir os índices de ocorrências e também o papel educacional do SERIPA V na melhoria da qualidade profissional do piloto brasileiro e na promoção de um transporte aéreo cada vez mais seguro.

Participaram do estágio diretores de aeroclubes e de escolas de aviação, gestores de segurança operacional, instrutores de voo e alunos. A iniciativa mobilizou o segmento em busca de conhecimentos e informações que podem influenciar mudanças de comportamentos, além de elevar a segurança e a preservação de vidas humanas.

Temas Além de boas práticas, o EPIA apresenta ferramentas de padronização para o aperfeiçoamento da atividade aérea de instrutores de voo, cujos benefícios vão se refletir diretamente no bom desempenho de futuros pilotos que se preparam para ingressar na profissão.

O encontro debateu temas que envolvem o panorama da aviação de instrução aérea no Brasil, aspectos psicológicos, a didática e a comunicação aplicadas à atividade aérea, avaliação, o checklist relacionado a ocorrências, preenchimento de ficha de voo, brifim e debrifim, os erros mais comuns em acidentes da aviação de instrução, aerodinâmica em aeronaves de baixa performance e legislação.

Opiniões dos participantes - Piloto de Boeing 737 formado nos Estados Unidos, Enderson Rafael Teixeira dos Santos reconhece que há uma acomodação cultural nos Brasil que precisa ser modificada. De acordo com o piloto, a proposta do EPIA tem o mérito de nivelar da instrução básica por aqui. “Por falhas na formação, muitos alunos e até instrutores desconhecem o procedimento de cálculos de performance, peso e balanceamento da aeronave, por exemplo, e o fazem por dedução. Esse é um fator crítico na aviação leve, que põe em risco as operações”, declarou.

Integrante do subgrupo da Comissão Nacional de Treinamento que elabora o Manual Geral de Treinamento, cujo lançamento está previsto para 2016, o professor Eduardo Morteo Bastos, de São Paulo, participou do estágio para conhecer melhor os problemas da categoria. “O EPIA deveria ser disseminado pelos demais órgãos regionais do CENIPA, já que os problemas da aviação de instrução no Sul são os mesmos em qualquer parte do Brasil”, afirmou.

Instrutor no Aeroclube de Blumenau, distante 150 quilômetros da capital catarinense, Leo Wagner Rosa  conta que no início do ano, um dos instrutores sofreu um acidente com a perda de controle em solo, o que provocou uma certa inquietação no grupo. “Assim que soube do EPIA, nosso diretor determinou a participação de todos os instrutores, gerentes e demais diretores no evento. Posso dizer que foi uma excelente experiência”, declarou.

Agenda - A próxima edição do EPIA será dias 5 e 6 de novembro, em Londrina (PR). A escolha da cidade se deve ao expressivo número de escolas e aeroclubes, bem como os altos índices de acidentes registrados na região.

Organização - O SERIPA V é vinculado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e tem como propósito planejar, gerenciar e executar atividades de Segurança de Voo no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A organização foi criada em 2007 juntamente com outros seis órgãos regionais espalhados pelo Brasil nas cidades de Belém (PA), Manaus (AM), Recife (PE), Brasília(DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).