EXPEDIÇÃO YANOMAMI

FAB vai transportar médicos, índios Yanomami e material de apoio

Dois aviões e um helicóptero serão empregados para atender 35 aldeias na fronteira do Brasil com Venezuela
Publicado: 29/07/2015 15:27
Imprimir
Fonte: Agência Força Aérea

  Médicos voluntários da organização “Expedicionários da Saúde” vão percorrer mais de 3,4 mil km para levar atendimento a indíos que vivem na fronteira do Brasil com a Venezuela. O trajeto entre Campinas (SP) e São Gabriel da Cachoeira (AM) será realizado em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) na próxima sexta-feira (31/07). Só depois de praticamente atravessar o Brasil e pousar no meio da Amazônia iniciará, no sábado (01/08), a Expedição Yanomami, 33ª edição realizada pela instituição qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OCISP), que está sediada no município paulista.

Os profissionais vão levar apoio especializado aos índios da etnia Yanomami que vivem na região dos municípios de Santa Izabel do Rio Negro e São da Gabriel da Cachoeira, chamada de comunidade indígena de Maturacá (AM), distante cerca de 800 km da capital Manaus, na fronteira com a Venezuela. A expectativa é realizar cerca de 1.500 atendimentos e 200 cirurgias em pacientes de 35 aldeias entre os dias 1º e 7 de agosto.

A FAB vai participar da missão com o transporte de médicos, índios e material. Serão empregados os aviões C-105 Amazonas do Esquadrão Arara (1º/9º GAV), sediado em Manaus (AM); o C-99 do Esquadrão Condor (1º/2º GT), sediado no Rio de Janeiro (RJ); e o helicóptero H-60 Black Hawk do Esquadrão Harpia (7º/8º GAV), sediado em Manaus (AM). Estão envolvidos ainda outros 40 militares da Aeronáutica em ações de coordenação, planejamento e apoio.

Para executar esse tipo de procedimento, um centro cirúrgico móvel com modernos
  aparelhos foi instalado em Maturacá. Os equipamentos foram por via terrestre até Manaus, de onde foram embarcados em avião da FAB. Os coordenadores da Expedicionários da Saúde explicam que é mais interessante levar esse centro até os indígenas do que levá-los até os hospitais, porque assim é possível atender uma grande quantidade de pacientes e não há uma grande intervenção cultural.

Uma equipe de 60 profissionais da organização, entre médicos, enfermeiros e apoiadores, vai realizar atendimentos e cirurgias de pequena complexidade, como cataratas e pterígios (oftalmologia). Os índios Yanomami vivem da agricultura e pesca para subsistência e com o sol forte na região equatorial, segundo os médicos da expedição, são fatores q
ue ajudam no  desenvolvimento precoce da catarata, que pode levar à cegueira.

De acordo com a coordenadora da organização, Marcia Abdala, a preparação é cautelosa. “Sempre 15 dias antes das expedições nos reunimos com a equipe voluntária onde são convidados antropólogos para nos contar u
m pouco sobre os costumes e culturas dos povos a serem atendidos naquela expedição e passar nossa experiência de 12 anos de atuação na Amazônia Legal Brasileira”, explica.

Logís
  tica
Para o Esquadrão Arara, a missão c
omeçou ainda no sábado (18/07). A aeronave C-105 Amazonas transportou 15 toneladas de alimentos, remédios e estrutura de logística de Manaus para Maturacá. 

Já para o Esquadrão Harpia, a missão vai começar no dia 1° de agosto. A tripulação do helicóptero H-60 Black Hawk vai levar 140 índios das aldeias Marari e Marauirá, localizadas a cerca de 160 de km de Maturacá, para o local do centro cirúrgico móvel.

O helicóptero da FAB fará quatro traslados diários para transportar cerca de 20
  índios para o local. Segundo o comandante da aeronave, Tenente Tiago Vargas Nascimento Silva, é um trabalho de inclusão social. “Chegar nessas aldeias significa levar o Estado para locais onde a permanência é muito difícil”, explicou.
 
O Tenente Vargas já é experiente nesse tipo de missão. Ele participou em outubro de 2014 da distribuição de urnas eletrônicas para locais isolados da região amazônica durante as eleições. Segundo o militar, o H-60 Black Hawk é ideal para esse tipo de tr
ansporte. “As aldeias estão localizadas em locais de difícil acesso, onde apenas o helicóptero é capaz de chegar. Nós fazemos uma espécie de integração”, afirma.

  Expedicionários da Saúde
A Associação Expedicionários da Saúde é uma organização brasileira sem fins lucrativos que tem como objetivo levar medicina especializada, principalmente atendimento cirúrgico, às populações indígenas que vivem isoladas na Amazônia brasileira. Criada em 2003, a organização possui número notáveis. Já foram realizadas 32 expedições, com um total de 5.221 cirurgias e 32.229 atendimentos. Também atuou no Haiti para atender as vítimas do terremoto ocorrido no país em 2010. Foram realizadas 359 cirurgias e 1407 atendimentos no período de janeiro a outubro, onde foram enviados 78 profissionais para cidade de Les Cayes.

Veja como será o trajeto dos médicos na Expedição Yanomami:

imagens/original/25646/6726950223_1c54882bff_o.jpg
imagens/original/25646/12503487445_c486722177_o.jpg
imagens/original/25646/5.jpg
imagens/original/25646/2.jpg
imagens/original/25646/1.jpg