SEGURANÇA DE VOO

Comitê Nacional de Prevenção delibera medidas para segurança operacional

Publicado: 12/11/2012 09:59
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Fonte: CENIPA

Excesso de peso na bagagem de mão de passageiro, o uso de etanol nas aeronaves agrícolas, a definição de critérios na contratação de transporte aéreo, excursão de pista (saída fora da pista), operação "offshore" de Helicópteros e desinterdição de pista (liberação) foram os temas destacados no 58ª Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA) realizado no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), nos dias 7 e 8 de novembro.

As 45 entidades da comunidade aeronáutica que discutiram os problemas apresentados na pauta da reunião, deliberaram várias propostas para a melhoria da segurança operacional de voo. Dentre as medidas, a plenária votou pela criação de uma comissão de estudos sobre excursão de pista e a implantação de informe voluntário de relatos de fadiga de piloto, que visa à obtenção de estatísticas, bem como a verificação dos problemas que afetam esses profissionais. A coordenação e acompanhamento dessas ações contarão com o apoio do CENIPA.

No contexto da prevenção, o órgão investigador atualizou a plenária em relação às estatísticas mundiais divulgadas pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), que apontam a região das Américas (Norte, Central e Sul) com o maior tráfegos aéreos do mundo, representando 44% do movimento aéreo global. Gráficos também mostraram que a excursão de pista, perda de controle em voo e CFIT (voo continuado de encontro à superfície) são os principais fatores contribuintes para acidentes fatais na aviação mundial. Outro dado relevante informa que de todas as aproximações para o pouso dos voos mundiais, cerca de 4% acontecem de forma não estabilizada, ou seja, parâmetros de velocidade, alinhamento com a pista e configuração da aeronave (trem de pouso baixado e flaps selecionados) não estão adequados. Desse universo de aproximações não estabilizadas, em apenas 3% dos casos a tripulação realiza a arremetida em voo.

O CENIPA também apresentou considerações quanto aos dados estatísticos relacionadas a ocorrências de acidentes e incidentes aeronáuticos que mostram a situação do Brasil com 136 registros até novembro de 2012. Ainda com vistas à prevenção, o Comitê recebeu informações sobre a evolução das medidas de mitigação do risco aviário, desde o levantamento de 670 focos atrativos de aves no entorno de 42 aeroportos visitados até a sanção da Lei 12.725, no mês de outubro, que atribui responsabilidade às autoridades municipais.

A Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (ABRAPAC) e a Universidade de São Paulo (USP) apresentaram ao Comitê uma pesquisa sobre a fadiga do piloto e que foi divulgada à comunidade aeronáutica. O estudo destaca a evidência do tema no mundo da aviação, e também faz um alerta para a necessidade de revisar critérios relacionados à jornada de trabalho das tripulações conforme a regulação prevista em lei.

Ao final do encontro o presidente do CNPAA, Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço, agradeceu a presença de todos os participantes do fórum, enalteceu a qualidade dos debates nas questões da prevenção e lembrou a aproximação dos grandes eventos de 2014 e 2016 no Brasil ressaltando o compromisso exclusivo do CENIPA na proteção da sociedade brasileira.

Entre os participantes do CNPAA compareceram universidades, empresas aéreas, fabricantes de aeronaves (EMBRAER e Helibrás), aviação do Exército Brasileiro, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira, Sindicatos, INFRAERO, Petrobrás, Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e Secretaria de Aviação Civil (SAC) e outras entidades.