AVIAÇÃO DE BUSCA E RESGATE

Ordem do Dia (26/06)

Publicado: 26/06/2012 09:01
Imprimir
Fonte: COMGAR

BRASÍLIA, 26 DE JUNHO DE 2012.

"Sempre há esperança quando há vida humana." Ao parafrasear a renomada escritora francesa Simone Weil, torna-se possível traduzir o sentimento que exprime e norteia a essência de uma missão de busca e resgate: A luta incessante por uma vida.

Como os povos mais antigos, precisamos contar e recontar os feitos daqueles que nos antecederam como forma de cultuar nossas tradições, valorizar o trabalho dos profissionais de ontem, entender que o caminho trilhado foi coerente e projetar um futuro melhor e cada vez mais operacional.

Ao recontar a história, olhamos para a tarde do dia 16 de junho de 1967 quando o C-47 2068 decolou da Base Aérea de Belém, com destino ao Campo de Provas de Cachimbo, numa missão de transporte de tropa de infantaria que tinha por objetivo a defesa daquela área.

Contando com 25 militares a bordo, rumou para Jacareacanga em condições visuais devido a problemas em seu sistema de rádio compasso. A navegação não era complicada, pois os rios da região permitiam uma razoável orientação visual.

Tendo pousado em Jacareacanga, a tripulação recebeu nova ordem para prosseguir ainda noturno para Cachimbo em função do agravamento da situação, o que foi feito de imediato.

Após o tempo previsto de voo, o destino, entretanto, não foi encontrado.

Da mesma forma, também as tentativas de voltar para Jacareacanga ou mesmo atingir Manaus, fracassaram e, após o lançamento de parte da carga, o C-47 veio a pousar em emergência e noturno nas proximidades de Tefé.

Era o início daquela que se tornaria uma das maiores missões de busca realizada pela Força Aérea Brasileira, uma verdadeira saga, com o envolvimento de mais de trinta aeronaves, num total de mais de mil horas voadas em dez dias de incessantes tentativas de localização daqueles integrantes do pelotão de Infantaria de Belém.

Se por um lado o sentimento de esperança traduziu-se na certeza do resgate, fato narrado pelos cinco sobreviventes encontrados, por outro, foi consolidado nas demonstrações de abnegação, coragem, disciplina e persistência das tripulações que se envolveram naquela célebre missão, o verdadeiro espírito SAR, traduzido como essência do sentimento de todos os que labutam, diuturnamente, no cumprimento das missões de Busca e Resgate.

É o trabalhar pela certeza de que os sobreviventes sempre guardarão a mesma mensagem que se ouviu dos que foram resgatados naquele já distante dia 26 de junho de 1967: “Eu sabia que vocês viriam!”

Em nossas operações de rotina, a presença diuturna dos helicópteros e aviões SAR garante o apoio irrestrito às tripulações e aos passageiros das aeronaves que sobrevoam a Amazônia ou as águas atlânticas sob nossa responsabilidade garantindo um aspecto psicológico de amparo, observado no cotidiano das tripulações de nossas unidades.

Passados quarenta e cinco anos da saga do FAB 2068, inúmeras missões foram realizadas pelos anônimos que compõem o sistema SAR brasileiro, com destaque para a participação nas missões de busca dos acidentes do GOL voo 1907, na Região Amazônica e do AIR FRANCE voo 447, no Oceano Atlântico. Nessas ocasiões, homens e mulheres dedicaram suas vidas em ambientes hostis na tentativa de encontrar e salvar outras.

Esse tipo de missão requer uma sinergia de esforços que envolvem aeronaves e tripulações das Aviações de Busca e Resgate, Patrulha, Asas Rotativas e de Transporte numa perfeita simbiose, sob a coordenação maior da Segunda Força Aérea e do Comando-Geral de Operações Aéreas, contando ainda com a participação dos centros de coordenação – SALVAERO – do DECEA.

Entretanto, as missões SAR não se resumem aos tempos de paz. Dessa forma, uma Força Aérea precisa ter a plena capacidade de resgatar combatentes atrás das linhas inimigas, levando maior motivação aos companheiros pela confiança no resgate, ainda que sejam alvejados em território inimigo

As perspectivas de recebimento de novos helicópteros especificamente equipados para missões de resgate em ambiente hostil aumentam a expectativa de todos os tripulantes SAR, e contribuirá na manutenção da performance atual na qual se observa um longo período em que todos os acidentes ocorridos sobre nosso território tiveram suas posições localizadas por este conjunto de tripulantes e suas máquinas.

Como parte deste esforço de reaparelhamento, já estão em operação as aeronaves H-60 – Blackhawk, H-36 – Caracal, AH-2 – Sabre, bem como os modernos SC-105 – Amazonas.

Nos dias atuais, o sentimento que nutre os corações e mentes dos homens e mulheres que labutam no cumprimento da nobre missão de salvar vidas humanas permanece incólume.

É o agir, de forma anônima, diuturna e rotineiramente, para que outros possam viver.

É um ideal, uma verdadeira apologia à vida.

São valores alicerçados e consolidados, como os de abnegação, coragem, força, honra e fé.

Tudo isso moveu os nossos antecessores e continua alavancando, com vigor inquebrantável, todos aqueles que trabalham para que o sistema SAR brasileiro permaneça no mais alto patamar.

Esmorecer, nunca! Desistir, jamais!
Para que outros possam viver! Busca!
Voar, combater e vencer!!!

TEN BRIG AR NIVALDO LUIZ ROSSATO
COMANDANTE-GERAL DE OPERAÇÕES AÉREAS