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26 de junho - Dia da Aviação de Busca e Salvamento.



A importância da Aviação de Busca e Salvamento


Em cinco anos (de 2012 a 2016), a Força Aérea Brasileira (FAB) localizou 180 pessoas vítimas de acidentes aeronáuticos e marítimos em operações de Busca e Salvamento (SAR, do inglês, Search And Rescue). Em 2016, 25 pessoas foram encontradas com vida por aeronaves da FAB. Outras 69 receberam algum tipo de assistência do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico Brasileiro (SISSAR). Os dados apontam também que, no ano passado, 5 embarcações foram localizadas.

Um dos casos registrados foi o resgate aos feridos no acidente com o bimotor que transportava os apresentadores Luciano Huck e Angélica, com seus três filhos e duas babás. O helicóptero H-1H, do Esquadrão Pelicano, decolou prontamente depois de ter sido acionado pela Torre de Controle de Campo Grande (MS). A tripulação era composta por dois pilotos, um mecânico, um operador de equipamentos, dois socorristas e um médico.

Ao chegar ao local do acidente, juntamente com as equipes dos bombeiros, os tripulantes auxiliaram no socorro e removeram o piloto para a Base Aérea de Campo Grande (BACG). Após o pouso na BACG, uma ambulância transferiu o piloto socorrido para a Santa Casa de Misericórdia.

No total, nos quatro anos, foram registradas mais de 11 mil ocorrências, sendo que aproximadamente 7% desses casos eram situações reais que envolveram algum esforço de busca e salvamento, inclusive com a participação de aeronaves. A maioria dos casos são resolvidos com contatos telefônicos durante as buscas iniciais por informações quando operadores dos Centros de Coordenação de Salvamento (Salvaero) buscam, por exemplo, identificar o que houve com aeronaves que não pousaram nos aeródromos de destino ou alternativos indicados no plano de voo.

As missões de busca e salvamento realizadas pela FAB acontecem sobre todo o território nacional, sobre o mar territorial e ainda em uma ampla área de águas internacionais do Atlântico. Por força de tratados internacionais, o Brasil é responsável por essas missões em uma área de mais de 22 milhões de km², quase três vezes a extensão continental do País (de 8,5 milhões de km²).

Esquadrão de Busca e Salvamento


- Conheça o Esquadrão Pelicano e as funções desempenhadas pelos militares

Apenas um esquadrão da Aviação de Busca e Salvamento atua na FAB: o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2°/10° GAV), Esquadrão Pelicano. Outros esquadrões também podem fazer missões de Busca, como meios secundários desde que tenham suas tripulações com treinamento específico e com o Curso Teórico de Busca e Salvamento, ministrado pelo 2°/10° GAV. E algumas unidades de asas rotativas cumprem missões de Salvamento e podem participar de missão de Busca como meio auxiliar.

O 2º/10º GAV foi criado no dia 06 de dezembro de 1957 na Base Aérea de São Paulo, atualmente denominada Ala 13, de onde foi transferido em 1972 para a Base Aérea de Florianópolis, em Santa Catarina, sempre operando com os bimotores anfíbios Grumman SA-16A Albatroz e os helicópteros Bell SH-1D Iroquois. No dia 20 de outubro de 1980, a Unidade foi transferida para a Base Aérea de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, quando passou a utilizar os Embraer SC-95B Bandeirante SAR e os helicópteros Bell UH-1H Iroquois.

O Esquadrão Pelicano mantém permanentemente uma aeronave e um helicóptero em alerta para decolagem em poucos minutos, equipados para atender a qualquer situação de emergência, seja na terra ou no mar. Entre as suas atribuições também estão as chamadas "Operações Especiais": infiltração e exfiltração de Tropas Especiais, Controle Aéreo Avançado (Forward Air Control), ataque ar-solo e Combate SAR com os helicópteros H-1H Iroquois (conhecidos como "sapão") armados com metralhadoras e lançadores de foguetes.

Em 2006 a FAB alterou a designação de todos os seus helicópteros, retirando a letras C e U do nome, dessa forma, o Bell UH-1H passou a ser Bell H-1H Iroquois.

No dia 03 de abril de 2009, pousou na Base Aérea de Campo Grande, atualmente denominada Ala 5, o primeiro CASA/EADS C-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano, matriculado FAB-2810. Em 10 de julho do mesmo ano, chegou o FAB-2811. Essas aeronaves são consideradas como modelos de transição, pois contam com apenas uma parte do equipamento SAR que será utilizado pela Unidade. Para cumprir as suas missões, o FAB-2810 e o FAB-2811 estão equipados com plataformas removíveis com dois assentos para os observadores e um armário de equipamentos, além das bolhas para observação nas laterais da fuselagem. No restante, são iguais aos C-105A dos Esquadrões Arara e Onça.

No final de junho de 2010, o 2º/10º GAV desativou os Embraer SC-95B Bandeirante SAR, com os quais operou por mais de 30 anos. Em outubro do mesmo ano, os C-105 passaram a ser designados SC-105, recebendo a faixa laranja com as letras SAR no alto do estabilizador vertical, de acordo com o padrão internacional. Em 2014 a CASA/EADS passou a se chamar Airbus Military, que em seguida se juntou com a Astrium e a Cassidian para formarem a Airbus Defence and Space.

Com atuação em todo o território nacional e no exterior, ao longo de sua história, o Esquadrão Pelicano tem atuado em diversas missões de resgate, desde as menos conhecidas até aquelas de extensa divulgação na mídia, como as buscas ao VARIG 254, em 1989, ao GOL 1907, em 2006 e ao AIR FRANCE 447, em 2009. Paralelamente, atua no atendimento às populações atingidas por desastres naturais como aconteceu no terremoto no Peru em 1972, enchentes na Bolívia em 2007 e, dentro do território nacional, nas enchentes da Região Serrana do Rio de Janeiro, em Santa Catarina e recentemente no Estado do Acre.

- Saiba quais as funções desempenhadas pelos militares na Aviação de Busca e Salvamento

Soldados: Tiram serviço como auxiliares de pista e tratoristas, provendo o apoio de fonte de força bem como auxiliando nos pré-voos e pós voos das aeronaves. Além disso atuam diretamente como axiliares nas atividades de manutenção das aeronaves.

Cabos: Atuam na manutenção das aeronaves e também podem ser tripulantes como Observadores SAR.

Oficiais Especialistas, Suboficiais e Sargentos: Podem ser tripulantes da aviação de busca e salvamento como: Mecânicos de Voo (helicópteros e aviões), Rádio Operadores (aeronaves de asa fixa), Observadores SAR, Operadores de equipamentos especiais (helicópteros), Homens de resgate ou Enfermeiros.

Oficiais aviadores: Pilotos de busca e salvamento (aviões e helicópteros) e Homens de resgate.

Oficiais de outros quadros: De acordo com sua formação podem participar da missão como Homens de resgate, Observadores SAR, Médicos ou Enfermeiros.

Confira no vídeo abaixo como são formados os militares dedicados a salvar vidas.




Passo a Passo do acionamento


Saiba como a FAB é acionada para busca e salvamento de aeronaves e embarcações

Tudo começa com o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR) que tem a missão de localizar e socorrer ocupantes de aeronaves e embarcações em situações de perigo. Esse sistema tem um órgão central, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que normatiza, coordena e controla as ações de Busca e Salvamento.

Com o DECEA trabalham em estado de alerta – ou seja, 24h por dia, durante todo o ano – mais cinco órgãos regionais, conhecidos como SALVAERO (Atlântico, Brasília, Curitiba, Manaus e Recife), que estão distribuídos estrategicamente em diferentes pontos do território nacional, subordinados aos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA) que executam atividades de controle do tráfego aéreo comercial e militar, vigilância do espaço aéreo e comando das ações de defesa aérea no Brasil.

Outros órgãos também trabalham em conjunto com o SALVAERO, como: Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e outras organizações públicas, privadas e não governamentais.

O acionamento acontece quando um aparelho eletrônico chamado Baliza Eletrônica (ELT – Emergency Locator Trasmitter), que existe na maioria das aeronaves, dispara automaticamente pelo impacto da queda ou manualmente pelo piloto. A baliza eletrônica transmite um sinal detectável por satélites e por aeronaves que estão próximas. Os satélites captam esses sinais e eles são transmitidos a estações terrestres (antenas localizadas em Brasília, Recife e Manaus). Logo após localizar a baliza, o Centro de Controle de Missão (CCM), em Brasília, envia esses dados ao SALVAERO da região para iniciar os procedimentos de busca.

Um alerta de uma baliza demora dois minutos entre o seu acionamento e a detecção por uma estação rastreadora. Caso a baliza tenha GPS, a sua localização será enviada junto com a mensagem de alerta transmitida pela baliza. Caso não tenha, terá sua posição calculada utilizando os dados de detecção fornecidos por um ou mais satélites.

No caso de desaparecimento de uma aeronave, quando a comunicação do Centro com o piloto não é mais realizada, o CINDACTA informa ao SALVAERO que começará a fazer as buscas. Caso o SALVAERO, após averiguar todas as informações necessárias, não consiga confirmar a situação de segurança da aeronave, ele irá acionar os Esquadrões de Busca e Salvamento da FAB.

Missão de Busca e Salvamento


Saiba como a FAB é acionada para busca e salvamento de aeronaves e embarcações.

Conheça quem atua nas missões e como se dá todo o processo

- Missão de Busca

No caso do Esquadrão Pelicano ser acionado para uma missão de busca, será empregada a aeronave SC-105 com sua tripulação composta de dois pilotos, um mecânico de voo, um loadmaster (mestre de carga), quatro Observadores SAR, sendo dois também Homens de Resgate e paraquedistas habilitados para salto livre.

A divisão das funções da tripulação acontece da seguinte forma: O oficial aviador mais antigo será o Comandante da Aeronave, que é o responsável pelo gerenciamento da missão, pela segurança da aeronave e da tripulação, além de zelar pela motivação e trabalho em equipe.

O segundo oficial aviador fica responsável pelo planejamento da missão no que diz respeito à navegação aérea, além de auxiliar o comandante da aeronave. Durante os vôos as funções vão variar em cada etapa, mas de modo geral um estará atento à pilotagem e o outro cuidará da navegação e das comunicações externas.

O Mecânico de Voo é responsável pelo correto funcionamento da aeronave durante toda a missão. Em solo ele faz inspeções pré e pós voo para verificar como estão os equipamentos. Em voo ele monitora os instrumentos e auxilia os pilotos no processo de tomada de decisão caso alguma situação anormal apareça.

O Loadmaster é o responsável pela cabine de carga. Ele controla o carregamento de descarregamento de carga e embarque e desembarque de pessoal, mantendo tudo dentro das limitações de peso e balanceamento. Em voo ele tem papel chave para a operação no momento do lançamento de paraquedistas, quando assume o controle de abertura e fechamento da rampa de carga e faz a ponte de comunicação entre os pilotos e os paraquedistas.

Observadores SAR são militares treinados para localizar pessoas desaparecidas, sendo a peça fundamental da missão de busca. Eles são os responsáveis por localizar o que está sendo procurado e durante o voo ficam posicionados, um de cada lado da aeronave, observando o terreno por meio de bolhas na fuselagem que facilitam a visualização o solo. A cada 30 minutos as duplas de observadores são trocadas, para que todos se mantenham sempre atentos e descansados.

Homens de Resgate são militares treinados em atendimento pré-hospitalar, técnicas de resgate e sobrevivência. Em uma missão de busca com um avião é de grande importância que estes também sejam paraquedistas habilitados para salto livre. Caso o acidente tenha ocorrido em local de difícil acesso onde o avião não possa pousar e o resgate demorará a chegar os paraquedistas são lançados com seus equipamentos e podem prestar os primeiros socorros às vítimas e prepará-las para o resgate.

- Missão de Salvamento

Depois de identificado o local do acidente os meios de resgate são enviados para salvar as vítimas. Os helicópteros são o meio mais indicado devido a sua versatilidade e características de voo. O H-1H do 2°/10°GAV para missões de salvamento opera com dois pilotos, um mecânico de voo, um operador de equipamentos especiais e dois homens de resgate, além de ter um guincho para içamento instalado. A função dos pilotos, salvo as peculiaridades da pilotagem do helicóptero, é semelhante a do SC-105, sendo o mais antigo também o comandante da aeronave.

O Mecânico de Voo de helicóptero, além de cuidar do funcionamento dos sistemas da aeronave, também auxilia os pilotos nas manobras observando se há algum obstáculo que possa apresentar perigo.

O operador de equipamentos especiais é o responsável por controlar o peso e o balanceamento da aeronave. Em voo, junto com o mecânico auxilia nas manobras e no posicionamento do helicóptero. Quando necessário é ele quem opera o guincho e garante que o homem de resgate desça e suba em segurança.

Os Homens de resgate que atuam em helicópteros assim como os do avião estão preparados para prestar o atendimento pré-hospitalar à vítima. Neste caso não há necessidade que também sejam paraquedistas, porém eles devem estar treinados para realizar todos os procedimentos de infiltração e exfiltração utilizados em helicópteros.

Veja no vídeo abaixo a história de um militar que resgatou duas vezes o mesmo homem que sobreviveu a duas quedas de avião na selva.


Confira o depoimento de algumas pessoas que foram resgatadas pela FAB


FOTOS



Hino do 2°/10° GAV


Letra - Ten. Monclar da Rocha Bastos
Música - Waldemar Henrique
Instrumentação - Zótico Guimarães Santos

Da Busca, o alerta, a mensagem
Do Esquadrão, a doutrina constante
Destemor, elevar a missão
Num trabalhar de arrojada pujança
Jurando todos, salvar sempre salvar
Por uma vida a ordem é lutar
ESTRIBILHO
Do Pelicano, a Bandeira do SAR
Que tem por alvo o resgate tentar
E o perigo jamais conhecer
Para que outros possam viver
II
Avante, o destino não importa
Decolar, desprezando a hora
Arrostar o momento de rijo
Pois que o tempo avançando ligeiro
Traduz premência, voltando a lembrar
Por uma vida a ordem é lutar
III
Forjada na intensa instrução
Em contínuo e adulto labor
Temperada, moldada na paz
Da perspicácia à coragem audaz
Legenda mestra, propósito do SAR
Por uma vida a ordem é lutar

TEXTO: Tenente Jornalista João Elias  |  WEBDESIGN: Sargento Especialista Samir Melo

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